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Levante marca Golpismo na testa da Globo em SP

O mural em homenagem a Rede Globo amanheceu diferente na manhã de hoje (17), na marginal Tietê, em São Paulo (SP). O Levante Popular da Juventude realizou uma intervenção no mural criado para comemorar os 50 anos da emissora, colocando balões de conversa nas imagens de Roberto Marinho, William Bonner e Luciano Huck com as frases “Em 1964 foi a minha vez, agora é com vocês” e “Fica tranquilo Dr. Roberto! Esse golpe é nosso! Boa noite! “

 

Segundo o movimento, a manifestação contra a Globo tem como principal objetivo denunciar a emissora como golpista por sua atuação no passado até os dias de hoje. A emissora é filha bastarda do golpe militar de 1964. o então diretor do jornal O Globo Roberto Marinho foi um dos principais incentivadores da deposição do presidente João Goulart, dando sustentação ideológica à ação das Forças Armadas. Um ano depois, foi fundada a sua emissora de televisão, que ganhou as graças dos ditadores. O império foi construído com incentivos públicos, isenções fiscais e outras mutretas. Os concorrentes no setor foram alijados, apesar do falso discurso global sobre o livre mercado. Nascida da costela da ditadura, a TV Globo tem um DNA golpista. Apoiou abertamente as prisões, torturas e assassinatos de inúmeros lutadores patriotas e democratas que combateram o regime autoritário. Fez de tudo para salvar o regime dos ditadores, inclusive omitindo a jornada das Diretas Já na década de 80. Com a democratização do país, a emissora atuou para eleger seus candidatos – os falsos “caçadores de marajás” e os convertidos “príncipes neoliberais”.

 

Atualmente, a TV Globo segue em sua militância contra todo e qualquer avanço progressista, atuando na desestabilização de governos que não rezam integralmente a sua cartilha. A emissora tem apoiado abertamente a escalada golpista no país, dedicando seus holofotes ao apoio das ações pró-impeachment. Apesar do estarrecimento da imprensa internacional frente ao golpe em curso, os Marinho têm dedicado extensa programação para legitimar o Golpe, além de criminalizar e silenciar sobre os movimentos pela democracia. Para Mariana Fontoura, militante do movimento “A intervenção do mural foi um ato simbólico para alertar essa emissora golpista de que o povo está atento e não perdoará o que está acontecendo. Os meios de comunicação, como uma concessão pública, deveriam assumir como princípio a ética e o respeito à pluralidade democrática, coisa que esse oligopólio que é a Globo nunca fez”.

 

Fotos NINJA

Fotos NINJA

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[PAPO RETO] É PRECISO ARMAR O POVO COM UM NOVO PROJETO

O pobre Pinóquio, aquele que toda vez que mentia o nariz crescia, se sentiria humilhado diante dos golpistas de tão alto nível que andam soltos por essas terras. Já não se preocupam mais em afirmar que não importa a lei ou se há algum crime ou não, usam este discurso apenas para que seus apoiadores não fiquem tão nus em praça pública. O vício em mentir e encobrir golpes vem de longa data, a última foi em 1964 quando um golpe militar instaurou uma longa ditadura de 21 anos. Porém, segundo os golpistas mentirosos, não foi um golpe e sim uma “revolução”. Sim, uma “revolução” que era a salvação do Brasil contra o comunismo, a corrupção e pela manutenção da paz e da ordem social. Na verdade era a contrarrevolução. Era a derrota das “reformas de base” propostas pelo governo Jango e apoiadas por amplos setores da classe trabalhadora e do povo brasileiro; era a derrota do projeto que aprofundaria a democracia e aumentaria a soberania e o controle da economia pelo povo. No lugar disso, nossos golpistas mentirosos implantaram um modelo econômico antinacional, antipopular e silenciaram e assassinaram homens e mulheres, muitos deles jovens, que corajosamente combateram o regime.

Hoje, abril de 2016, mais uma vez os adoradores do Pinóquio, a elite brasileira, resolvem dar outro golpe e contar outra mentira: dizem que o “impitiman” não é golpe. Mentira. Desta vez o golpe é sofisticado, usa toga, colete a prova de balas e potentes câmeras de TV. Seus soldados usam terno e gravata e alguns, pela toga preta, talvez pensem que são algum tipo de homem-morcego dos trópicos. A corrupção é novamente o motivo central da implacável luta, ou seja, mais uma mentira. Uma mentira porque até o mais desinformado sabe que Eduardo Cunha e sua gangue, que estão conduzindo o “impitmam”, são de fato os maiores criminosos do país. Uma mentira porque em nome do combate a corrupção se cometem todos os crimes possíveis contra a constituição e inclusive se permite que corruptos tentem derrubar uma presidenta que não é sequer acusada. Deveriam estar todos presos. É um golpe, e disso não temos mais dúvidas.

Diante desse golpe uma ampla resistência se levantou desde o dia 18 de Março. Uma resistência ainda difusa, espontânea em grande medida, e que vem ganhando apoio em amplos setores da sociedade. São milhares de pessoas, muitas delas jovens, que vão além do campo de defesa do governo ou do PT, pois está claro que não se trata mais apenas do governo Dilma, mas sim de defender as mínimas garantias democráticas conquistadas com o fim da ditadura.

A defesa da democracia contra o golpe é a tarefa da hora. Porém, a questão central é: qual estratégia manterá nas ruas esse levante? Sem isso, podemos perder a energia e a força necessárias para mudar a correlação de forças para mudar os rumos da política e da economia. Por isso, o Projeto Popular nunca foi tão necessário como agora. Qualquer que seja o desfecho da luta que estamos travando estará na ordem do dia a necessidade de mudanças profundas. A crise é de longo prazo.

A probabilidade de o golpe triunfar existe porque os setores que o desejam não vão recuar, e muitos podem ser os caminhos para a sua realização. Entretanto, não podemos imaginar que o reino da farsa neoliberal que será implantado e seu projeto antinacional e antipopular serão aceitos passivamente, que o povo voltará para casa e seguirá sua vida normal.

A derrota do golpe é hoje também possível e, nesse caso, também um novo projeto precisa entrar na ordem do dia. Será impossível qualquer avanço com o esgotado neodesenvolvimentismo que, na prática, já não existe. De início se fará urgente e necessária uma reforma profunda do sistema político brasileiro que, nesse momento, caminha como um morto-vivo atrás de algum cérebro desavisado que ainda não percebeu o seu fim. Uma constituinte exclusiva que altere todo o sistema é de interesse nacional nesse momento. Também uma ampla guerra pela democratização dos meios de comunicação será inadiável. O controle do petróleo por uma Petrobras 100% estatal, um amplo investimento na geração de empregos e retomada da indústria nacional. Ampliação maciça nos programas de acesso a educação. Esses são apenas alguns pontos que já são praticamente consenso entre os que defendem a democracia e pensam um novo país.

Portanto, independente do que nos aguarda, necessitamos colocar o projeto popular na ordem do dia. Esse amplo movimento de resistência ainda não atingiu seu ponto alto, não conquistou o coração da classe trabalhadora. E aí está a nossa tarefa: usar todo o potencial da juventude para debater e construir em cada canto do país o projeto do povo brasileiro. É visível em todas as manifestações que estão ocorrendo que o sonho de um novo Brasil pulsa e já não cabe nas velhas roupas que usa. Esse novo Brasil não sairá de um golpe, ao contrário, o golpe anularia esse sonho.

É preciso se armar de um novo projeto. Só será possível vencer e manter o ânimo se o sonho de um novo Brasil for construído ao lado da defesa da democracia e estiver vivo no coração de quem luta. É preciso isso para afastar o pesadelo do fascismo que cresce e mostra a que veio nas inúmeras agressões cotidianas que estamos vendo.
A história nos trouxe até aqui, é a hora de assumir nosso papel. São milhões contra o golpe, em sua grande maioria jovens. E nossa tarefa é debater e organizar a força capaz de destruir com nossos verdadeiros inimigos, e fazer dessa resistência um levante popular do povo brasileiro.


A juventude na luta contra os agrotóxicos e pela vida

Augusto Neto, Levante Popular da Juventude – RN
Winnie Lo, Levante Popular da Juventude – SP

Para a sociedade do capital, saúde e alimentação dependeriam apenas da opção individual pelo “estilo de vida” prescrito por especialistas. A forma como a sociedade produz a vida e as riquezas constroi nos nossos corpos a saúde ou o adoecimento. Saúde é bem mais que não ter doenças no corpo: a juventude, por exemplo, precisa primeiro sobreviver à violência no campo e na cidade para seguir construindo um projeto de vida, o Projeto Popular.

Todos os dias ingerimos venenos quando nos alimentamos. Nossas refeições estão contaminadas porque cultivos em todo o Brasil são pulverizados com grande quantidade de agrotóxicos. Tanto a saúde humana como soberania popular estão ameaçados pelo modelo de produção agrícola da sociedade capitalista. Este modelo é o Agronegócio, que fortalece e incentiva o uso de agrotóxicos e transgênicos na produção de alimentos.

Na Segunda Guerra Mundial, o agrotóxico Agente Laranja foi a arma química do exército americano contra o povo vietnamita. Após a guerra, esses produtos passaram a ser difundidos na agricultura e na saúde pública. Mais de 50 anos depois, esses venenos hoje prejudicam a saúde de povos do mundo inteiro.

lofopreto2_agrotoxicos1Os efeitos dos agrotóxicos sobre o organismo humano podem ser tanto agudos ou crônicos. Na exposição direta ao veneno nas unidades de fabricação de agrotóxicos ou no momento da sua aplicação, seja pelos trabalhadores rurais na agricultura, seja pelos agentes de saúde no controle do mosquito Aedes aegypti, podem causar dores no corpo, tonturas, irritação, ansiedade, náuseas ou vômitos. Já os efeitos crônicos levam anos de contato com o veneno ou seus resíduos acumulados no corpo para se manifestar. Desde a má formação de fetos, distúrbios hormonais, neurológicos e mentais, cânceres e suicídios. A guerra se tornou cotidiana.

No ano de 2014, 42,2 milhões de hectares estavam plantados com transgênicos e 914.220 toneladas de agrotóxicos foram vendidas no Brasil. Quando os recursos para garantir a produção de alimentos (terras, empresas, bancos) estão nas mãos de poucos, escolher o que produzimos e consumimos vira um privilégio. O Brasil é um dos países com maior concentração de terras e mantém o título de maior consumidor de agrotóxicos desde 2008, o que é bem mais que 7 a 1 para a saúde humana e ambiental. A alimentação, em vez de direito básico, continua uma mercadoria.

A atual ministra da Agricultura, Kátia Abreu, quando presidia a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), defendeu que brasileiros que ganham salário mínimo precisam comer venenos. Ontem, a CNA se posicionou em favor do impeachment da presidenta Dilma, o que não é surpresa para os grandes proprietários rurais que sempre rechaçaram os interesses nacionais e populares. A Bancada Ruralista, defensora dos interesses do agronegócio no Congresso Nacional e no Senado, foi eleita com amplo financiamento privado do agronegócio, blindada pela mídia golpista e pelo sistema político onde o povo não tem voz.

Em 2016 se completam duas décadas da impunidade do Massacre de Eldorado dos Carajás, no Pará. É preciso recordar a ousadia de Oziel Alves Pereira, que tinha 17 anos quando tombou na luta contra o latifúndio. Das Ligas Camponesas à Via Campesina, quem luta para distribuir as terras e produzir alimentos saudáveis para todas as famílias brasileiras sempre foi criminalizado e assassinado. Como forma de resistência, a Reforma Agrária Popular se apresenta como um modelo de agricultura, alimentação e sociedade que contemple tanto a Soberania Alimentar (quando as pessoas podem escolher como produzir) como a Segurança Alimentar e Nutricional (quando as pessoas têm acesso a comida de verdade sem abrir mão de outros direitos básicos).

Num contexto de crise econômica, a direita ameaça retirar o dever do Estado com a nossa saúde, mas não teremos opção de não adoecer. O povo preto e pobre e as mulheres serão os primeiros afetados, pois além do subfinanciamento dos serviços públicos de saúde, as demissões, o arrocho salarial e a retirada de outras políticas sociais irão piorar as condições de vida. É às custas do nosso sofrimento que a saúde privada quer aumentar os seus lucros.

O momento é da juventude do Projeto Popular reafirmar que “Saúde é Democracia” e defender as conquistas democráticas e populares contra o golpismo e os retrocessos sociais. Por isso, a defesa da PEC 01/2015 é indispensável para garantir maior financiamento para o Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, avancemos a passos firmes rumo a uma Constituinte com participação popular sobre o sistema político: somente combatendo a concentração do poder se constrói saúde e reforma agrária popular!


[PAPO RETO] A JUVENTUDE QUE VAI BARRAR O GOLPE

O golpe que está em curso já iniciou o seu rito na Câmara Federal: com a abertura da primeira sessão (21 de Março) da Comissão de Impeachment à Dilma Rousseff. Por que denunciamos o impeachment que está sendo discutido na Câmara como o GOLPE? Até o presente momento, não foi apresentando nenhuma prova que demonstre que Dilma cometeu algum crime de responsabilidade.

O principal argumento dos golpistas de plantão é que Dilma realizou as pedaladas fiscais, que objetivamente é: o Executivo Federal pede empréstimo algum banco público (Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil) para garantir recursos para alguns programas sociais; e posteriormente pagá-los. Fernando Henrique Cardoso e Lula quando eram presidentes da República realizaram essa mesma ação e não foram “impeachmados”.

A saída apresentada pelo impeachment (vulgo GOLPE) da Dilma será um dos maiores retrocessos dos últimos 30 anos. Estão golpeando a nossa frágil democracia. Michel Temer e seus aliados que juntam parcelas da elite brasileira se esforçam em se apresentar como uma saída diante desta crise política. Inclusive já apresentaram uma plataforma pós-golpe: “Uma ponte para o Futuro”. Que na prática será um retorno do derrotado neoliberalismo da década de 90: retirada de direitos trabalhistas e sociais, privatizações das empresas estatais, subordinação aos EUA na política externa.

No ultimo dia 31 de março, ocorreram em mais de 90 cidades do Brasil manifestações contrárias à proposta ao golpe, convocadas pelas Frentes Brasil Popular e Povo sem Medo. A juventude vem participando com cada vez mais força das manifestações das forças democráticas e populares. A tarefa central da juventude neste atual momento é construir comitês contra o golpe nos seus mais diversos locais: quebradas, centros de cultura, faculdades, universidades e escolas. Estes comitês devem ser centros irradiadores de agitação contra o Golpe.

Ao mesmo tempo, é necessário apontarmos e denunciarmos quem são os promotores e os maiores interessados nesse Golpe. Neste sentido, a Globo tem se colocado de forma cada vez mais explícita como o partido da Direita, dando a liga à Frente Golpista, conformada por setores do Judiciário, setores empresariais e por organizações proto-fascistas, travestidas de movimentos sociais. Para tanto, o próximo dia 8 de Abril será um momento decisivo para promovermos escrachos em todas as sedes da Rede Globo pelo Brasil.

A juventude será afetada diretamente pela avalanche desta onda neoliberal que quer retornar ao Brasil. Devemos seguir o exemplo da juventude que combateu a Ditadura Militar: demonstrando exemplo para o conjunto do povo brasileiro a necessidade de lutar e de se organizar contra aqueles que não defendam o interesse da juventude. Portanto, devemos ficar em constante alerta contra as forças golpistas e conservadoras, pois nós derrotaremos nas ruas a saída golpista de Michel Temer, Eduardo Cunha, Aécio Neves e cia.

JUVENTUDE DO BRASIL?
É FOGO NO PAVIO!


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