Monthly Archives: setembro 2015

Em Manaus, constituinte pra ter passe livre estudantil

por Hinaldo Castro, militante do Levante Popular da Juventude em Manaus.

Em junho de 2013 várias capitais brasileiras presenciaram manifestações, ais quais levaram milhões de pessoas as ruas e dentre esses milhões a maioria eram jovens. O centro das manifestações era a luta contra o aumento das passagens do transporte que deveria ser público, mas não é, e também a luta pelo passe livre.

Em Manaus não foi diferente,100 mil pessoas ocuparam a avenida Eduardo ribeiro no centro da cidade, e colocaram como centro também a pauta do passe livre.De 2013 para cá após estes grandes manifestos, o parlamento na esfera municipal, estadual e federal não conseguiu sequer dar uma resposta aos anseios expostos pela população.
A pauta do passe livre então volta a ser exposta ao parlamento neste ano (2015) como uma emenda à lei orgânica do município, encabeçada pelo vereador Waldemir José, do Partido dos Trabalhadores. Entretanto a pauta foi derrubada ainda na comissão que a debatia, e sequer foi avisado ao relator da proposta. O mesmo havia convidado os movimentos de juventude da cidade para pressionar o parlamento municipal, no anseio de que no dia 01 de setembro (Terça-feira) haveria a votação do passe livre estudantil, votação esta que não aconteceu, fazendo com que os movimentos ficassem com cara de bobo na galeria da câmara.
Não é difícil de entender o porquê de uma pauta tão importante como esta ser negada aos estudantes da cidade. Hoje no Brasil o parlamento esta submisso ao poder econômico, as grandes empresas, estas que bancam as campanhas dos candidatos e os mesmos quando ganham terão que retribuir o “Financiamento” feito. Analisemos por exemplo os aumentos abusivos das tarifas do transporte coletivo, o custo das grandes obras em Manaus, o não reajuste salarial para os professores, algumas escolas sem merenda e outras infinidades de benefícios que são negados ao povo trabalhador da cidade e do país.
Com toda esta estrutura política de não representação da classe trabalhadora nos parlamentos, podemos chegar a uma conclusão bem obvia, os políticos em sua maioria que aí estão, não nos representam, e se os mesmos não nos representam, precisamos de uma reforma política que garanta que a classe trabalhadora esteja representada no parlamento, pois do jeito que está, não pode continuar.
É neste sentido que temos que pautar a CONSTITUINTE EXCLUSIVA E SOBERANA SOBRE O SISTEMA POLITICO BRASILEIRO, simplificando um pouco o nome, este é um mecanismo encontrado pelos movimentos sociais para que a reforma política não seja feita pelos políticos que aí estão, mas que seja feita com o povo e para o povo, pois quem mais sofre com a falta de representação no parlamento hoje é o mesmo.

PARA MANAUS TER PASSE LIVRE, PAUTEMOS A CONSTITUINTE !!


[Papo Reto] O que nos restará das migalhas?

Há alguns anos a polêmica da esquerda era em torno de quais eram os avanços concretos que esse governo oferecia a classe trabalhadora. Políticas sociais com objetivo de repartir a riqueza, erradicar a miséria e universalizar o emprego. Foram medidas importantes e agora estamos sentindo o peso social delas, correndo o risco de perdê-las.

De maio de 2014 a maio de 2015 a taxa de desemprego aumentou de 7 para 8,1% articulado com o processo de desindustrialização já não dão a garantia que o trabalhador e o país necessitam para seguir crescendo. O ajuste fiscal e os cortes nas áreas sociais também ameaçam todas as conquistas dos últimos 12 anos.

Se a política de distribuição de riqueza da última década só trouxe migalhas para os trabalhadores, como será para as famílias brasileiras conviver com elevadas taxas de juros e consequente dificuldade de acesso a crédito com risco eminente de perder o emprego?

A esquerda está articulando alguns processos unitários importantes pra dar respostas a esse cenário. Uma iniciativa importante é a Frente Brasil Popular que foi lançada no último dia 05 de setembro em terras mineiras. Nesse mesmo dia se apontou o dia 3 de outubro como o primeiro dia de resistência. No dia dos 50 anos da Petrobrás o Brasil inteiro vai para as ruas defender seu patrimônio, contra o ajuste fiscal e a política econômica neoliberal que esse governo está aplicando.

O primeiro recado dessa frente é que as ruas são a saída nessa encurralada política, pois se o governo está jogando na lata lixo tanto anos de conquista dos trabalhadores, não seremos coniventes com essa farsa política. A população não confiou seu voto em Dilma pra que ela aplicasse o programa da direita e não existe referência histórica capaz de segurar o povo insatisfeito em luta.

A primavera que se abre neste setembro vai perfumar nossas marchas, ocupações, escrachos, greves e toda manifestação que retome a pauta política dos trabalhadores. Que os ricos paguem pela crise e que o povo, soberano, munido de seus instrumentos, abra os nossos caminhos para uma saída justa e popular.

 


Carta do I Curso Popular da Juventude – Ceará

O I Curso Popular da Juventude – Ceará, que ocorreu entre os dias 05 a 08 de setembro de 2015, na Universidade Estadual do Ceará – UECE, reuniu 1.200 jovens de todas as regiões do estado. O Curso Popular tem como objetivo fomentar a organização e a participação da juventude na construção de um Projeto Popular para o Brasil, na perspectiva de construção de uma sociedade justa e igualitária, o socialismo.

Vivenciamos em nosso país um momento marcado pela ofensiva conservadora da direita na sociedade e de cerco nas diversas instituições da República, que tem como objetivo retirar direitos da classe trabalhadora e da juventude. A proposta em curso de redução da maioridade penal, somado aos cortes no orçamento da educação, a retirada de direitos trabalhistas, a violência contra às mulheres, o discurso de ódio contra a população LGBT, e o extermínio dos povos indígenas representam um verdadeiro projeto de morte para a juventude, em especial a negra e pobre das periferias das grandes

Esta ofensiva comandada pelo Congresso Nacional, o mais conservador desdea Ditadura Militar e dominado pelo fundamentalismo religioso, pelo agronegócio e pelas grandes empresas, tem a grande mídia como aliada, e serve aos interesses dos bancos, do imperialismo norte-americano e da burguesia brasileira que não admitem um processo de transformação mais profundo em nosso país.

No estado do Ceará estamos no quarto ano seguido de seca e os diversos governos não tem conseguido resolver os problemas estruturais da falta d’água, pois assim como a terra, a água continua concentrada nas mãos de poucos. Estamos entre os cinco estados com maior índice de mortalidade de jovens no país, configurando um verdadeiro genocídio da juventude negra e pobre. Além disso nos entristece que o Ceará, seja um dos estados do país que mais mata mulheres vítimas de violência doméstica e sexual. Ainda sofremos com a falta da demarcação das terras indígenas, temos milhares de famílias sem-terra e sem moradia.

Diante dessa realidade desafiadora nós jovens do campo e da cidade reunidos no I Curso Popular da Juventude – Ceará nos comprometemos a construir um projeto de vida para a juventude que garanta todos os nossos direitos. Coletivamente assumimos os seguintes compromissos:

– Construir células do Levante Popular da Juventude nos diversos municípios em todas as regiões do estado do Ceará. A juventude brasileira necessita de uma alternativa de organização e de luta, que tenha a capacidade de mobilizar a massa de jovens em torno de um projeto de país.

– Fortalecer a organização da juventude camponesa, sem-terra, atingidos por barragens, pequenos agricultores, indígenas, quilombolas e ribeirinhos, aprendendo com sua história e com suas diversas formas de resistência e de luta.

– Lutar em defesa de uma reforma política através de uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político, que garanta a participação da juventude e do povo brasileiro nos rumos da nação, democratizando o Estado e refundando a República brasileira.

– Lutar em defesa da Petrobrás e da Soberania Nacional. A defesa da Petrobrás e do fundo social do Pré-Sal são fundamentais para pensarmos um projeto de país que garanta os direitos da juventude.

– Lutar contra o machismo, racismo, homo-lesbo-bi-transfobia. Compreendendo a diversidade da juventude brasileira e a necessidade combater toda forma de opressão.

– Lutar incessantemente pelos direitos da juventude: contra a redução da

maioridade penal, em defesa da educação pública, pela democratização do ensino

superior e dos meios de comunicação, por direito à cultura e informação para toda

a juventude.

– Na unidade das forças populares. Sabemos que a construção de um

Projeto Popular para o Brasil é tarefa de milhões de brasileiros/as, e que a

juventude é parte importante deste processo, mas temos certeza de que só

seremos vitoriosos se conseguirmos construir uma ampla unidade dos movimentos

populares, sindicais e partidos de esquerda.

– Fortalecer o sentimento de solidariedade e internacionalismo entre a

juventude e os diversos povos do mundo. Sabemos que a luta contra o capitalismo

e seu projeto de morte da juventude é internacional. Internacional também deve ser

a luta da juventude.

Pátria Livre!

Venceremos!


Curso Popular reúne mais de 1000 jovens no Ceará

Entre os dias 5 e 8 de setembro, acontece na Universidade Estadual do Ceará (UECE), o primeiro Curso Popular da Juventude, organizado pelo Levante Popular da Juventude e o MST.

O encontro, que traz como eixo central o tema “Juventude do campo e da cidade transformando por aqui” está reunindo cerca de 1200 jovens, de mais de 60 municípios de todas as regiões do estado para debater o protagonismo e o pape da juventude no país.
Para Paulo Henrique, da direção estadual do MST, o Curso Popular da Juventude trouxe à tona um grande processo de mobilização no campo e na cidade.
“Realizamos cursos regionais em Sobral, Cariri, Limoeiro do Norte, Quixeramobim, Crateús, Litoral e Caucaia. Todos esses encontros tiveram três objetivos: unificar a juventude do campo e da cidade em suas regiões para discutir suas regionais, fazer uma boa preparação para o curso estadual e apontar quais os desafios a serem travados pela juventude da classe trabalhadora nos próximos períodos”, diz.
Durante o encontro aconteceram plenárias, rodas de conversa, debates e oficinas que vão do grafite e muralismo ao teatro.

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“Já começamos com muita animação, ultrapassamos a expectativa com de participantes. São estudantes, camponeses, indígenas, quilombolas e jovens trabalhadores de todo estado que, juntos estão construindo esse espaço de troca, experiência e formação”, relata Tamyres Lima, da Coordenação Nacional do Levante Popular da Juventude.

O final do curso foi marcado por uma grande marcha rumo ao Palácio da Abolição, sede do Governo do Estado do Ceará, exigindo políticas públicas para a juventu11951760_981616908526765_2441345752510384599_nde cearense e de todo o Brasil.

O curso faz parte de uma série de encontros e jornadas que estão acontecendo em todo o Brasil desde o início do ano por iniciativa do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra e do Levante Popular da Juventude.

 


Há algo de podre no reino

 

Vivemos uma sensação generalizada na sociedade brasileira de insatisfação e de indignação com as instituições políticas. Ainda que estejamos passando por um período de acentuada polarização da sociedade, este sentimento perpassa todas as posições do espectro político-ideológico. Emana do dia 16, das manifestações golpistas, contudo, também se materializa no seu polo oposto, o dia 20, nos atos em defesa da Democracia e contra os Ajustes, bem como naqueles que não foram nem em uma, nem em outra manifestação.

Retirada da obra de William Shakespeare, escrita por volta de 1600, a frase “Há algo de podre no reino da Dinamarca” tornou-se uma das sentenças mais marcantes proferida por Hamlet, o herdeiro do trono. Hamlet nauseado com as tramas de poder da sucessão à coroa, que envolveram a morte do pai, por seu irmão, sintetizou nessa frase a angústia e o desprezo com relação ao centro de poder.  Transpondo esta afirmação para outra tragédia, a da política brasileira, poderíamos nos perguntar: de onde exala esse cheiro de podre que é sentido tanto no calçadão de Ipanema quanto em uma quebrada de Itaquer

O esforço da grande mídia tem sido o de dar o tom vermelho e o contorno de uma estrela para essa podridão, traduzindo esse sentimento de insatisfação em repulsa à corrupção. É claro que se trata de uma repulsa seletiva, circunscrita ao PT e aos aliados do governo. As ocorrências de corrupção que envolvem os tucanos, ou mesmo setores empresarias, alguns inclusive vinculados a mídia (como demonstra a operação Zelotes) não fedem, nem cheiram. A construção da imagem do PT como organização criminosa, pela mídia em tabela com setores da Polícia Federal, do Ministério Público e do Judiciário criou o caldo subjetivo para as manifestações massivas dirigidas por grupos ultra-conservadores, que exigem o Impeachment da Presidenta. Se o que está apodrecendo no reino é o PT, por consequência, a sua extirpação significaria a purificação do sistema político e o restabelecimento dos padrões éticos.

Nada lembraria mais a sórdida Dinamarca de Hamlet do que a derrubada de um presidente recém eleito por uma trama palaciana, como os setores conservadores vem articulando desde o início deste ano. Contudo, o agravamento das condições econômicas do país, aprofundada pela atual política econômica, deixou de ser um discurso entoado pela elite e começou a ganhar materialidade na vida das pessoas. O aumento do custo de vida da população, o desemprego, a diminuição dos ganhos salariais, o corte de investimentos públicos são indicadores sensíveis para a massa da população. O discurso da corrupção seletiva que até então não tinha adesão neste segmento começou a ganhar ressonância, o que se reflete nos atuais índices de popularidade do governo.

Fora levy

Ao mesmo tempo, os setores progressistas da sociedade não deixam de sentir asco olhando para as nossas instituições políticas. Um Congresso dominado pelo lobby empresarial e religioso, que tem uma de suas casas presidida por um gangster da política, Eduardo Cunha.  Um Governo incapaz de implementar o programa pelo qual foi eleito, apesar das concessões expressas na sua composição ministerial. O financiamento empresarial e o pragmatismo político corroendo as agremiações partidárias. Não é por menos que a convocação de um Assembleia Constituinte, tornou-se uma bandeira diante desse sistema político falido.

Nos últimos dias a via do Impeachment como alternativa a crise, parece ter perdido força. Isto não significa que ela saia de cena, mas ficará restrita aos setores conservadores mais radicalizados. A mídia saberá instrumentalizá-los para provocarem um desgaste permanente ao longo do mandato, sem ter que sujar as suas mãos.

Diante disso, outra saída vem sendo gestada como alternativa à crise: a “Agenda Brasil”. O governo permanece, a ordem institucional fica intacta, mas a pauta quem define é o mercado.  A iniciativa política protagonizada por Cunha e sua agenda de reformas conservadora, de regressão de direitos, entra agora em uma nova fase. Impulsionada por Renan Calheiros, entra em curso uma agenda essencialmente econômica, de corte neoliberal, frente a um governo fragilizado e impopular.

Há algo de podre no reino…


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