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Nenhum compromisso na UNE?

por Paulo Henrique da Consulta Popular

Este pequeno texto faz alusão ao capítulo 8, do livro “O esquerdismo: doença infantil do comunismo”, do grande dirigente revolucionário russo Vladimir I. U. Lenin, que trata acerca da política de alianças num processo revolucionário. 100 anos após o triunfo do proletariado russo, é inegável a atualidade dessas ideias.

Neste sentido, quero dialogar e combater as concepções que afirmam que o Levante Popular da Juventude, em conjunto com a grande maioria do Campo Popular teria “capitulado” por ter realizado uma aliança de campo com o Campo Majoritário, no 55º Congresso da UNE. Estas concepções, ao meu ver, em sua grande maioria, expressam manifestações de “esquerdismo”, não à toa que advém de organizações que querem atingir seus objetivos “sem se deter em etapas intermediárias e sem compromissos”. Outra parte das críticas que estamos sofrendo, em especial por parte dos companheiros da Reconquistar a UNE, advém de uma concepção cristalizada de estratégia da disputa da entidade. Estratégia essa que consistia em unificar a oposição, com o objetivo de “tomar” a entidade. Essa estratégia foi implementada com sucesso em 2001, 2003, mas derrotada em 2005.

1 – A disputa da UNE não está acima da disputa geral da sociedade. Pode parecer uma ideia simples, mas que muitas vezes é negada, seja para legitimar posições oportunistas ou concepções sectárias. Não à toa o resultado eleitoral do Congresso expressou o atual processo de reorganização da esquerda brasileira e suas duas frentes políticas, a Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo. Ou não é verdade, que os companheiros que constituem o campo da Oposição de Esquerda, em sua imensa maioria se identificam com a Frente Povo Sem Medo?

2 – Os setores do chamado “Campo Democrático e Popular” estavam cindidos não só na UNE, mas em toda a sociedade. Foi a luta contra o Golpe que reunificou seus setores na Frente Brasil Popular. Afirmo isso, com o objetivo de evidenciar que a nossa movimentação durante o 55º Congresso da UNE não foi incoerente às nossas formulações estratégicas, muito menos um desvio pragmático. Pelo contrário, dialoga com nossa tática para o atual momento político, centrada na unidade das forças populares na luta contra o Golpe, contra a ofensiva neoliberal, por Diretas Já e Constituinte.

3 – No “Esquerdismo”, Lenin identifica dois critérios para avaliarmos se um compromisso é manifestação ou não do oportunismo. São eles: o referido compromisso é “imposto por condições objetivas”? Segundo, o compromisso abre mão da “abnegação revolucionária e da disposição de continuar a luta”?

4 – Todas as forças políticas no Congresso (ou sua grande maioria), sabem que nossa politica de alianças prioritária para o Congresso era fortalecer o Campo Popular ampliando para setores que compunham o Campo Majoritário e a Oposição de Esquerda. Fizemos todo o esforço possível para que este cenário se viabilizasse, mas objetivamente ele não aconteceu. Além disso, parte das forças políticas que constroem o Campo Popular estavam convencidos da necessidade de uma política de frente ampla, que possibilitasse um programa mais avançado para entidade e seu compromisso com a luta de massas. Este cenário que não era prioritário para nós, se fortaleceu durante o Congresso, em especial com a defesa das resoluções. Em todas as conversas que fizemos durante o Congresso, sempre apresentamos a possibilidade de uma aliança entre campos. O único cenário descartado por nós era o isolamento político.

5 – Esta aliança diminui “abnegação revolucionária” do Levante e sua disposição revolucionária de “continuar a luta”? Creio de sobremaneira que não. Nossas diferenças continuarão existindo, e continuaremos lutando pela democratização da entidade. Temos convergências importantes na análise de conjuntura e divergências na construção da entidade, continuaremos apresentando-as. Creio que, inclusive, esse combate de ideias, fará a entidade avançar.

6 – Há ainda os mais confusos que afirmam que nos aliamos à golpistas, em referência a presença da Juventude Socialista Brasileira n

a chapa da Frente Brasil Popular. Se é certo que o PSB não é homogêneo tendo dentro de si setores conservadores, é verdade também que sua juventude é progressista, constrói a Frente Brasil Popular em vários estados e está de acordo com o programa Fora Temer e Diretas Já.

7 – Parte dos setores que hoje nos criticam realizaram alianças em diversas universidades particulares pelo Brasil com os setores que compunham o Campo Majoritário. Nos parece que a crítica advinda desses setores é meramente oportunismo.

Por fim, tenho convicção de que o Levante Popular da Juventude seguirá convicto de sua estratégia de disputa da UNE e da sociedade.


VIVA O LEVANTE POPULAR DA JUVENTUDE!!!!

por Igor Felippe, militante do MST

Vale ouvir com atenção cada frase e cada palavra do discurso da companheira Jessy Dayane , do Levante Popular da Juventude, ao defender o voto na chapa “Frente Brasil Popular – a unidade é a bandeira da esperança” no Congresso da UNE,

Foi a unidade na rua, na luta, na resistência ao golpe, na oposição às reformas, construída nos espaços da Frente Brasil Popular em todo o país, que criou as condições para essa chapa.

O movimento estudantil deve estar, sim, alinhado à composição de forças que se organiza na sociedade para enfrentar as contradições centrais da luta política.

Quem defende a existência de uma dinâmica totalmente específica da disputa entre os estudantes é porque está alheio ou não tem inserção real na classe trabalhadora.

O nosso campo aposta na Frente Brasil Popular para enfrentar o golpe em curso, a ofensiva neoliberal, a retirada de direitos dos trabalhadores e, especialmente, o fechamento das janelas democráticas que ameaça todas as forças populares.

Apostamos também que, nesse processo político pedagógico de massas, será retomada a perspectiva estratégica no seio das organizações mais representativas do povo brasileiro.

O Levante tem compromisso com a luta por mudanças na condução da UNE e pela desburocratização da entidade. E vai perseguir esses objetivos até que sejam alcançados.

Colocar no centro da luta política questões secundárias é funcional para o “disputismo”, o purismo, o dogmatismo e o vanguardismo, que não ajudam em nada para cumprirmos as nossas tarefas históricas.

A centralidade do nosso campo político é fazer a luta de classes e, para isso, nos cabe fortalecer a unidade das forças que compõem a Frente Brasil Popular para:

1- Consolidar a unidade política entre movimentos populares da cidade e do campo, centrais sindicais, organizações de juventude, estudantes e partidos.

2- Preservar o acúmulo social, político e organizativo do ciclo histórico de esquerda forjado a partir da década de 80, inclusive a memória dos avanços conquistados durante os governos do presidente Lula, que deixou uma marca tão forte no povo brasileiro que a direita não consegue destruir.

3- Contribuir com o processo de reorganização da esquerda, evitando dispersão, oportunismos e sectarismos daqueles que se colocam como o novo que nasce de geração espontânea sem passado.

4- Desburocratizar a UNE, que deve ser conduzida de forma mais aberta e democrática, com a construção de um novo método, que busque um consenso mais amplo, que possa dinamizar a ação nas universidade e fazer com que todos os estudantes se sintam parte.

Viva o Levante Popular da Juventude, que cresce e se consolida como o movimento que mais avança entre os estudantes brasileiros!


A unidade necessária para derrotar o golpe

O Golpe parlamentar de 2016 que afastou a Presidente eleita Dilma Rousseff e vem impondo retrocessos e uma agenda neoliberal de retirada de direitos representa mais que uma perda de um governo, representa uma derrota de natureza estratégica. O que significa isso? À medida que a classe dominante tem o controle do aparelho de estado, o seu objetivo estratégico não é a conquista do poder, mas sim, neutralizar qualquer possibilidade que ameace o seu domínio. Em outras palavras: o objetivo estratégico da burguesia é a nossa destruição. Destruição que pode ser física, como também, destruição da nossa capacidade de organização e luta.

É isso que está em jogo com a criminalização de lideranças populares, a exemplo do Lula e militantes dos movimentos populares, de partidos políticos, como PT, dos movimentos populares e sindicais. A Reforma Trabalhista além de retirar direitos básicos, destrói a organização sindical no Brasil, empunhando um golpe brutal na resistência sindical e popular.

Não se trata, portanto, de uma derrota do PT ou das organizações que protagonizaram o último ciclo político no Brasil, mas uma derrota de toda a esquerda e do povo brasileiro. Se pudéssemos sintetizar esse momento numa imagem seria a de um cerco em que o inimigo avança em direção ao nosso aniquilamento, indistintamente. Infelizmente, ainda existe na esquerda brasileira posturas vacilantes ou oportunistas que acham que é possível se beneficiar desse cerco e tentam se auto construir em cima disso, como é o caso da posição oportunista, e de direita, de defesa da Operação Lava Jato, uma operação flagrantemente política, seletiva, autoritária, de inspiração fascista, que ameaça a democracia.

O que fazer diante desse cenário? Primeiro, sobreviver, resistir! E construir as condições para ofensiva.

A sobrevivência impõe a unidade ampla das forças populares como uma necessidade fundamental nessa conjuntura. Não se combate uma conjuntura de cerco e aniquilamento com sectarismo. Não se combate uma conjuntura de cerco e aniquilamento colocando as nossas divergências acima daquilo que nos une nesse momento que é a resistência a essa ofensiva.

Isso significa que todas as forças que se colocam contra Golpe, contra a retirada de direitos e ao desmonte do Estado devem compor uma frente ampla para fazer o enfrentamento ao inimigo principal. Momentos similares na história exigiu essa postura e a negativa ou a vacilação nessa tarefa custou muito caro as organizações populares e a todo o povo brasileiro.

Esse é o significado da Frente Brasil Popular nessa conjuntura. Reunir todas as forças populares e democráticas para resistir e preparar a ofensiva.

E o que isso tem a ver com a juventude?

Todos os momentos da história que a juventude e o movimento estudantil brasileiro, e a própria UNE, fizeram diferença na luta de classes e cumpriram um papel político importante foi quando se colocou como porta-voz das lutas do nosso povo. Foi assim na luta contra nazifascismo, na campanha “O petróleo é nosso!”, na luta contra Ditadura Militar e, mais recentemente, na luta contra o Golpe de 2016 e a retirada de direitos.

E num momento tão complexo como este, o mais difícil que a nossa geração já viveu, não podemos vacilar no compromisso com o povo brasileiro. Esse é o sentido principal da nossa luta e a condição fundamental para construção de um projeto popular para o Brasil.

A compreensão dos desafios do atual momento não afastam os demais desafios e críticas que temos apontado à entidade e que marcam, desde o princípio, a entrada do Levante Popular da Juventude na UNE. Esta compreensão nos levou a construir o Campo Popular, como uma alternativa a polarização despolitizada que prevalecia na entidade. Acreditamos que para fazer jus a história da UNE e as tarefas impostas pela luta de classes precisamos fazer da UNE um instrumento de organização e resistência da juventude, presente no dia a dia dos/as estudantes, com capacidade e centralidade na luta de massas, no trabalho de base, na agitação e propaganda e na aliança, a partir de ações concretas, com os movimentos populares e com o povo brasileiro, a exemplo do Centro Popular de Cultura (CPC), da UNE. E isso passa por mudanças na linha política e na condução da entidade.

O Campo Popular e os desafios que apontamos permanecem vigentes. Neste sentido, apresentamos em nossa resolução de movimento estudantil um programa e uma agenda para a entidade que orientará a construção do Campo Popular dentro da UNE, que passa por democratizar a entidade, descentralizar as decisões, de fortalecer e profissionalizar a comunicação com/as estudantes, de garantir mais transparência, participação e fiscalização no uso dos recursos da entidade, de construção da UNE nas bases, através da retomada do Conselho Nacional de Entidades de Base (CONEB), da organização de comitês em cada universidade.

Não podemos subordinar a luta política geral na sociedade à disputa de rumos da UNE. A universidade não é uma bolha e o movimento estudantil tem que estar a serviço dos interesses juventude e do povo brasileiro. Seguiremos buscando combinar a unidade ampla para defender os interesses da juventude e do povo brasileiro com a democratização da entidade e seu compromisso com a luta de massas.

Por isso, no 55º Congresso da UNE, o Levante Popular da Juventude, em coerência com esse compromisso e com as necessidades concretas que esse momento político nos impõe, construiu a chapa “Frente Brasil Popular: a unidade é a bandeira da esperança”.

Seguiremos construindo o Campo Popular dentro da UNE, nestes novos marcos de rearranjo de forças dentro da entidade, combinado com a unidade mais ampla da Frente Brasil Popular, para que a juventude e o povo brasileiro possam assumir as decisões sobre o presente e o o futuro do Brasil. A história da UNE se fez com muita luta, ocupando prédios, ocupando a arte, ocupando as ruas e ocupando o Brasil. Resgatar a história da entidade nos dá orgulho e uma grande responsabilidade com aqueles e aquelas que deram a vida por essa entidade. É com esse espírito e essa garra que nós do Levante Popular da Juventude seguiremos!

Pátria Livre! Venceremos!


Dia do Meio Ambiente – podemos comemorar?

Ontem, no dia 5 de junho, comemoraram no mundo inteiro, o Dia do Meio Ambiente. A data foi estabelecida em 1972, na Conferência de Estocolmo sobre o Meio Ambiente. Mas será que temos algo a comemorar neste dia?

Não é novidade pra ninguém que estamos vivendo uma profunda crise no nosso país. A cada dia um novo escândalo político, uma nova medida relâmpago como o congelamento dos investimentos sociais por 20 anos, a reforma do ensino médio, a reforma da previdência, o desmonte do Sistema Único e Saúde (SUS), e por aí vai.

O meio ambiente não fica de fora. O desmatamento da Amazônia volta a crescer após a aprovação do novo Código Florestal, as grandes cidades passam por racionamento de água, a Samarco/BHP/Vale destruiu uma região e contaminou um rio inteiro, a seca (e agora as enchentes) maltratou os camponeses no nordeste e o cerrado – sim, o bioma inteiro – pode desaparecer.

Por isso não falamos em apenas uma crise, mas sim em várias crises conjugadas: econômica, política, social e ambiental. Olhando assim, parece que esse monte de notícia não tem ligação nenhuma. Mas na realidade as razões pra tudo isso estão intimamente ligadas. Esses acontecimentos também não têm raízes só no Brasil. Eles respondem a mudanças internacionais e que nos afetam diretamente.

O lucro acima da vida

Desde 2008 vivemos uma profunda crise econômica que começou nos Estados Unidos e depois foi atingindo todos os países. Essa crise foi causada pela própria dinâmica de funcionamento do capitalismo atualmente que tem se tornado cada vez mais financeirizado, ou seja, que se preocupa em garantir seu lucro mesmo que seja sobre coisas fictícias. Os capitalistas continuam lucrando, mas menos do que gostariam, por isso buscam saídas não se importando com o preço que os trabalhadores precisem pagar.

Essas saídas, para eles, significam aumentar a sua capacidade de lucrar e isso acontece fundamentalmente das seguintes formas: a primeira é aumentando a exploração sobre a força de trabalho, ou seja, retirando os direitos trabalhistas e sociais, causando desemprego, fazendo as pessoas trabalharem mais por salários menores. A segunda maneira é se apropriar ainda mais dos recursos dos Estados nacionais, garantindo que todo o dinheiro arrecadado vá para pagar suas dívidas e financiar o seu investimento. A terceira, e que queremos chamar atenção, é atacar os bens naturais, ou seja, a terra, a água, as florestas, o petróleo, os minérios. As grandes empresas transnacionais ao se apropriarem dos bens naturais conseguem garantir o que chamam de lucro extraordinário, pois esses bens são produzidos pela natureza, bens comuns, necessários à todos, mas que passam a gerar lucros privados. Estes são os grandes interesses que estão em jogo.

Meio ambiente no Brasil
  • A maior biodiversidade do planeta: 2 milhões de especies de animais, plantas e fungos
  • Em 2016, foram desmatados 7.989km2 de floresta amazônica, o equivalente a mais de 2 mil campos de futebol por dia
  • Foram utilizados 890 mil toneladas de agrotóxicos no Brasil em 2015. É como se cada pessoa estivesse exposta a 4,3 kg de veneno durante o ano
  • O Crime da Samarco/Vale/BHP Billiton, em Mariana, despejou 55 milhões de metros cúbicos de lama e contaminou 850km do rio doce, de Mariana até o oceano. 19 pessoas morreram e milhares ficaram sem água e sem condições de pescar

Agronegócio – vilão do meio ambiente

Quando falamos em crise ambiental estamos nos referindo a uma série de situações combinadas: a degradação dos solos, a escassez de água, a perda de biodiversidade, o acúmulo de lixo tóxico, a redução das florestas e a poluição dos rios, as secas mais longas em várias partes do mundo, as mudanças climáticas, a acidificação dos oceanos, etc.

No Dia do Meio Ambiente são feitas várias atividades nas escolas, nas ONGs, nos programas de TV e vários outros espaços. No entanto, muitas vezes se coloca a culpa da crise ambiental no desperdício individual ou no papel de bala que é jogado no chão. Se fala que a culpa é de todo mundo e nós sabemos que quando a culpa é de todos, na verdade não é de ninguém. É claro que as ações individuais são importantes, mas elas estão longe de ser as principais causadoras dos problemas ambientais.

Dentre todos os vilões responsáveis pela destruição do meio ambiente, há um que merece todo destaque: o agronegócio. O agronegócio é um sistema de produção que funde todas as dimensões da economia capitalista: agricultura, indústria, comércio e finanças. É fácil reconhecê-lo, pois ele se fundamenta na grande monocultura, com uso intensivo de tecnologias como sementes modificadas, fertilizantes qúimicos, máquinas pesadas e agrotóxicos, e depende das multinacionais que fornecem essas tecnologias. Além disso, seu foco é produzir mercadorias, e não comida.

O agronegócio constrói um discurso de modernidade e sustentabilidade para tentar esconder a sua verdadeira essência que é concentrar a terra e explorar o ser humano e a natureza ao máximo. Por isso, não podemos falar de preservação do meio ambiente e de justiça social se não entendermos o papel do agronegócio e, consequentemente, sem fazer enfrentamento a ele.

Agronegócio, mineração e crise hídrica

Outra manifestação da crise ambiental é a falta de água, que tem provocado racionamento em grandes cidades como São Paulo e Brasília. O que a mídia não fala ao noticiar a crise hídrica é que a destruição do cerrado é uma das suas principais causas.

O cerrado é um dos biomas mais antigos do planeta, e é extremamente biodiverso. No entanto, desde a década de 1970, é também um dos principais espaços de expansão do agronegócio. O uso de máquina pesadas nas áreas de recarga dos aquíferos provoca compactação dos solos. Quando vêm as chuvas, a água não consegue infiltrar como antes e, como consequência, o nível dos aquíferos diminui. Sem os aquíferos para alimentar os rios, eles desaparecem. É importante ressaltar que a mineração também é uma grande responsáveis pela crise hídrica, pois é nas rochas que água fica armazenada para os períodos sem chuva.

Casos emblemáticos – agronegócio e meio ambiente
  1. Em 2013, um avião pulverizou agrotóxicos sobre uma escola na cidade de Rio Verde, no estado de Goiás. 100 pessoas, a maioria crianças, foram hospitalizadas com sintomas de intoxicação.
  2. Estudo da UFMT mostrou a contaminação generalizada na cidade de Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso. Foram encontrados agrotóxicos na água da chuva, sangue e urina de professores, poços de água de beber, e inclusive no leite materno.
  3. No Mato Grosso do Sul, indígenas dos povos Guarani e Kaiowá que vivem na Terra Indígena Tey’i Juçu relataram em 2015 e 2016 ataques sofridos com a pulverização aérea de agrotóxicos sobre suas aldeias, acompanhadas de ameças de pistoleiros. Além de sofrer intoxicações, a água da comunidade foi contaminada.
  4. Após 3 anos trabalhando como misturador de agrotóxicos na empresa Del Monte, em Limoeiro do Norte (CE), o trabalhador Vanderlei Matos da Silva faleceu com diagnóstico de Insuficiência Renal Aguda, Hemorragia Digestiva Alta e Insuficiência Hepática Aguda. Em 2013, a Justiça reconheceu neste caso pela primeira vez a relação entre o manuseio de agrotóxico e a morte de um trabalhador.

Agricultura Familiar e Agroecologia defendendo a natureza

Quem olha a destruição do meio ambiente causada pelo agronegócio deve se perguntar: sempre foi assim? Por quanto tempo o planeta ainda vai aguentar?

Felizmente, desde que existe o agronegócio, existe também resistência e pessoas que lutam por uma outra forma de viver no campo e produzir alimentos saudáveis. Hoje, um número cada vez maior de camponeses está fazendo a transição para o modelo da agroecologia.

Como o próprio nome já diz, agroecologia é uma forma de fazer uma agricultura ecológica, em harmonia com a Natureza. Resgatando os conhecimentos do passado, e incorporando novas técnicas, a agroecologia não se limita à produção de alimentos: também fala de reforma agrária, igualdade entre homens e mulheres e preços justos para quem produz e quem consome.

Ao invés do monocultivo do agronegócio, a agroecologia propõe os cultivos consorciados e a agrofloresta. Desta forma, mantemos o equilíbrio do solo, pois se uma planta retira certo nutriente, a outra repõe. E com o ecossistema equilibrado, plantas e insetos que eram considerados pragas, agora convivem em harmonia com a produção.

A adubação é feita utilizando esterco de animais do próprio local, compostagem ou mesmo os chamados adubos verdes, que são plantas com capacidade de regenerar a fertilidade do solo.

A agroecologia também tem um papel fundamental na preservação da água. Além de não contaminar a água com agrotóxicos, os sistemas agroecológicos têm o poder de recuperar nascentes. Ao deixar o solo vivo e saudável, mantemos abertos os poros que levam a água da superfície para mananciais e aquíferos.

A agroecologia é um modelo de produção que enfrenta o agronegócio, pois tem como objetivo produzir alimentos saudáveis e não mercadorias. Além disso, ao invés de usar grandes extensões de terra concentrada na mão de poucos ruralistas, a agroecologia necessita que cada família camponesa tenha seu pedaço de terra para trabalhar.

As agroindústrias para processar os alimentos também são muitos importantes no sistema agroecológico, pois coloca nas mãos dos agricultores os instrumentos para agregar valor aos produtos fugir da grande indústria de alimentos.


Por que a ocupação da Palestina por Israel interessa à juventude brasileira?

Por Leonardo Nogueira, militante do Levante Popular da Juventude

(via Brasil de Fato)

2017 é um ano simbólico para o povo da Palestina. São 50 anos de ocupação e colonização de Israel nas terras palestinas. De 1967 aos dias de hoje, Israel não reconhece a legitimidade do Estado Palestino e promove uma verdadeira política de segregação entre árabes e judeus. Um conflito histórico e muito complexo. A região da Palestina já foi alvo de inúmeras guerras e disputas entre grandes impérios. Na primeira metade do século XX, atendendo aos anseios do sionismo – movimento judaico que reivindicava a criação de um Estado judeu – a Inglaterra se responsabilizou pela “doação de terras” sob o seu domínio no território Palestino. Em 1948, o Estado de Israel foi criado e atraiu judeus de todo o mundo em busca da chamada “terra prometida”. Desde então, os conflitos pela demarcação das fronteiras seguem até os dias atuais, pois Israel avança sobre as terras que fazem parte do território palestino e promove, com isso, um verdadeiro processo de colonização.

Muro Irsaelense em Belém/Palestina.

É, no mínimo, intrigante que Israel, apesar de ser um Estado tão recente, tenha construído (ou consolidado) um enorme aparato militar voltado em larga medida ao cerceamento do povo palestino no seu próprio território. Israel tornou-se uma referência em assuntos militares ao ponto de prestar assessoria a setores da segurança pública e a comercializar armas a outros países, como é o caso do Brasil. Mas, diante desse quadro, acredito que um elemento em particular motiva-nos, jovens brasileiros/as, a refletir e solidarizar com o povo palestino: a violência desferida pelo Estado israelense contra a juventude em território palestino, assumindo formas tão semelhantes à violência cometida a esse segmento no Brasil.

Estima-se que 400 crianças foram assassinadas durante os ataques de Israel em 2014 na Faixa de Gaza, após 21 dias de bombardeios ininterruptos. Organizações dos direitos humanos têm denunciado que a expectativa de vida em Gaza é de apenas 17 anos, sendo que 54% da população dessa região têm menos de 18 anos. São mais de 300 jovens palestinos com menos de 18 anos presos em Israel. A população palestina que vive na Cisjordânia tem sua mobilidade restringida. Em cidades como Hebron, não se pode sequer circular por toda a cidade que passou a ser ocupada por forças israelenses. Pequenas bases militares também foram instaladas nas áreas de entrada e saída dos municípios da Cisjordânia, controlando a circulação dos palestinos em suas próprias terras.

O mesmo Estado que pratica uma política violenta de segregação no território palestino atuou, nos últimos anos, formando militares no Rio de Janeiro e forneceu os chamados “caveirões” disponibilizados ao Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar carioca. A polícia militar no Rio de Janeiro (e em todo o Brasil) vem sendo fortemente denunciada pelo seu caráter violento, especialmente com jovens negros das periferias de nosso país. Os dados do relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) “assassinatos de jovens” do Senado afirma que das mais de 50 mil pessoas assassinadas anualmente, quase metade das mortes são de jovens, majoritariamente negros. De acordo com este mesmo relatório, dos homicídios cometidos por policiais no Rio de Janeiro durante confrontos, 99% dos casos são arquivados sem investigação, e em 21% dos casos as vítimas tinham menos de 15 anos.

A violência cometida por Israel na Palestina e a violência cometida pelo Estado brasileiro contra a população pobre possuem um aspecto em comum: impactam diretamente a vida juventude. A luta pela desocupação israelense do território palestino também é uma luta do povo brasileiro e da juventude que se solidariza com as incontáveis formas de violação dos direitos humanos na Palestina. É preciso construir um projeto de vida pra juventude no Brasil e na Palestina. Daí a importância fundamental da criação do Estado Palestino. A juventude quer viver para construir uma Palestina livre e um Brasil sem violência!

 


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