Monthly Archives: outubro 2015

Nota de Pesar pela morte do Cel Brilhante Ustra

É com enorme pesar que ontem, 15 de Outubro, o Coronel Brilhante Ustra veio a óbito vítima de um câncer no Hospital Santa Helena, no Distrito Federal. O Cel Brilhante Ustra coordenou o DOI-codi do II Exército em São Paulo entre 1970 a 1974. Nesse período de acordo com a Comissão Nacional da Verdade, foram registrados ao menos 45 mortes e desaparecimentos forçados, além de centenas de pessoas torturadas.
Lamentamos profundamente que o Cel. Ustra faleceu sem que a justiça tenha sido feita. Apesar de ter sido o primeiro militar a ser processado no Brasil, nunca foi punido pelos seus crimes. Apesar de ter provocado tanta dor e sofrimento em vítimas e familiares, morreu impune.
Nós do Levante Popular da Juventude, quando o escrachamos no dia 31 de Março de 2014, em frente a sua residência tínhamos a esperança de vê-lo atrás das grades, junto aos demais torturadores. Infelizmente, neste caso, o Brasil perdeu a oportunidade de se reconciliar com a sua História, e de consolidar a transição democrática.
Se todos os torturadores, assassinos e responsáveis políticos pela Ditadura morrerem impunes, que alívio é esse para a histórico recente do Brasil? Nenhum, apenas um afago ao silêncio.
Por Memoria, Verdade e Justiça!
Pátria Livre, Venceremos!
Levante Popular da Juventude
ustra nota

O que você vai ser quando crescer?

Sabemos que nem todos os sonhos são permitidos. Alguns sonhos são para poucos. Neste dia 12 de outubro, quando se comemora o dia das crianças no Brasil, queremos refletir sobre que sonhos essas crianças podem ter?

“Filho meu não vai ser bailarino!”. A construção do que é ser mulher e do que é ser homem em nossa sociedade está presente em toda a nossa vida. As meninas ganham brinquedos para aprender a cuidar da casa e dos filhos. Para as mulheres é destinada a “vocação do cuidado”. Esse processo limita os sonhos de meninas e meninos: Em 2013 92,25% das matriculas em pedagogia no Brasil eram de mulheres. Em 2012, um terço graduandos (homens) estavam cursando alguma engenharia.  Entre os 10 cursos com mais mulheres matriculadas no Brasil nenhum é engenharia. O que uma menina pode ser quando crescer?

Muitas crianças vão perceber rapidamente que o que eles TÊM que ser quando crescer é: heterossexual! Assim como ensinamos as nossas crianças o que é “ser mulher” e o que é “ser homem”, também tenta-se ensinar que as crianças devem gostar do coleguinha do outro sexo. Mas essa lição apenas gera dor e acaba expulsando centenas de lésbicas, gays, bissexuais e transexuais e transgêneros das escolas. E essas crianças e jovens aparecem escondidas nos dados da evasão escolar brasileira. Não existem políticas públicas e ações nas escolas contra a transfobia, homofobia, lesbofobia e todo o preconceito que essas crianças e jovens sofrem. Enquanto isso, o debate sobre gênero é retirado dos Planos Municipais de Educação em quase todo o Brasil. O que muitas crianças desejam ser quando crescer é livre. Livre para ser quem é e amar quem quiser.

Antes de começar a sonhar com que vão ser quando crescer, algumas crianças devem se preocupar em crescer. No Brasil a cada mil crianças de até 5 anos, aproximadamente, 17 (16,8) morrem. Esse é um número elevado, que embora tenha diminuído 70% nos últimos anos 30 anos, ainda faz com o que nosso país esteja em 97º lugar no ranking mundial de mortalidade infantil. Seria possível evitar grande parte dessas mortes, com mais investimentos em nosso sistema de saúde e no combate a fome. Em Cuba, por exemplo, a taxa é uma das menores do mundo: 4,2.

Outra realidade que deve ser enfrentada na busca de um futuro melhor para as crianças é o trabalho infantil. Em nosso país mais de um milhão de crianças entre 6 e 14 anos trabalham. E 64,78% são negras (dados de 2012). Assim como a mortalidade infantil, o trabalho infantil atinge uma parcela específica de crianças. Crianças negras e pobres, que moram nas periferias do país. Quais são as condições que nosso país garante para que os filhos da classe trabalhadora possam sonhar com o próprio futuro? Em uma pesquisa realizada em 2011 pelo DIESSE foi possível identificar que o trabalho doméstico é a ocupação de aproximadamente 20% das mulheres negras nas regiões metropolitanas estudadas (Salvador, São Paulo, Recife, Porto Alegre, DF, Fortaleza e Belo Horizonte) ficando atrás apenas para o setor de serviço. Enquanto isso, o trabalho doméstico é a ocupação de apenas 10% das mulheres brancas, segundo o estudo. Esse estudo comprovou que as negras e os negros estão inseridos nos trabalhos mais precarizados e possuem menores salários.

Quais são chances de nossas crianças negras realizarem seus sonhos? Com certeza, elas partem em desvantagem em uma sociedade racista onde a chance de um adolescente negro ser assassinado é 3,7 vezes maior em comparação aos brancos. Vivemos em nosso país uma situação de extermínio de nossa juventude negra. A cada 3 assassinatos, duas vitimas são negras. Enquanto isso os dados do Censo Escolar 2005 demonstram que só 35% das crianças negras de dez anos estavam na série ideal para a idade, mas 53% das crianças brancas se encaixavam no perfil. Além disso, os negros são a minoria nas escolas privadas do Brasil, 33%.

Nesse mês, milhares de jovens vão fazer o Enem para entrar no ensino superior. Para grande parte desses jovens, entrar no ensino superior é o caminho para realizar seus sonhos. Mas, esse sistema de seleção se baseia no fato de não existirem vagas para todos, então quem tirar a melhor nota, poderá escolher.

A grande maioria que conseguir passar por esse funil (aproximadamente, 75%) vai entrar no ensino superior particular. E irá enfrentar um ensino precarizado que busca diminuir sempre os “gastos” e com altas taxas das mensalidades que aumentam a cada semestre. Caso esteja no FIES ainda corre o risco de perder o financiamento a qualquer momento e ficar sem curso e com uma grande dívida. Enquanto isso, o ensino superior público conta com uma política de assistência estudantil (o ensino particular, também deveria garantir essa assistência) limitada que não consegue garantir a permanência dos estudantes nas universidades. Os cortes de R$ 13 bilhões de reais no orçamento da educação vão de encontro a um projeto de pátria educadora.

A maioria das crianças vai ter que lutar muito para conseguir realizar seus sonhos. Não existe uma estrutura social que garanta condições iguais para nossos jovens. E é por isso que esperamos que nossas crianças aprendam, o quanto antes, que só a luta muda à vida. Mas precisamos estar unidos, neste dia 12 estaremos juntos com as crianças nas quebradas de todo o país mostrando que: “se eles lá não fazem nada, nós fazemos por aqui”, vamos juntos construir o Brasil que há de vir!

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Trabalho coletivo marca os primeiros dias da Semana Nós por Nós

Vídeo: Nós por Nós – Se eles lá não fazem nada, nós faremos por aqui.

Em pelo menos 10 estados está acontecendo entre os dias 8 e 12 de outubro a Semana de Solidariedade Nós por Nós: Se eles lá não fazem nada, nós faremos por aqui. O Levante nas periferias e quebradas de todo país está realizando por conta própria o que o Estado não garante. Mutirões, orientações sobre saúde, oficinas de grafite, rádio, teatro, break, turbante e fotografia além de cine-debates e festas para as crianças tudo isso está na programação dos estados e tudo com a cara da juventude do gueto.

Ontem (8), no primeiro dia da jornada, também a data em que Che Guevara foi capturado há 48 anos, Ceará, Bahia, Mato Grosso, Minas Gerais e Sergipe desenvolveram diferentes atividades.

Feira da Saúde em Salvador

Feira de Saúde em Salvador

No bairro do Salobrinho, em Ilhéus, na Bahia um mutirão fez uma reforma na praça da vila com direito a apresentação de Rap e filme para comemorar o dia do Nordestino. Em Sobral, no Ceará rodas de conversas com a juventude, doações de roupas e livros, jogos e danças animaram os moradores do bairro Novo Recanto. Em Várzea Grande, Mato Grosso, os alunos da Escola Estadual Maria Macedo trocaram ideias em uma roda de debates sobre o Dia Internacional da Juventude em Luta. Em Minas, a juventude se uniu para reformar o Espaço Cidadão Liberalino Alves em Belo Horizonte. Em Aracaju-SE, o dia foi cheio, atendimento de saúde, assessoria jurídica, mutirão na praça e para fechar, uma batalha de rimas no Parque dos Faróis.

Hoje, em Touros no Rio Grande do Norte estudantes da Escola Estadual Tabelião Julio Maria aprendeu técnicas de batucada de teatro com uma oficina organizada pelo Levante. Em Vitória no Espírito Santo, o final de semana será preenchido com atividades culturais e oficinas para a sociedade. A programação segue até dia 12 e em alguns estados se estende até a segunda quinzena de outubro.

Acompanhe a programação nos estados:

Bahia: http://migre.me/rKtGk

Ceará: http://migre.me/rKtpa

Espírito Santo: http://migre.me/rKtGV

Mato Grosso: http://migre.me/rKxv0

Minas Gerais: http://migre.me/rKtO0

Paraíba: http://migre.me/rKtEE

Pernambuco: http://migre.me/rKtR8

Rio Grande do Sul: http://migre.me/rKuqT

Rio Grande do Norte: http://migre.me/rKtv8

Sergipe: http://migre.me/rKtme


Começa Semana Nós por Nós

Entre os dia 8 e 12 de outubro as/os jovens, de todo o Brasil, organizaram atividades que fazem parte da Semana Nós por Nós e da Jornada Internacional da Juventude em Luta.

Segundo Mara Farias, da coordenação nacional do Levante, “a semana Nós por Nós está fortalecendo o vínculo da juventude com seus bairros e isso é um importante momento de trabalho coletivo e solidariedade. Estimulamos a criatividade da juventude na produção de materiais e construção das ações. Em cada canto do Brasil o 8 de outubro está dando uma nova esperança as periferias!!

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Escute o áudio da Semana Nós por Nós: https://soundcloud.com/em-defesa-da-vida-novemb/semanamp3

Escute o áudio da Jornada Internacionalista: https://soundcloud.com/relaciones-internacionales/juventud-internacionalista-nos-movilizamos-el-8-de-octubre-de-2015

Estados e atividades:

Bahia: http://migre.me/rKtGk

Ceará: http://migre.me/rKtpa

Espírito Santo: http://migre.me/rKtGV

Mato Grosso: http://migre.me/rKxv0

Minas Gerais: http://migre.me/rKtO0

Paraíba: http://migre.me/rKtEE

Pernambuco: http://migre.me/rKtR8

Rio Grande do Sul: http://migre.me/rKuqT

Rio Grande do Norte: http://migre.me/rKtv8

Sergipe: http://migre.me/rKtme

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[Papo Reto] Eduardo Cunha: o silenciamento da grande mídia e a justiça seletiva

As recentes denúncias realizadas pelo Ministério Público da Suíça contra o atual presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), revelam a existência de quatro contas em bancos suiços em seu nome e de familiares, num montante aproximado de U$5 milhões.

Estas informações intensificam as acusações de participação do presidente da Câmara na chamada “Operação Lava Jato” e no envolvimento em crimes de corrupção e de lavagem de dinheiro. Estas denúncias se somam às anteriores, onde executivos ligados à grandes empreiteiras pagaram propinas ao deputado em troca de contratos com a Petrobrás. Segundo, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o montante de propinas recebidas por Eduardo Cunha chega a R$80 milhões.

Vale destacar que em março deste ano, em depoimento a CPI da Petrobrás, o deputado peemedebista afirmou não tenho qualquer tipo de conta em qualquer lugar que não seja a conta declarada no meu Imposto de Renda”.

Apesar destes fortes indícios de corrupção, a grande mídia tem secundarizado as denúncias contra Eduardo Cunha. Os principais meios de comunicação do país, deram pouca relevância ao caso e seguiram uma tendência a relativizar as acusações.

Tratamento inverso dado aos militantes petistas e seus aliados na AP-470 e na Operação Lava-Jato. Para estes, a regra tem sido a “prisão preventiva”, a tentativa de desmoralização e o linchamento público.

Desse modo, fica evidente o caráter de classe do estado brasileiro. Mesmo permitindo certa participação das classes populares no aparelho de estado, as diversas frações da classe dominante continuam detendo o poder político e a hegemonia do estado.

Para conservar a sua dominação política, as diversas frações da burguesia buscam restringir a crise política à corrupção e ao Partido dos Trabalhadores. Para tal, possuem os grandes meios de comunicação como seus aparelhos privados de hegemonia. Cabe à juventude brasileira revelar as verdadeiras raízes da atual crise política: o sequestro da democracia pelo poder econômico através do financiamento empresarial de campanhas, a falta de representação dos setores populares nas instituições da República, e a inexistência de mecanismos de democracia direta que garantam a participação popular nos rumos da nação.

Refundar a República e democratizar o estado brasileiro faz-se cada vez mais urgente e necessário. A luta pela Constituinte é indissociável da luta pela democratização da comunicação. Sem meios de comunicação próprios, a classe trabalhadora não vencerá a batalha das ideias.    

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