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A unidade necessária para derrotar o golpe

O Golpe parlamentar de 2016 que afastou a Presidente eleita Dilma Rousseff e vem impondo retrocessos e uma agenda neoliberal de retirada de direitos representa mais que uma perda de um governo, representa uma derrota de natureza estratégica. O que significa isso? À medida que a classe dominante tem o controle do aparelho de estado, o seu objetivo estratégico não é a conquista do poder, mas sim, neutralizar qualquer possibilidade que ameace o seu domínio. Em outras palavras: o objetivo estratégico da burguesia é a nossa destruição. Destruição que pode ser física, como também, destruição da nossa capacidade de organização e luta.

É isso que está em jogo com a criminalização de lideranças populares, a exemplo do Lula e militantes dos movimentos populares, de partidos políticos, como PT, dos movimentos populares e sindicais. A Reforma Trabalhista além de retirar direitos básicos, destrói a organização sindical no Brasil, empunhando um golpe brutal na resistência sindical e popular.

Não se trata, portanto, de uma derrota do PT ou das organizações que protagonizaram o último ciclo político no Brasil, mas uma derrota de toda a esquerda e do povo brasileiro. Se pudéssemos sintetizar esse momento numa imagem seria a de um cerco em que o inimigo avança em direção ao nosso aniquilamento, indistintamente. Infelizmente, ainda existe na esquerda brasileira posturas vacilantes ou oportunistas que acham que é possível se beneficiar desse cerco e tentam se auto construir em cima disso, como é o caso da posição oportunista, e de direita, de defesa da Operação Lava Jato, uma operação flagrantemente política, seletiva, autoritária, de inspiração fascista, que ameaça a democracia.

O que fazer diante desse cenário? Primeiro, sobreviver, resistir! E construir as condições para ofensiva.

A sobrevivência impõe a unidade ampla das forças populares como uma necessidade fundamental nessa conjuntura. Não se combate uma conjuntura de cerco e aniquilamento com sectarismo. Não se combate uma conjuntura de cerco e aniquilamento colocando as nossas divergências acima daquilo que nos une nesse momento que é a resistência a essa ofensiva.

Isso significa que todas as forças que se colocam contra Golpe, contra a retirada de direitos e ao desmonte do Estado devem compor uma frente ampla para fazer o enfrentamento ao inimigo principal. Momentos similares na história exigiu essa postura e a negativa ou a vacilação nessa tarefa custou muito caro as organizações populares e a todo o povo brasileiro.

Esse é o significado da Frente Brasil Popular nessa conjuntura. Reunir todas as forças populares e democráticas para resistir e preparar a ofensiva.

E o que isso tem a ver com a juventude?

Todos os momentos da história que a juventude e o movimento estudantil brasileiro, e a própria UNE, fizeram diferença na luta de classes e cumpriram um papel político importante foi quando se colocou como porta-voz das lutas do nosso povo. Foi assim na luta contra nazifascismo, na campanha “O petróleo é nosso!”, na luta contra Ditadura Militar e, mais recentemente, na luta contra o Golpe de 2016 e a retirada de direitos.

E num momento tão complexo como este, o mais difícil que a nossa geração já viveu, não podemos vacilar no compromisso com o povo brasileiro. Esse é o sentido principal da nossa luta e a condição fundamental para construção de um projeto popular para o Brasil.

A compreensão dos desafios do atual momento não afastam os demais desafios e críticas que temos apontado à entidade e que marcam, desde o princípio, a entrada do Levante Popular da Juventude na UNE. Esta compreensão nos levou a construir o Campo Popular, como uma alternativa a polarização despolitizada que prevalecia na entidade. Acreditamos que para fazer jus a história da UNE e as tarefas impostas pela luta de classes precisamos fazer da UNE um instrumento de organização e resistência da juventude, presente no dia a dia dos/as estudantes, com capacidade e centralidade na luta de massas, no trabalho de base, na agitação e propaganda e na aliança, a partir de ações concretas, com os movimentos populares e com o povo brasileiro, a exemplo do Centro Popular de Cultura (CPC), da UNE. E isso passa por mudanças na linha política e na condução da entidade.

O Campo Popular e os desafios que apontamos permanecem vigentes. Neste sentido, apresentamos em nossa resolução de movimento estudantil um programa e uma agenda para a entidade que orientará a construção do Campo Popular dentro da UNE, que passa por democratizar a entidade, descentralizar as decisões, de fortalecer e profissionalizar a comunicação com/as estudantes, de garantir mais transparência, participação e fiscalização no uso dos recursos da entidade, de construção da UNE nas bases, através da retomada do Conselho Nacional de Entidades de Base (CONEB), da organização de comitês em cada universidade.

Não podemos subordinar a luta política geral na sociedade à disputa de rumos da UNE. A universidade não é uma bolha e o movimento estudantil tem que estar a serviço dos interesses juventude e do povo brasileiro. Seguiremos buscando combinar a unidade ampla para defender os interesses da juventude e do povo brasileiro com a democratização da entidade e seu compromisso com a luta de massas.

Por isso, no 55º Congresso da UNE, o Levante Popular da Juventude, em coerência com esse compromisso e com as necessidades concretas que esse momento político nos impõe, construiu a chapa “Frente Brasil Popular: a unidade é a bandeira da esperança”.

Seguiremos construindo o Campo Popular dentro da UNE, nestes novos marcos de rearranjo de forças dentro da entidade, combinado com a unidade mais ampla da Frente Brasil Popular, para que a juventude e o povo brasileiro possam assumir as decisões sobre o presente e o o futuro do Brasil. A história da UNE se fez com muita luta, ocupando prédios, ocupando a arte, ocupando as ruas e ocupando o Brasil. Resgatar a história da entidade nos dá orgulho e uma grande responsabilidade com aqueles e aquelas que deram a vida por essa entidade. É com esse espírito e essa garra que nós do Levante Popular da Juventude seguiremos!

Pátria Livre! Venceremos!


Dia do Meio Ambiente – podemos comemorar?

Ontem, no dia 5 de junho, comemoraram no mundo inteiro, o Dia do Meio Ambiente. A data foi estabelecida em 1972, na Conferência de Estocolmo sobre o Meio Ambiente. Mas será que temos algo a comemorar neste dia?

Não é novidade pra ninguém que estamos vivendo uma profunda crise no nosso país. A cada dia um novo escândalo político, uma nova medida relâmpago como o congelamento dos investimentos sociais por 20 anos, a reforma do ensino médio, a reforma da previdência, o desmonte do Sistema Único e Saúde (SUS), e por aí vai.

O meio ambiente não fica de fora. O desmatamento da Amazônia volta a crescer após a aprovação do novo Código Florestal, as grandes cidades passam por racionamento de água, a Samarco/BHP/Vale destruiu uma região e contaminou um rio inteiro, a seca (e agora as enchentes) maltratou os camponeses no nordeste e o cerrado – sim, o bioma inteiro – pode desaparecer.

Por isso não falamos em apenas uma crise, mas sim em várias crises conjugadas: econômica, política, social e ambiental. Olhando assim, parece que esse monte de notícia não tem ligação nenhuma. Mas na realidade as razões pra tudo isso estão intimamente ligadas. Esses acontecimentos também não têm raízes só no Brasil. Eles respondem a mudanças internacionais e que nos afetam diretamente.

O lucro acima da vida

Desde 2008 vivemos uma profunda crise econômica que começou nos Estados Unidos e depois foi atingindo todos os países. Essa crise foi causada pela própria dinâmica de funcionamento do capitalismo atualmente que tem se tornado cada vez mais financeirizado, ou seja, que se preocupa em garantir seu lucro mesmo que seja sobre coisas fictícias. Os capitalistas continuam lucrando, mas menos do que gostariam, por isso buscam saídas não se importando com o preço que os trabalhadores precisem pagar.

Essas saídas, para eles, significam aumentar a sua capacidade de lucrar e isso acontece fundamentalmente das seguintes formas: a primeira é aumentando a exploração sobre a força de trabalho, ou seja, retirando os direitos trabalhistas e sociais, causando desemprego, fazendo as pessoas trabalharem mais por salários menores. A segunda maneira é se apropriar ainda mais dos recursos dos Estados nacionais, garantindo que todo o dinheiro arrecadado vá para pagar suas dívidas e financiar o seu investimento. A terceira, e que queremos chamar atenção, é atacar os bens naturais, ou seja, a terra, a água, as florestas, o petróleo, os minérios. As grandes empresas transnacionais ao se apropriarem dos bens naturais conseguem garantir o que chamam de lucro extraordinário, pois esses bens são produzidos pela natureza, bens comuns, necessários à todos, mas que passam a gerar lucros privados. Estes são os grandes interesses que estão em jogo.

Meio ambiente no Brasil
  • A maior biodiversidade do planeta: 2 milhões de especies de animais, plantas e fungos
  • Em 2016, foram desmatados 7.989km2 de floresta amazônica, o equivalente a mais de 2 mil campos de futebol por dia
  • Foram utilizados 890 mil toneladas de agrotóxicos no Brasil em 2015. É como se cada pessoa estivesse exposta a 4,3 kg de veneno durante o ano
  • O Crime da Samarco/Vale/BHP Billiton, em Mariana, despejou 55 milhões de metros cúbicos de lama e contaminou 850km do rio doce, de Mariana até o oceano. 19 pessoas morreram e milhares ficaram sem água e sem condições de pescar

Agronegócio – vilão do meio ambiente

Quando falamos em crise ambiental estamos nos referindo a uma série de situações combinadas: a degradação dos solos, a escassez de água, a perda de biodiversidade, o acúmulo de lixo tóxico, a redução das florestas e a poluição dos rios, as secas mais longas em várias partes do mundo, as mudanças climáticas, a acidificação dos oceanos, etc.

No Dia do Meio Ambiente são feitas várias atividades nas escolas, nas ONGs, nos programas de TV e vários outros espaços. No entanto, muitas vezes se coloca a culpa da crise ambiental no desperdício individual ou no papel de bala que é jogado no chão. Se fala que a culpa é de todo mundo e nós sabemos que quando a culpa é de todos, na verdade não é de ninguém. É claro que as ações individuais são importantes, mas elas estão longe de ser as principais causadoras dos problemas ambientais.

Dentre todos os vilões responsáveis pela destruição do meio ambiente, há um que merece todo destaque: o agronegócio. O agronegócio é um sistema de produção que funde todas as dimensões da economia capitalista: agricultura, indústria, comércio e finanças. É fácil reconhecê-lo, pois ele se fundamenta na grande monocultura, com uso intensivo de tecnologias como sementes modificadas, fertilizantes qúimicos, máquinas pesadas e agrotóxicos, e depende das multinacionais que fornecem essas tecnologias. Além disso, seu foco é produzir mercadorias, e não comida.

O agronegócio constrói um discurso de modernidade e sustentabilidade para tentar esconder a sua verdadeira essência que é concentrar a terra e explorar o ser humano e a natureza ao máximo. Por isso, não podemos falar de preservação do meio ambiente e de justiça social se não entendermos o papel do agronegócio e, consequentemente, sem fazer enfrentamento a ele.

Agronegócio, mineração e crise hídrica

Outra manifestação da crise ambiental é a falta de água, que tem provocado racionamento em grandes cidades como São Paulo e Brasília. O que a mídia não fala ao noticiar a crise hídrica é que a destruição do cerrado é uma das suas principais causas.

O cerrado é um dos biomas mais antigos do planeta, e é extremamente biodiverso. No entanto, desde a década de 1970, é também um dos principais espaços de expansão do agronegócio. O uso de máquina pesadas nas áreas de recarga dos aquíferos provoca compactação dos solos. Quando vêm as chuvas, a água não consegue infiltrar como antes e, como consequência, o nível dos aquíferos diminui. Sem os aquíferos para alimentar os rios, eles desaparecem. É importante ressaltar que a mineração também é uma grande responsáveis pela crise hídrica, pois é nas rochas que água fica armazenada para os períodos sem chuva.

Casos emblemáticos – agronegócio e meio ambiente
  1. Em 2013, um avião pulverizou agrotóxicos sobre uma escola na cidade de Rio Verde, no estado de Goiás. 100 pessoas, a maioria crianças, foram hospitalizadas com sintomas de intoxicação.
  2. Estudo da UFMT mostrou a contaminação generalizada na cidade de Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso. Foram encontrados agrotóxicos na água da chuva, sangue e urina de professores, poços de água de beber, e inclusive no leite materno.
  3. No Mato Grosso do Sul, indígenas dos povos Guarani e Kaiowá que vivem na Terra Indígena Tey’i Juçu relataram em 2015 e 2016 ataques sofridos com a pulverização aérea de agrotóxicos sobre suas aldeias, acompanhadas de ameças de pistoleiros. Além de sofrer intoxicações, a água da comunidade foi contaminada.
  4. Após 3 anos trabalhando como misturador de agrotóxicos na empresa Del Monte, em Limoeiro do Norte (CE), o trabalhador Vanderlei Matos da Silva faleceu com diagnóstico de Insuficiência Renal Aguda, Hemorragia Digestiva Alta e Insuficiência Hepática Aguda. Em 2013, a Justiça reconheceu neste caso pela primeira vez a relação entre o manuseio de agrotóxico e a morte de um trabalhador.

Agricultura Familiar e Agroecologia defendendo a natureza

Quem olha a destruição do meio ambiente causada pelo agronegócio deve se perguntar: sempre foi assim? Por quanto tempo o planeta ainda vai aguentar?

Felizmente, desde que existe o agronegócio, existe também resistência e pessoas que lutam por uma outra forma de viver no campo e produzir alimentos saudáveis. Hoje, um número cada vez maior de camponeses está fazendo a transição para o modelo da agroecologia.

Como o próprio nome já diz, agroecologia é uma forma de fazer uma agricultura ecológica, em harmonia com a Natureza. Resgatando os conhecimentos do passado, e incorporando novas técnicas, a agroecologia não se limita à produção de alimentos: também fala de reforma agrária, igualdade entre homens e mulheres e preços justos para quem produz e quem consome.

Ao invés do monocultivo do agronegócio, a agroecologia propõe os cultivos consorciados e a agrofloresta. Desta forma, mantemos o equilíbrio do solo, pois se uma planta retira certo nutriente, a outra repõe. E com o ecossistema equilibrado, plantas e insetos que eram considerados pragas, agora convivem em harmonia com a produção.

A adubação é feita utilizando esterco de animais do próprio local, compostagem ou mesmo os chamados adubos verdes, que são plantas com capacidade de regenerar a fertilidade do solo.

A agroecologia também tem um papel fundamental na preservação da água. Além de não contaminar a água com agrotóxicos, os sistemas agroecológicos têm o poder de recuperar nascentes. Ao deixar o solo vivo e saudável, mantemos abertos os poros que levam a água da superfície para mananciais e aquíferos.

A agroecologia é um modelo de produção que enfrenta o agronegócio, pois tem como objetivo produzir alimentos saudáveis e não mercadorias. Além disso, ao invés de usar grandes extensões de terra concentrada na mão de poucos ruralistas, a agroecologia necessita que cada família camponesa tenha seu pedaço de terra para trabalhar.

As agroindústrias para processar os alimentos também são muitos importantes no sistema agroecológico, pois coloca nas mãos dos agricultores os instrumentos para agregar valor aos produtos fugir da grande indústria de alimentos.


Um Plano Popular para enfrentar a crise  

O golpe no Brasil não tratou apenas da mudança na condução política do país, com a substituição orquestrada de Dilma por Temer. Trata-se de um profundo processo de reorganização político-econômica, com o objetivo de ampliar os lucros dos capitalistas, a partir da retirada de direitos conquistados pelos trabalhadores desde o processo de redemocratização no pós-ditadura militar.

Estas conquistas, além de melhorarem as condições objetivas da vida do povo, contribuem também para a formação da consciência política das gerações atingidas. Há um nível de cristalização do que a população aceita ou não no que diz respeito a manutenção de seus direitos, e as constantes lutas de resistência travadas – especialmente pelos setores organizados (mas com ampla aceitação da população, veja-se o grau de impopularidade do governo e suas medidas) – desde o processo de impeachment de Dilma revelam que as reformas propostas por Temer não serão aceitas passivamente. Os massivos protestos de Brasília e Rio de Janeiro nos dias 24 e 28 passados são prova disso.

Contudo, apenas o enfrentamento de resistência às reformas não é suficiente para retomar os rumos de desenvolvimento do país. É preciso que haja um enfrentamento propositivo, com capacidade de apontar não apenas medidas de restabelecimento da antiga política econômica, mas que apontem uma nova política de desenvolvimento e geração de empregos e renda; aprofundem a democracia, prevenindo golpes e ações de desestabilização; que amplifiquem os direitos da população trabalhadora, verdadeira construtora da Nação; reorganize o sistema tributário, desonerando os mais pobres e taxando as grandes fortunas; revise o sistema da dívida pública que sangra os cofres num claro intuito de manter o país de joelhos; crie mecanismos de proteção às populações vulneráveis; entre outras tantas medidas necessárias.

Assim, foi lançado pela Frente Brasil Popular nesta segunda (29) o Plano Popular de Emergência, um conjunto de propostas construídas com o intuito de apontar medidas de superação da crise pela qual o país atravessa, em suas dimensões econômica, política, social e ambiental. Além disso, o plano tem por objetivo subsidiar o debate com o conjunto da população brasileira, através do enraizamento da Frente Brasil Popular em cada canto do país.

Dentre as primeiras medidas apontadas pelo plano está a convocação imediata de eleições diretas para presidência. A incapacidade de Temer em levar adiante as reformas – fruto da resistência proporcionada pelas lutas que se travaram – levou setores do golpe a forçar a sua substituição na presidência, construindo para isso a alternativa das eleições indiretas. Mesmo que a vocalização da mídia golpista sobre o assunto não seja uníssona, há grande chance de Temer cair. Contudo, a via das eleições indiretas é inaceitável.

A votação do processo de impeachment em abril de 2016 mostrou ao Brasil quem são os parlamentares que compõem a maioria do Congresso: funcionários de carreira do poder econômico, em defesa dos interesses de seus investidores de campanha, de suas “famílias”, enfim, contra a população. A atual composição do congresso não tem a legitimidade e a menor condição ética e moral de eleger quem vai comandar o país. Assim, a saída apontada pela Frente Brasil Popular e o conjunto das forças que a compõem como pré-condição para a realização de todas as outras medidas propostas pelo Plano Popular de Emergência é a convocação imediata de eleições diretas de um novo chefe de Estado. Só assim será possível devolver um caminho de legitimidade para a política e a economia brasileiras.

Ainda, a retomada do desenvolvimento e estabilidade política no médio e longo prazo dependem também de medidas que transformem qualitativamente nossa democracia. Assim, o plano propõe a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte, com objetivo de restabelecer o pacto democrático criado pela Constituição de 1988, mas desde lá sequestrado pelo poder econômico e incapaz de abarcar as transformações de que necessita a sociedade brasileira. Apenas com o estabelecimento de novas regras para a política, imunes à influência perniciosa dos interesses capitalistas, é que podemos refundar o Estado brasileiro e recolocar os interesses de seu povo em primeiro lugar.


Levante pelas Diretas: o povo tem que decidir

O golpe segue seu rumo, mas os golpistas já não estão mais tão unidos. Nesta quarta-feira (17) o Brasil foi surpreendido com o vazamento de gravações envolvendo o presidente golpista Michel Temer e o senador Aécio Neves. O vazamento segue o padrão Globo de golpe: tudo orquestrado, jornalistas recebendo informações privilegiadas, criando o clima para implementar as medidas desejadas. Mas nesse caso quais são as medidas desejadas pelos setores golpistas? Eles não são um grupo só e, apesar de terem orquestrado o golpe juntos, tem interesses distintos.

Os setores golpistas já não têm uma saída unitária como tiveram durante o “fora Dilma”. O núcleo econômico do golpe está preocupado em salvar a própria pele, em garantir a continuidade dos seus negócios e, no caso dos irmãos Batista da Friboi, em não ser presos. A Globo e (o partido) Lava Jato buscam mais legitimação social, em especial depois do depoimento do Lula que desarmou Sergio Moro e desmascarou a parcialidade da operação Lava Jato. E os chamados políticos tradicionais, “fisiológicos”, mais preocupados em garantir ‘fatia do bolo’, a exemplo de Romero Jucá, só querem acabar com toda a crise política para continuar com suas atividades ilícitas.

Além da própria motivação isolada de cada um desses grupos golpistas outros fatores influenciam nessa divisão. A ‘solução Temer’ não deu certo. Com uma ampla rejeição popular o governo de Temer não conseguiu emplacar as duas principais reformas econômicas que propôs. O último mês foi decisivo neste sentido. As grandes mobilizações de Março, que começou com as mulheres nas ruas de todo o Brasil no 8 de Março, em defesa da aposentadoria, os milhares de trabalhadores e trabalhadoras que tomaram as ruas no dia 15 de Março e a maior greve geral dos últimos 30 anos, no dia 28 de abril, deram o tom de como seria o trato da classe trabalhadora com o governo. Além disso o Partido da Lava Jato não conseguiu provar nenhuma das acusações contra Lula e ainda por cima levou uma “porrada” do ex-presidente que saiu com saldo político positivo do depoimento em Curitiba.

A perseguição à Lula, ao PT, MST e todos os movimentos sociais, não tem conseguido resultados concretos. Lula saiu fortalecido do depoimento ao juiz Sergio. Os golpistas sabem que não tem chance de vitória contra o Lula em 2018 e por isso buscam uma alternativa que não passe por enfrentar eleições direitas, afinal, o programa econômico dessa elite nunca venceria nas urnas. Este talvez seja um ponto que ainda unifique os campos golpistas, o medo de uma disputa eleitoral contra Lula em 2018.

Por isso a linha política do campo ideológico dos golpistas (partido da Lava Jato e Globo) é criminalizar a política, desacreditar a população de que é importante participar da política. A Globo tenta associar a imagem da participação política à corrupção, criar um clima de negação da política para gerar novos salvadores da pátria que terão aval para quaisquer medidas desde que se estabilize o país.

Uma das saídas que o campo golpista aposta é a das eleições indiretas com a Ministra Carmem Lucia assumindo um governo provisório. A reunião chamada pela Ministra dias atrás com alguns dos empresários mais ricos do Brasil deixa clara as relações estabelecidas entre este setor da economia e o judiciário.

Para que o povo brasileiro saia vitorioso desta batalha é necessária muita unidade entre as forças progressistas. Compreender que temos diferenças de propostas para o Brasil, mas que o momento é de agitar e propagandear um programa popular de saída para a crise econômica e política. Neste sentido as organizações fizeram o esforço político de propor este programa que contem medidas emergenciais para ser adotadas.

Temos clareza que estas medidas só serão implementadas se restabelecermos a normalidade democrática no país, derrubando o governo golpista e realizando eleições diretas para que o povo tenha o direito de decidir os rumos do país, para que o novo governo eleito através do exercício da soberania popular tenha legitimidade para implementar tais medidas. Vamos precisar de todo mundo, por isso é tão importante a mobilização em cada escola, bairro, local de trabalho, igrejas.
Assim o momento é de aproveitarmos as contradições e divisões do campo golpista e ir para as ruas exigir a imediata saída de Temer e a convocação de eleições diretas para outubro! A Frente Brasil Popular e diversas outras organizações organizam atos em todas as capitais neste domingo e durante toda a semana, tendo seu ápice no dia 24 em Brasília, onde caravanas de todo país dirão um enérgico “Fora Temer!” e exigirão “Diretas Já!”. É tarefa da juventude que quer construir um Projeto Popular para o Brasil participar massivamente destes atos, mobilizar o maior número de jovens possível. Estamos num momento decisivo da história do nosso país e a nossa força reside na nossa criatividade e ações de impacto, na massificação de nossos atos e criação de comitês de mobilização da juventude em todos os locais. Essa é a nossa maior escola de formação política no momento.

“Vamos precisar de todo mundo
Um mais um é sempre mais que dois
Pra melhor juntar as nossas forças”
(Beto Guedes, Sal da Terra)


28 DE ABRIL: O DIA PARA PARAR O BRASIL!

Boa parte da nossa juventude não foi marcada por grandes mobilizações populares. Crescemos em um período neoliberal, em que predominava a narrativa do fim da história, de forte criminalização da luta coletiva e de rua. Ser de esquerda ou ter ideias progressistas fazia de nós seres quase estranhos. Os exemplos que tínhamos pertenciam ao passado e os que se mantinham eram fortemente criminalizados. O maior exemplo disso é o MST, bombardeado pela mídia, pelo Judiciário e com a violência e truculência do governo FHC.

Para muitos de nós, inclusive aqueles e aquelas que não viveram a década de 90, as mobilizações de junho de 2013 foram a primeira experiência de mobilização de massa, com milhares de pessoas nas ruas reivindicando direitos, inclusive o direito de ocupar as ruas para reivindicar e participar das decisões políticas do país. Isso marcou a juventude e até hoje é algo que nos estimula a resistir, protestar, ocupar!

As elites brasileiras rapidamente entenderam o significado e a força daquele processo e mudou. Desde lá, passou a não mais negar a rua, mas tentar se apropriar desse espaço e o conteúdo das mobilizações.

O resultado disso é que o imaginário coletivo daqueles dias passou a ser disputado. De um lado, pelas as elites brasileiras que insistiam em traduzir junho de 2013 como mobilizações contra corrupção e, consequentemente, contra o PT e o então governo Dilma, como se a corrupção fosse inaugurada a partir desses governos. E de outro, nós que estivemos nas ruas naqueles dias, por ampliação e aperfeiçoamento dos serviços públicos, de saúde, de educação, de transporte, por mais mobilidade urbana e, principalmente, pelo direito de participar das decisões políticas do país, com a compreensão, estampada em diversos cartazes pelo Brasil inteiro (cada vez mais evidente agora), que esse sistema político não garante a efetiva representação do povo brasileiro.

Essa disputa foi travada em muitas batalhas e teve como ápice o golpe parlamentar em 2016, com o impechament da Dilma. Hoje o golpe continua todos os dias, tentando retirar cada vez mais nossos direitos.

Uma derrota que ao mesmo tempo em que traz sérias e graves consequências para juventude e o povo brasileiro, desmonta a farsa que foi montada desde 2013. O golpe nunca foi contra corrupção e isso vai ficando cada vez evidente na medida em que se avolumam as denúncias de corrupção envolvendo membros do governo ilegítimo de Michel Temer e contra ele próprio. Com os ataques, um após outro, aos direitos duramente conquistados em décadas e que estão sob ameaça de desaparecer em meses, até em dias, se depender da sanha do governo e das forças econômicas e políticas que lhe dão sustentação.

O que está em jogo, então, é o desmonte completo dos direitos sociais com o teto dos gastos públicos, que significa, na prática, o fim e/ou a precarização dos serviços públicos, como saúde, educação, saneamento básico. A venda de nossas riquezas e da soberania brasileira para grandes empresas estrangeiras, como esta acontecendo com a Petrobras, portos e aeroportos. O fim dos direitos trabalhistas, com autorização da terceirização sem limites, do negociado entre patrão e empregado prevalecer sobre o legislado ( que era único instrumento do trabalhador para não ficar completamente vulnerável ao patrão). E ainda a exigência de estender o trabalho até o fim da vida para ter direito a uma aposentadoria digna.

Nossa geração nos últimos anos pôde experimentar acesso à educação superior, ao trabalho com carteira assinada, casa própria tem o futuro colocado em risco. Mesmo os que não chegaram a ter alguns desses direitos, podem nunca ver isso se concretizar! São reformas cujas consequências não estão circunscritas ao mandato do ilegítimo Michel Temer. Os seus efeitos durarão décadas e provocam uma mudança na configuração do Estado brasileiro, aprofundando a dominação de classe, a exploração.

Dia 28 de abril é o dia de PARAR o Brasil! Em qualquer lugar que a gente estiver, deve ser um foco de resistência. Temos que tornar o dia 28 um dia que fuja à normalidade. Tem que haver paralisação do mercadinho do bairro às grandes corporações, de ruas e avenidas, de escolas e universidades.

Temos que parar a produção, comércio, os transportes, estradas para que a gente demonstre que essas medidas não podem ser aprovadas a revelia da maioria da população brasileira, daqueles e daquelas que realmente serão afetados e por um Congresso desmoralizado, refém do poder econômico.

Precisamos furar o bloqueio da mídia, e fazer com que essas informações sobre os impactos dessas reformas cheguem ao maior número de pessoas que a gente puder.

Todos estão convocados a participar e fazer desse dia um marco na resistência popular ao golpe com chances reais de impor uma derrota importante aos nossos inimigos.

Por nosso futuro, Greve Geral!
Nossa rebeldia é o povo no poder!


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