Monthly Archives: abril 2015

No Paraná, educação é caso de polícia

Por Hellen Lima, militante do Levante e professora da rede estadual do Paraná

O Paraná vivenciou ontem (29) mais uma marca sangrenta de sua história. E, semelhante a todas as outras cicatrizes, quem sangra é o povo.

Ao longo da minha militância, passei por vários momentos de repressão policial. Nunca vi algo tão atroz.

Muitas vezes ouvi as histórias da cavalaria que, a mando do então governador Álvaro Dias (PSDB) – hoje, senador – avançou sobre os professores da rede estadual em greve, no dia 30 de agosto de 1988. O desgovernador Beto Richa (PSDB) conseguiu superar aquele dia que só conhecia pela memória coletiva dos educadores em luta.

Foto: Joka Madruga

Foto: Joka Madruga

O caos político e militar se instaurou. Mas somente para o lado do povo. Pois do lado dos três poderes, o caos é a ordem. Tudo funcionou muito bem do ponto de vista do estado. A polícia cumpriu o papel que vem cumprindo desde muito: reprimindo os movimentos populares que defendem seus direitos. Os parlamentares, que dentro de um sistema político imundo, têm seus rabos presos, exerceram também seus papeis dentro dos conformes, votando pela aprovação de um projeto de lei previdenciário anti-popular, mesmo com ampla recusa da sociedade afetada pelo mesmo.

Não nos iludamos: aqueles que cercaram a ALEP com uma defesa de guerra, e votaram tranquilamente com o plenário vazio, enquanto bombas explodiam do lado de fora caindo de helicópteros, não são nossos representantes. Mas apenas representam as empresas que financiaram as suas campanhas e os interesses privados que os manterão no poder.

O sentimento foi de grande tristeza, revolta e impotência. Depois de uma greve vitoriosa de quase um mês, o governo rompe mais uma vez com os acordos e afronta a dignidade de professores, servidores e da sociedade como um todo ao montar a praça de guerra e barbárie frente a uma multidão desarmada fisicamente, mas cheia de coragem e convicção.

O dia de hoje acordou cinza em Curitiba. A solidariedade é grande de todos os setores sociais. Beto Richa está isolado em um discurso medíocre, como ele próprio, de que os policiais estavam defendendo a própria vida. A greve continua. A luta segue firme, mesmo com tamanho massacre.

A certeza de que a desmilitarização da polícia é urgente e necessária é cada vez mais acendida. Maior ainda é a convicção de que precisamos de uma constituinte sobre o nosso sistema político, sob risco de ficarmos eternamente reféns de bombardeios em pleno “centro cívico”. E, mais uma vez, a educação se mostra como uma das armas mais perigosas contra a ordem vigente. Na terra das araucárias, seguimos resistindo!

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Na adversidade devemos sonhar em dobro

Neste domingo o Levante Popular da Juventude, em conjunto com um conjunto de organizações, realizou escrachos em frente as filiais da Rede Globo por todo país. Estas manifestações expressam a inconformidade de muitos setores da sociedade com o papel que a emissora vem cumprindo, o papel de manter acuados setores com potencial de oferecer resistência a agenda conservadora aberta no último período.
Golpe e impeachment são simplesmente mel na chupeta de filhotes da ditadura militar para aumentar o tensionamento e facilitar o avanço desta agenda conservadora necessária para inviabilizar um projeto de esquerda como alternativa. Em verdade as elites hegemónicas do país não querem a revolta popular pois assim todas as cartas estariam em cima da mesa.
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Na última semana a facção da família marinho aproveitou a sua comemoração de 50 anos para fazer remendos na sua imagem que esta despedaçada. Com Wiliam Bonner a frente fez uma retrospectiva deste período tratando de ”explicar” supostos erros e mal entendidos em suas intervenções na luta política do país.
Enquanto faz isto omite o verdadeiro embate político do momento, a luta por uma profunda reforma política, que se efetivada traria desgaste a Globo que necessita de uma democracia frágil para continuar hegemónica e seguir manipulando as massas como o fez sempre na história recente.
 Assim esta pequena família continua sendo a principal articuladora da agenda de Direita e dita as regras do jogo, levando o conflito para o campo onde ela é mais forte, a mídia de massas. E o conflito de rua é incentivado em setores determinados e sob a forma de explosões controladas, para manter a Esquerda acuada e com medo.
Nos últimos anos vivíamos um cenário de avanço económico e despolitização na sociedade, e o governo, preso às suas conciliações, ficou com medo de investir na disputa de ideias.  Agora com uma perspectiva de desaceleração da economia se avizinhando e a flor das melhorias económicas murchando, ficando apenas os espinhos do não investimento em projetos como o da TV Brasil, uma TV pública, que deveria ser do tamanho da Rede Globo. Mas o governo teve medo de politizar o povo por meio da disputa de ideias e agora paga um preço caro.
Nos últimos 12 anos, este avanço das políticas sociais e da renda foram as marcas do projeto neodesenvolvimentista encabeçado pelo PT. O aumento das possibilidades de acesso a alimentação, educação e cultura, criam condições mais favoráveis à organização popular. Apesar deste governo não investir no processo organização popular, estas medidas abriram uma janela histórica que agora está se fechando.
 Portanto este momento da conjuntura exige que a Esquerda comprometida com um projeto de transformação consequente faça um esforço dobrado de continuar oferecendo resistência ao avanço conservador nas redes sociais e mídias alternativas. É preciso desenvolver formas criativas de comunicação, pois a nossa comunicação ainda está aprisionada aos tempos idos de palanques e tribunos.
Por outro lado não podemos perder de vista o planejamento e a organização necessária para  continuar massificando, fazendo aquilo que é central, o trabalho de base, pois o tempo histórico está se acelerando e as lideranças formadas agora determinarão muito do ritmo do próximo período da luta de classes.
 As palavras de Marighela que foram ditas em um cenário onde o conflito era iminente e o trabalho de base algo muito difícil de se fazer viajam no tempo e ganham sentido novamente ”É o momento de trabalhar pela base, mais e mais pela base” assim podemos construir as condições de levar o conflito para o nosso campo de batalha, as ruas companheir@s.

 


Levante Popular da Juventude e Jovens do MST realizam escrachos em afiliadas da RBS, no RS

Neste domingo (26), cerca 500 jovens do MST e do Levante da Juventude realizam escrachos públicos em oito afiliadas da RBS no Rio Grande do Sul, para “descomemorar” o aniversário de 50 anos da Rede Globo.Com a chamada #Fora Globo Golpista, os escrachos acontecem nos municípios de Bagé, Caxias do Sul, Erechim, Pelotas, Passo Fundo, Santa Maria, Santa Cruz e Santa Rosa.Os atos fazem parte de um conjunto de atividades realizadas na semana do dia 26 de abril, por movimentos sociais, sindicatos, coletivos de juventude e mídia alternativa no país, que questionam o papel da empresa de comunicação na história política do Brasil, as suspeitas de sonegação de impostos e a barreira que esse monopólio impõe para a democratização da comunicação.

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No manifesto “50 anos da TV Globo: vamos descomemorar!”, as entidades afirmam que o grupo midiático apoiou a ditadura militar – e foi beneficiada por isso -, e “na fase recente, a TV Globo militou contra todo e qualquer avanço mais progressista, atuando na desestabilização dos governos que não rezam integralmente a sua cartilha. Nas marchas de março desse ano, ela ajudou a mobilizar o anseio golpista”.

É necessário que a população se mobilize para exigir uma mídia democrática, enfrentando o controle e impondo limites a Globo, uma das maiores emissoras de comunicação do país.

O manifesto aponta que a democratização dos meios de comunicação no Brasil somente se tornará possível com o fim do monopólio.

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Monopólio Grupo RBSO grupo RBS, que surge em 1957 no RS, detém o monopólio das comunicações no estado. No seu site institucional a empresa se apresenta como “a maior rede regional de TV do país com 18 emissoras distribuídas no RS e em SC, com 85% da programação da Rede Globo e 15% voltada ao público local”. Concentra ainda 25 emissoras de rádio, 8 jornais diários, 4 portais na internet, uma editora, uma gráfica, uma gravadora, uma empresa de logística, entre outros empreendimentos.De acordo com o artigo 12 do Decreto 236 (28/2 de 1967), uma entidade só poderá ter “concessão ou permissão para executar serviço de radiodifusão, em todo o País” no limite de 4 rádios AM e 6 FM por localidade, 3 AM de alcance regional e cinco emissoras de TV em VHF em todo o País, obedecendo o limite de duas por Estado. Porém, o monopólio midiático da RBS ultrapassa de longe esse limite.


Levante ocupa a Dutra contra a redução da maioridade penal

Mais de 300 jovens com bandeiras e faixas erguidas, que estavam reunidos no II Acampamento do Levante Popular da Juventude no Rio de Janeiro, fecharam a Dutra, no km 116, contra a redução da maioridade penal.

Os manifestantes protestam contra o PEC 171 que propõe reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos, várias cidades do Brasil estão se mobilizando em um ato que irá cobrir as praças com materiais da campanha contra a redução entre os dias 28 e 29 de abril.

Segundo Priscilla Melo, militante do Levante, o ato busca chamar a atenção da sociedade para esse PEC e repudiar qualquer iniciativa que tenha como objetivo manter nosso povo encarcerado. A Redução da Maioridade Penal significa um retrocesso nas leis do Brasil e nós não aceitaremos nem um passo atrás!

 

Veja mais: https://www.facebook.com/levantepopulardajuventude/photos/pcb.927157850683103/927157500683138/?type=1&theater

 

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Construir a verdadeira independência

O feriado de Tiradentes traz à memória uma série de questões sobre o projeto de nação que temos e aquele que devemos construir.

A independência do Brasil manteve velhas estruturas de poder escravista, que continuou nas mãos dos grandes proprietários de terra.

Os trabalhadores e as classes populares ao longo da história de nosso país, produziram várias formas de luta e avançaram em conquistas, direitos e avanços sociais, porém, o desafio da verdadeira independência ainda nos ronda. A geração de jovens lutadores e lutadoras do povo é herdeira dessa trajetória e deve assumir esse desafio, em todos os âmbitos de nossas vidas.

Construir a independência para o corpo e a vida das mulheres, para que não mais haja mulheres aprisionadas como Verônica e tantas outras, obrigada a viver um corpo que não é o seu.

Construir a independência de nossas mentes, com uma mídia que seja mais democrática e popular.

Construir a independência da educação, para que não sirva mais ao capital do que para o desenvolvimento humano.

Construir a independência do nosso passado, onde nossos mortos não sejam mais desaparecidos, onde golpe não seja chamado de revolução e nem Tiradentes seja nosso principal herói. Que nossa memória relembre mais Marias Felipas, Zumbis dos Palmares e Pagus.

Construir, centralmente, a verdadeira independência, aquela que vai romper com a velha estrutura, que vai colocar o povo no poder. Comecemos por nosso sistema político, que permanece dependente de tudo que é mais arcaico e conservador.

Construir uma constituinte exclusiva e soberana do sistema político é não apenas uma saída política para a conjuntura atual, mas uma saída histórica para construir um novo projeto de nação.


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