Monthly Archives: março 2016

Greve na UERJ

Assim como a maioria das Instituições estaduais, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro vem passando por um processo de sucateamento e precarização. É importante entender que existe um projeto de educação impulsionado, majoritariamente, pelos governos do PMDB de desmonte da qualidade do ensino e condições de trabalho, bem como uma agenda neoliberal de terceirização dos serviços e privatização dos setores. Nesse sentido, 2015 foi um ano de muita luta para os estudantes da UERJ, professores e principalmente para os trabalhadores terceirizados, que têm seus salários atrasados e condições precárias de trabalho.

Ao longo dos anos, o Movimento Estudantil vem costurando ao lado dessa categoria diversas mobilizações, numa prova viva de que trabalhadores e estudantes caminham lado a lado! O boom das mobilizações contra o sucateamento da UERJ foi a ocupação, que ocorreu em dezembro de 2015, quando diversos alunos sem bolsa deram um basta àquela situação. Foram mais de 2 semanas ocupando a Universidade, com aulas públicas, oficinas e muita luta! Mesmo assim, os meses seguintes continuamos com atrasos nas bolsas e assim que retomamos às aulas nos deparamos com uma situação horrível: mais de 600 trabalhadores da empresa Construir foram demitidos, sem ter seus direitos trabalhistas assistidos e com a conivência da Reitoria.

No dia 01/03, logo após o começo do semestre, os técnicos e os docentes da UERJ deflagraram uma greve, que começará no dia 07/03! Com assembléias lotadas e em com pouquíssimos votos contra, a UERJ se somará ao SEPE e às demais Instituições estaduais na luta contra os ataques do Pezão. As reivindicações das categorias são muitas e todas justas, mas destacam-se os 6% do PIB do Estado para a UERJ, reajuste de 30%, DE na aposentadoria, entre muitas outras. E os estudantes? Infelizmente o Diretório Central dos Estudantes esperou as categorias entrarem em greve para depois organizar a estudantada.

Nós acreditamos que greve qualificada é aquela feita com ocupações culturais do espaço, atos e muita mobilização! Greve não é férias! Temos pautas históricas que devem ser tiradas do papel como promessa. Devemos lutar pelos 6% do orçamento do Estado, pelo passe livre intermunicipal e intermodal, aumento das bolsas permanência, entre outras! Venceremos!


A justiça não pode ter lado! O povo não será manipulado!

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Acordamos hoje, 4/03, com a condução coercitiva do ex-presidente Lula para depor junto a Polícia Federal.

A burguesia, os grandes meios de comunicação e a justiça, sob a bandeira da corrupção, de forma parcial, fazem da operação Lava Jato seu principal instrumento de combate à democracia.

O juiz Sergio Moro escolhe seus alvos e mesmo sem provas concretas a mídia já tem um veredicto. Infelizmente se comprova que o combate a corrupção é seletivo. Não atinge políticos com fartas provas de corrupção como os envolvidos na privataria tucana, durante o governo FHC, como Eduardo Cunha com seus 5 milhões na Suíça ou Alckmin, cujo governo rouba marmita dos estudantes. É evidente que a mídia e o sistema jurídico brasileiro possuem interesse em manobrar suas ações para definir de forma antidemocrática os rumos da política brasileira

Não deixaremos que desestabilizem nossa democracia que ainda é jovem e precisa ser aprofundada. Não deixaremos que os golpistas se apropriem da bandeira da corrupção, historicamente da esquerda, para fazer de forma seletiva a punição dos corruptos. Somos favoráveis a apuração de todas as suspeitas de corrupção, contudo, não podemos admitir que a justiça e as instituições polícias atuem politicamente sob o pretexto de combater a corrupção.

Convocamos juventude a tomar às ruas! Não podemos ficar em casa vendo a direita orquestrando ações golpistas. O futuro do nosso país está em nossas mãos.
Devemos construir uma agenda de permanente diálogo com a população, para ampliar nossa mobilização e denunciar essa ação articulada da grande mídia aliada com burguesia golpista e essa justiça seletiva. O enfrentamento a corrupção só se dará efetivamente através do respeito ao Estado Democrático de Direito e uma profunda reforma política, que só é possível através de uma Constituinte. Com essa convicção, vamos nos somar as lutas unitárias que vão acontecer no Brasil inteiro, convocadas pela Frente Brasil Popular nos dias 8 de março, levando a bandeira das mulheres e nos dia 18 de março e 31 de março na defesa da democracia, dos direitos das trabalhadoras e doa trabalhadores e da soberania do nosso país.
Não baixaremos a cabeça diante de nenhuma injustiça! Esse é o compromisso da juventude popular brasileira!


[Nota] A GREVE DE FOME NA UFPB E A LUTA PELA ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL

Há décadas que as/os estudantes da UFPB se organizam coletivamente por condições dignas para estudar. Moradia, alimentação, segurança, dentre tantas outras pautas, sempre instigaram a luta por direitos que são nossos.

Nos últimos anos, visualizamos algumas novidades. A principal delas é: mais gente entrou na Universidade. Ou seja, ocorreu uma ampliação do acesso ao ensino superior. Ao contrário de tempos anteriores, hoje é muito mais comum encontrar trabalhadores/as e filhos/as de trabalhadores/as na Universidade, um espaço que historicamente foi reservado às elites, aos donos do poder e do dinheiro.

No entanto, esse acesso não veio acompanhado das condições necessárias para assegurar a permanência desses e dessas estudantes. Pouquíssimas são as garantias de um direito que é nosso, conquistado pela luta de muitas gerações. Ano passado, por exemplo, tivemos um corte de bilhões de reais na educação. E isso interfere em nossas vidas.

Como se isso não bastasse, a situação dentro da UFPB é das piores. A administração de Margareth Diniz, do começo ao fim, está sendo marcada pela ausência de diálogo e pela falta de compromisso com os interesses reais dos/as estudantes, desde o mais básico: a alimentação. Nos últimos quatro anos, foram inúmeras as lutas por assistência estudantil: basta lembrar da luta pelo RU para todas/os, das ocupações e atividades na Reitoria contra os ataques aos nossos direitos, das mobilizações das Residências, dos campi dos interiores… e por aí vai. Não nos silenciamos em momento algum. Isso é um legado dos/as estudantes da UFPB.

Desde a última semana que presenciamos mais um importantíssimo momento dessa luta. Com muita ousadia e coragem, quatro estudantes iniciaram uma Greve de Fome, gerando um processo de mobilização em toda a Universidade, somado a uma Ocupação da Reitoria. Os principais pontos de pauta são: melhorias no Restaurante Universitário, Residência e Auxílio Moradia, Creche e Segurança. A situação está cada vez mais dramática e a Reitoria ainda não apresentou nenhuma proposta que contemple a pauta. E detalhe: a gestão do DCE, que deveria estar do nosso lado, está sendo cúmplice de Margareth nessa irresponsabilidade toda.

Mas, apesar disso, é com muita força, ânimo e disposição que as/os estudantes da UFPB enfrentam esse absurdo. Queremos conquistas! É direito nosso! Por uma assistência estudantil de verdade!

João Pessoa/PB, 02 de março de 2016.

Levante Popular da Juventude-PB



Juventude constrói Plano Nacional e em documento denuncia as opressões com os LGBTs

Juventude constrói Plano Nacional e em documento denuncia as opressões com os LGBTs

Por Luiz Filho e Wesley Lima

A juventude da Pastoral da Juventude Rural (PJR), do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e de outros movimentos sociais populares, ligados a Via Campesina Brasil, estiveram em Brasília, entre os dias 23 e 25/02, construindo o Plano Nacional de Juventude e Sucessão Rural.

Na ocasião, foi realizada a “Oficina de Diálogo sobre o Plano Nacional de Juventude e Sucessão Rural”, organizada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) com o objetivo de discutir e priorizar propostas que integrarão o documento final.

Terra e Território, Trabalho e Renda, Educação do campo, Qualidade de vida e Participação e Democracia, foram os cinco eixos prioritários apontados pelo Plano que dialogarão com uma grande parte dos ministérios e secretarias.

Reafirmando o lançamento do Plano Nacional de Juventude como ponto estratégico, junto com o Plano Safra da Agricultura Familiar (2016/2017), Luiza Dulci, da assessoria de Juventude do MDA, disse que “quando a presidenta anuncia algo é porque ela está assumindo um compromisso”.

Encontro LGBT do MST Foto: MST

Encontro LGBT do MST realizado em agosto.
Foto: MST

“Não só o Brasil, mas outros países têm o desafio da sucessão rural. A gente espera que as pautas fiquem bem definidas, para que possamos caminhar de acordo com que os jovens estão propondo”, afirmou Dulci.

Durante a oficina de diálogo do plano, a juventude construiu duas cartas. Uma delas tem o objetivo de dar visibilidade a Juventude Camponesa LGBT e denunciar as opressões e exclusões ligadas a estrutura patriarcal, machista e LGBTfóbica do sistema capitalista.

“Várias são as formas de invisibilidade da juventude LGBT no campo, e nós, os sujeitos e sujeitas se encontram sem direitos e condições de continuidade da vida que desejamos seguir, sem condições de produzir na terra que crescemos e queremos permanecer”, explicou a juventude na carta.

Afirmando o compromisso de continuar pautando e denunciando toda forma de opressão, os jovens finalizaram o documento garantindo que continuaram pautando a luta pela terra e território, trabalho e renda, educação do campo, participação e qualidade de vida, “porém não abriremos mão de trazer o recorte de afirmação LGBT nessas pautas”.

Para a secretária executiva do MDA, Maria Coelho, os documentos construídos trazem um aprofundamento das demandas por debater valores da sociedade. Ela caracterizou a criação do Plano como um momento histórico.

 

Leia a CARTA DA JUVENTUDE CAMPONESA LGBT À OFICINA DE DIÁLOGO NACIONAL DE JUVENTUDE E SUCESSÃO RURAL

A construção do Plano Nacional de Juventude e Sucessão Rural é uma demanda histórica para os Movimentos Sociais Populares do Campo, das Águas e das Florestas, por compreendermos que ele nos desafia a sintetizar e articular as Políticas Públicas já existentes, pautando a elaboração de novas Políticas que promovam o acesso à terra, o fortalecimento dos territórios, trabalho, a renda, educação do campo, qualidade de vida, participação, comunicação e democracia.

A problematização da sucessão aponta que temos um rural diverso e que precisamos reconhecer e respeitar a identidade dos/as jovens do campo, das Águas e das Florestas, como: étnico/racial, regional, cultural, religiosa, identidades de gênero, orientação sexual e a condição social e econômica.

Como forma de potencializar a formulação do plano, apontamos a inserção das temáticas: étnica/racial, acessibilidade (pessoas com deficiência), de orientação sexual e de identidades de gênero como transversal a todos os eixos temáticos. Por isso, nós, JUVENTUDE CAMPONESA LGBT, presentes na Oficina de Diálogos do Plano de Juventude e Sucessão Rural, diante das históricas opressões e exclusões ligadas a estrutura patriarcal, machista e LGBTfóbica, que atingi diretamente a juventude Lésbica, Gay, Bissexual, Transexual e Travesti no campo brasileiro, colocados e colocadas as margens dos limites da terra, propomos a incorporação dessa discussão e implementação desse tema nas políticas públicas voltadas ao rural.

Várias são as formas de invisibilidade da juventude LGBT no rural, e nós, os sujeitos e sujeitas se encontram sem direitos e condições de continuidade da vida que desejamos seguir, sem condições de produzir na terra que crescemos e queremos permanecer.

Muitos temas se agravam quando este é discutido, pois debater a permanência no campo, se torna mais complexa quando o sujeito e a sujeita LGBT é colocado em pauta. Uma liderança LGBT no meio rural é marcada por várias retaliações que terminam na sua invisibilidade dentro dos seus espaços de articulações, já que piadas machistas e LGBTfóbicas são escutadas a todos os momentos e o respeito muitas vezes se restringem as discussões de classe e lutas, que quando chegam na realidade do dia a dia e dentro das nossas áreas rurais só reina o preconceito e a discriminação.

Nossa pauta deve contemplar todas as conquistas e desafios colocados pelos vários Movimentos Sociais Populares do campo, sendo nossa articulação mais um espaço de fortalecimento das lutas e construção do Projeto Popular para o campo brasileiro.

Continuaremos pautando a luta pela terra e território, trabalho e renda, educação do campo, participação e qualidade de vida, porém não abriremos mão de trazer o recorte de afirmação LGBT nessas pautas. Queremos a quebra dos estereótipos criados sobre o ser homem e o ser mulher, com o respeito à autonomia e ao direito de construir o que queremos.

A nossa luta é todo dia, contra o racismo, machismo e LGBTfobia!

Brasília, 25 de fevereiro de 2016.


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