Monthly Archives: março 2016

O jogo foi roubado

Por Lauro  Duvoisin, militante do Levante RS

A palavra “impeachment” é estrangeira e estranha aos nossos ouvidos. Se traduzida, pode ser substituída pelo termo “impedimento”. E na política, como no futebol, o jogo pode ser roubado e os juízes podem ser comprados.

                Assim tudo fica mais fácil de entender. O “impedimento” da Presidenta Dilma é mais ou menos o seguinte:

                O jogo estava difícil e pairava um clima tenso no ar. Antes de começar alguns achavam que aquele jogo não chegaria ao fim. Havia rumores de que a partida poderia ser anulada.

               10259833_679490568860103_4779154209337060436_n Chega-se aos 43 minutos do segundo tempo. O jogo está empatado, a atacante do time visitante (Dilma) está prestes a fazer o gol. Nesse momento, o bandeirinha (Eduardo Cunha) ergue a bandeira dando sinal de impedimento. Irá o juiz (Congresso) acatar a decisão do bandeira? Sabe-se bem o seu passado. É de conhecimento público que esse bandeirinha não é confiável. Parece que há indícios de que andou recebendo dinheiro dos cartolas.

Alguns desconfiam que o jogo foi roubado. Andam dizendo por aí que os patrocinadores (Fiesp) querem quebrar o contrato com o atacante (Dilma) e defendem o impedimento para desmoralizá-lo. A confusão aumenta, pois dentro do campo um companheiro de time (Michel Temer) pede para o atacante encerrar a discussão com o árbitro e admitir a infração. Ainda por cima, xinga o meio-campo que passou a bola para o atacante impedido, dizendo que se tivesse passado pra ele, o gol já estaria feito. Simples briga de ego ou o jogador mudou de lado?

Na beira do campo, vêm-se alguns gandulas nervosos. Um deles (Aécio Neves) aguarda a saída da bola apenas para levá-la pra casa. Mais adiante, dois reservas do time visitante (novos ministros) entram no aquecimento. Confiam que o juiz dará acréscimos suficientes para definir a partida.

Na arquibancada as torcidas (protestos de rua) se agitam. De ambos os lados, grupos ameaçam invadir o campo e ocorrem xingamentos. Ouvem-se ofensas racistas. A polícia é chamada para conter os ânimos, mas apoia o time da casa.

Galvão Bueno (Rede Globo) diz que o atacante (Dilma) estava em posição de impedimento. Recorre ao Arnaldo (STF) que orienta: “A regra é clara”, embora todos saibam que o impedimento é sempre polêmico. O Galvão resiste a passar o replay da jogada para o público conferir os fatos, e podem-se ouvir os protestos da torcida visitante no áudio da TV. Paira uma dúvida no ar.

O impedimento é ou não legal?

No futebol, assim como na política.


Mulheres do feminismo popular: é tempo de não ter medo!

Ana Flor Fernandes Rodrigues, militante do Levante Popular da Juventude em Pernambuco.

Tornou-se possível perceber que estamos na linha de frente de toda nossa atual conjuntura política. São tempos difíceis para todas nós que ousamos sonhar com uma pátria livre das amarras do sistema capitalista e do machismo diário que nos violenta. Tudo piora quando caímos na reflexão de que bancadas religiosas e fundamentalistas tentam regular nossos espaços e corpos. Mesmo que isso não nos seja uma novidade. Onde nos empurram para o privado e nos privam do público.

Historicamente sempre estivemos nos primeiros pelotões das batalhas cotidianas da vida. Na favela, nas cozinhas dos patrões, na creche com os filhos, nas escolas de ensino precarizado. No trabalho compulsório e sem direitos trabalhistas. Nas jornadas duplas, triplas, de um cansaço mental e físico diante dos esforços constantes em busca de sobrevivência, descanso, do direito das mulheres.

O “não” sempre esteve ali, posto e imposto. Nas mulheres guerreiras, que em inúmeros momentos pensaram em desistir das suas próprias vidas, das guerrilhas sociais que não pareciam e nem parecem ter fim. Uma solidão fincada na nossa construção social. Onde pai abandona filho e mae, e o estado lamenta e ignora afirmando que dessa maneira não constitui família, afinal: mãe solteira. Onde mãe passa fome e tenta colocar leite e pão na boca do filho.

Os tempos nunca foram fáceis para nenhuma de nós. Que com bastante força nos tornamos mulheres. Algumas fortalezas, outras muralhas. Preparadas para derrubar qualquer projeto de lei que tente contrariar e destruir nossas identidades. Como nos disse Dilma: “eu não renuncio”. E não podemos negar que ela é uma dessas tantas mulheres que eu vos falo nesse texto. Que apesar de sustentar um debate que tem sido falho, e está sambando de um lado que não vem dialogando, de certa forma, com o povo, deve ser respeitada. Pois foi eleita de forma democrática, e precisa imediatamente reconhecer, reparar e acertar os erros.

Vivemos em um mundo onde o fato de ser feminista assusta. Onde uma mulher falando deixa deputado, senador, governador, prefeito e vereador de perna bamba. E que os partidos de uma direita silenciosa e tendenciosa, fazem barulho e vão  nas ruas tentando nos amedrontar. Até usam como pauta que mulher é coisa frágil.

Porém, o que  esqueceram é que não somos uma ou duas. Que além de mulher, somos mulheres. E que essas que eles tentam fazer recuar estão organizadas. Dentro de um projeto conhecido e intitulado pelas mesmas de Projeto Popular. E além de popular, feminista. Onde as pretas descem nas favelas e entram nas escolas, organizando outras e dizendo que juntas nós somos muitas. Onde lutadoras do povo espalhadas por todo Brasil semeiam um discurso que nos coloca enquanto sujeitas políticas que visam e buscam um sistema de transformação e emancipação das companheiras.

Finalizo esse texto afirmando que durante esses meses nebulosos e assustadores que estamos vivenciando, é preciso que digamos umas as outras que é tempo de sonhar. Tempo de irmos ás ruas, de mãos dadas, pela democracia. É tempo de ecoarmos nossas vozes. E mesmo que saibamos que não foi e nem será fácil, estaremos aqui, em luta. Porque somos muitas, organizadas, em marcha! Porque não estamos sozinhas, e não somos vozes solitárias. Porque existe um golpe em curso, e nós defendemos o estado democrático de direito. E porque falamos umas para as outras que é tempo de não ter medo!

Sigamos em luta e marcha, companheiras. Por um país democrático, feminista e popular. Onde todas sejamos donas das nossas próprias narrativas e livres das amarras de um sistema que sempre nos aprisionou. Pois, com uma pátria livre, venceremos!

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Mulheres do projeto popular participam do EME

O Levante Popular da Juventude esteve presente no 7º Encontro de Mulheres Estudantes da União Nacional dos Estudantes (UNE). Os três dias de encontro, 25 a 27 de março, foram marcados pelo debate feminista em torno da transformação da realidade das mulheres estudantes e das mulheres na sociedade em geral.

“Não podemos vacilar neste momento. As mulheres brasileiras precisam se posicionar em defesa da nossa democracia para aprofundá-la e contra o golpe em curso, comandado pela elite brasileira e o imperialismo”, destaca Élida Elena, Diretora de Mulheres da UNE.

O encerramento foi uma síntese do encontro: organização, formação e luta das mulheres em defesa dos interesses do povo. Telma Regina, estudante de geografia da UFF e militante durante a ditadura militar foi assassinada em Araguaia pelo mesmo militar que foi homenageado na mesma rua da universidade. Jessy Dayane, Diretora de Políticas Educacionais da UNE, afirma que a intervenção tem como objetivo resgatar a memória da luta do povo brasileiro, para que os mesmos erros não sejam cometidos novamente.

Confira abaixo algumas fotos do Levante no 7º EME

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[Papo Reto] “O dia em que o morro descer e não for carnaval”

“O povo virá de cortiço, alagado e favela/ mostrando a miséria sobre a passarela/ sem a fantasia que sai no jornal/ vai ser uma única escola/ uma só bateria/ quem vai ser jurado? Ninguém gostaria/ Que desfile assim não vai ter nada igual”*

*Wilson das Neves – O Dia em Que o Morro Descer e Não for Carnaval

12795065_1112398688825684_4296236416899886439_oSer de periferia no Brasil é perceber desde cedo as contradições e penalizações do sistema capitalista na pele. Nestes tempos de ódio, não queremos ainda mais retrocesso, não queremos a volta de um regime que nos castigou por duas décadas, não queremos mais repressão nos nossos morros e favelas. Nos negamos a estar, lado a lado, em marcha com fascistas de verde e amarelo, que não estão nas ruas por nós, mas por interesses individuais e burgueses.

Para quem é filho das senzalas, a escravidão e exploração do trabalho foram falsamente abolidas. Está em nossa memória e reflete no nosso cotidiano de marginalizados em um país que se diz da democracia racial. Diariamente percebemos em nossas periferias a herança de um período escravocrata que não teve fim e que formou os morros onde hoje vivemos.

Para os que pedem a volta do regime militar, informamos que diariamente ele é aplicado em nossos bairros através de uma polícia fascista e autoritária que segue castigando os mais pobres com repressão. Nosso exercício de resistência é diário, lutamos pela vida da juventude que desaparece e lota os presídios, sendo esta a única referência da Justiça que temos em nossa realidade.

Quando o morro descer às ruas não será carnaval porque estarão levando em punho as bandeiras do povo trabalhador, que sente a terceirização vendo a panela esvaziando; que, com a redução da maioridade penal, vê os filhos e filhas serem levados para fora das universidades e escolas; que sabe que quem será expulso desse espaço serão os pobres que há pouco tempo iniciaram a vida universitária através das políticas públicas para juventude.

Não nos posicionaremos a favor de nenhum tipo de retrocesso que nos faça perder os direitos conquistados pela classe trabalhadora nos últimos anos. Precisamos seguir avançando, construindo nos nossos guetos assembleias com professores e médicos a favor da democracia, assim como nas escolas secundaristas e festivais culturais que dialoguem com os grupos que ainda não foram às ruas.

Neste sentido, é necessário a favela ir às ruas neste 31 de março, data que antecedeu um duro golpe que castigou por vinte e um anos o nosso país. Esse dia será de festa! Não porque é carnaval, mas porque as periferias estarão ocupando as ruas em defesa da democracia e contra esse golpe midiático que diariamente criminaliza a pobreza!

NÃO VAI TER GOLPE!

LEVANTE PELA DEMOCRACIA! 31 É NÓS!


Nota em solidariedade a Igreja Batista do Pinheiro (AL)

O Levante Popular da Juventude de Alagoas vem a público manifestar apoio e solidariedade a Igreja Batista do Pinheiro, que no último período tem sido hostilizada por terem oficializado a entrada de membros homossexuais na comunidade religiosa. Após formalizarem e publicizarem a decisão da igreja com o batismo de homossexuais, a comunidade tem recebido diversos ataques, de cunho homofóbico e intolerante, além dos diversos tipos de ameça.

 
Em nossa recente e ousada caminhada da construção e consolidação do Levante Popular da Juventude em Alagoas, diversos elementos servem como combustíveis que impulsionam nossa necessidade de organização e atuação, o principal deles, com toda a certeza, é a necessidade de combater toda as formas de injustiças que tomam conta desse estado, famoso pelos piores índices sociais que atingem, em especial, a juventude negra, pobre, as periferias, as mulheres, os negros e negras, os LGBTs e o conjunto da classe trabalhadora. É a disposição de construir outra sociedade que nos faz existir.

 
Nessa caminhada também temos inspirações… Dos companheiros, companheiras e das diversas organizações populares que trazem em sua história a coragem e a bravura de lutar pela justiça, ao lado dos explorados e oprimidos na construção de uma nova sociedade.
Nas bases da inspiração dos que estão ao nosso lado nessa caminhada e da necessidade de transformar esse cenário que vivemos, não poderíamos nos calar frente aos ataques.

 
Lembramos nesta nota que uma das nossas primeiras reuniões em Maceió, foi a Igreja Batista do Pinheiro que abriu as portas para que nós fizéssemos nosso encontro de debate e planejamento coletivo, assim, é nossa responsabilidade afirmar nossa posição em relação à comunidade que nos recebeu uma vez e, certamente, mostra-se de portas abertas para dar o apoio possível para a organização do nosso movimento em Alagoas.
Precisamos lembrar também do histórico que essa igreja tem construído ao lado dos movimentos sociais do campo e da cidade do nosso estado. É na coerência que a comunidade tem tido em sua trajetória que nos firmamos a prestar nosso companheirismo.

 
Nós, enquanto organização da Juventude que almeja outro tipo de sociedade, deixamos nosso posicionamento de repúdio a toda e qualquer forma de opressão e exploração que sustenta o atual modelo de vida.
Registramos aqui nossa solidariedade a toda a comunidade da Igreja Batista do Pinheiro, na certeza de que estaremos lado a lado em outros momentos de reafirmar nossa posição aos ataques opressores.
Seguiremos em luta, na firmeza do compromisso dos lutadores e lutadoras do povo que escrevem a história de resistência e rebeldia em todo o mundo.

 

 

Agora, o Levante Popular da Juventude em Alagoas, também seguirá construindo essa história.

Um grande abraço!
Às/aos lutadores/as: avante!

Maceió – AL
Março de 2016


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