Monthly Archives: julho 2016

RUMO AOS 7 MIL! NO HORIZONTE, UM PROJETO POPULAR PARA A JUVENTUDE DO NOSSO PAÍS!

Animação, mística, força e luta marcaram o lançamento do 3° Acampamento Nacional do Levante Popular da Juventude. O evento aconteceu, em Belo Horizonte (24), durante o Festival Nacional de Arte e Cultura da Reforma Agrária e contou com a presença de militantes das cinco regiões do país.

O Acampamento Nacional é a meta síntese do Levante, é durante esse encontro que toda a militância se reúne em uma discussão coletiva sobre os rumos e aprofundamentos do movimento. O 3° encontro, que vai reunir, entre os dias 5 a 9 de setembro, 7 mil jovens no estádio do Mineirinho, em Belo Horizonte, tem como lema “Nossa rebeldia é o povo no poder!”

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Dada a largada para o 3° Acampamento Nacional do Levante Popular da Juventude

O tema resume a luta, desejo e meta do movimento. Diante da conjuntura política, onde vivenciamos um golpe contra a nossa democracia, e o avanço das forças conservadoras, enfrentado não só no Brasil, mas em todos os territórios que se opõe à exploração do capitalismo, nós Levante Popular da Juventude, entendemos que se faz urgente, mais do que nunca, colocar em prática um projeto popular para o Brasil, é o que afirma um dos dirigentes nacionais do movimento, Thiago Pará “Nós, a juventude da classe trabalhadora, carregamos dentro de nós um sentimento que é explosivamente rebelde, que é fruto de anos e anos de exploração, opressão e massacre. É esse sentimento de rebeldia, represado em cada um e cada uma de nós, que nos coloca a tarefa urgente de fazermos um acerto de contas com o imperialismo que subjuga e explora os nossos povos!” afirma.

O lançamento do evento é fruto de um seminário preparatório de construção do Acampamento. A formação, que aconteceu entre os dias 21 e 24 de julho, trouxe um panorama sobre a situação política e social do país, com análises de militantes como Ranulfo Peloso e Fernanda Jatobá – ambos do CEPIS, Frederico Santana – da Consulta Popular e também do internacionalista Umut Kocagoz da Organização Çiftçi-sen (Via Campesina) que falou sobre a situação dos jovens diante da tentativa de golpe na Turquia.

Entendemos que o maior desafio apontado para os nossos jovens é enfrentar a situação do nosso país propondo um projeto popular para o Brasil, através de uma plataforma de luta que articule todos os setores da juventude brasileira. Unifique o campo, a cidade e a favela em torno de uma proposta democrática e popular para o nosso país, que se dará, fundamentalmente através da implantação de uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Brasil.

Para Joceli Andreoli – Coordenador Nacional do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) o Levante aparece no cenário de luta nacional, como um norte para a juventude brasileira “Eles dizem que a luta terminou, nós dizemos ela apenas começou! Nós precisamos reconstruir um projeto que leve a cabo a revolução brasileira, pra nós nos emanciparmos enquanto povo nação e é nisso que a gente deposita a esperança no Levante. É pra isso que nasceu o Levante, é pra fazer a revolução brasileira.”

Em suas primeiras edições, os Acampamentos Nacionais do Levante, aconteceram no Rio Grande do Sul e em São Paulo, agora, é a vez de Minas Gerais. Para Andréia Roseno, militante da FETRAF, receber o evento no estado é um ganho para a luta dos mineiros “Minas Gerais está irradiada porque aqui nos estamos culminando alguns anos de luta. Precisamos de justiça para a juventude, precisamos de justiça para a classe trabalhadora!”

Além da FETRAF e do MAB, o evento também contou com a presença de representantes de outros movimentos parceiros ao Levante, como Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, a Marcha Mundial das Mulheres, a Pastoral da Juventude Rural, a Coordenação Nacional de Entidades Negras, Fora do Eixo entre outras entidades.


SEMINÁRIO NACIONAL CAROLINA MARIA DE JESUS: ESSA CASA É NOSSA!

Depois de uma imersão de 5 dias, estudando, debatendo e analisando as diretrizes para o 3° Acampamento Nacional do Levante Popular da Juventude. Saímos do Seminário Carolina Maria de Jesus, renovados na luta e certos de que este é o momento crucial para colocarmos em prática a nossa proposta de sociedade para o Brasil.

Dizemos e afirmamos que a “Nossa rebeldia é o povo no poder” por isso, neste 3° encontro que se aproxima, precisamos nos manter firmes na construção do projeto popular. Uma proposta de vida para a juventude brasileira que atue contra o genocídio da juventude negra, o racismo, machismo e a LGBTfobia. Que priorize a universalização e acesso ao ensino superior. Por uma proposta que forneça à nossa juventude trabalhos dignos, que não nos explorem. Um projeto que não subordine os jovens camponeses à migração, que garanta a eles o direto à terra. E que também contemple o acesso à cidade aos jovens que, majoritariamente, são marginalizados nas periferias do Brasil, bem como à saúde e à cultura. Que democratize os meios de comunicação, para que o nosso povo não seja manipulado por uma mídia corrupta.

photo715570199401703507Por fim acreditamos que o principal passo para esse nosso projeto é a consolidação de uma Constituinte soberana e exclusiva do sistema político brasileiro. É através do atual modelo de gestão do nosso país, que os nossos povos são explorados, marginalizados e violentados. É através do atual modelo de gestão do nosso país, que somos jogados no quarto de despejo.

O Acampamento Nacional em terras marcadas pela exploração do imperialismo

O crime de Mariana despejou por 826 km um rastro de lama que cheira a morte de nossas terras, roubadas pelo agronegócio, reviradas pela mineração, dos nossos rios drenados pelas barragens, das nossas cidades marcadas pela pobreza, violência e exclusão, da vida de jovens exterminados, de um sistema político nas mãos de uma elite corrupta e assassina, vendida ao imperialismo. Só a luta trará justiça para Mariana, só a luta mudará a vida! E a vida necessita ser uma nova vida! Por isso nós, jovens, do Levante Popular da Juventude nos movemos organizados em nossos bairros, comunidades, escolas e universidades por um novo projeto para o Brasil, um projeto popular!

O Acampamento Nacional será um momento importante na trajetória de lutas de Minas Gerais que traz em seu leito histórico a resistência do povo Borun contra a invasão colonial, o quilombo dos Ambrósios, a luta de Chico Reis pela libertação de cada homem e mulher escravizada, a resistência estudantil a ditadura militar, a resistência dos sem terra em Ariadnópolis, as greves dos professores do SindUTE, o picho no concreto, as marchas pelo asfalto.

Em setembro virá um Levante Popular da Juventude do Brasil inteiro para declarar com nossas cores, amores e saberes esse novo Brasil que nasce de nós, germina por nossas células, pela certeza que essa obra caberá somente ao povo brasileiro.

Encerramos o nosso Seminário Nacional Carolina Maria de Jesus com o compromisso de viralizar e enraizar um novo projeto de vida para a juventude brasileira, sem as marcas da exclusão social, econômica, política e cultural. Voltamos para os nossos estados marcados pela força e luta dessa mulher-trabalhadora-escritora que nos alertou: jogaram o nosso povo num Quarto de Despejo, mas somos a voz de milhares de jovens e eles não nos calarão, essa casa é nossa! O Brasil é nosso!

E será por esse exemplo de vida, com a mesma força e ousadia que mobilizaremos jovens de centenas de cidades para o 3º Acampamento Nacional! Em 2012 fomos mil, três mil em 2014 e agora seremos sete mil jovens.

Percorreremos rios e estradas, horas e dias, para chegar até Minas Gerais. O que nos move? O que nos faz um em meio a toda a nossa diversidade? É o peito que se enche de rebeldia, as cabeças que florescem sonhos e as mãos que chamam por outras mãos!

É tempo de avançar de mãos dadas! É tempo de acender a rebeldia e apontá-la para a tomada do poder!

A NOSSA REBELDIA É O POVO NO PODER!


25 JULHO DIA INTERNACIONAL DA MULHER NEGRA

A voz de minha filha/recolhe todas as nossas vozes/recolhe em si/as vozes mudas caladas/engasgadas nas gargantas/A voz de minha filha /recolhe em si /a fala e o ato. Vozes – Conceição Evaristo

*Por Andréia Roseno

Hoje é 25 de julho dia da mulher negra latino-americana e caribenha. Data de resistência e luta. Diferentemente do 8 de março que também é de luta, mas que a sociedade do consumo insiste em atesta-lo como data mercadológica.  Hoje diante da hipocrisia dessa sociedade racista não receberemos botões de rosa que geralmente são brancas e vermelhas. As flores que nos dão diariamente são os crisântemos que muitas mulheres negras colocam sobre o caixão dos seus filhos e filhas mortos por essa sociedade capitalista racista e patriarcal.

No Brasil, os resquícios coloniais impõem sobre as mulheres negras um determinado padrão de como enfrentar a vida. Somos chamadas de fortes, mas assim somos não porque queremos e sim porque temos que ser.

Nos últimos dias nas redes sociais lançou-se uma campanha onde as mulheres relatam as vivências como empregadas domésticas. Os relatos é a constatação do racismo brasileiro. Outro fato revoltante foi a publicação de um vídeo onde a gerência de um certo estabelecimento comercial grava uma mulher negra trabalhando e a chama de escrava.  Quando esses casos e outros saem na rede social se trata da ponta iceberg da condição em que vive o povo negro no Brasil, em especial as mulheres. Pelas estatísticas oficiais o racismo é funcional para a sociedade capitalista e faz parte do seu mecanismo de reprodução perdurar, naturalizar e perpetuar as opressões nas relações sociais a fim de manter os privilégios da classe burguesa.

A marginalização que essa sociedade nos causou e nos causa devido a sua estrutura persiste em ser um dos atos mais cruéis que lidamos no dia –a dia. Temos nossos corpos violados e propagandeados como objetos sexuais e ao mesmo tempo somos sujeitadas a uma solidão impositiva que nos marca como fel. Sendo que com o tempo a digestão dessa solidão vai nos tirando o sorriso, contudo ainda assim, exigem que sejamos dispostas e sorridentes. Mas falar sobre como o racismo e o machismo nos afeta subjetivamente é considerado muitas vezes “mimimi”…

Com tudo, ainda temos uma rebeldia criadora vinda do fundo das nossas entranhas que perpassa pela nossa ancestralidade e grita pulsante no interior de nossas periferias. Somos as mulheres que afronta essas mazelas e estamos dizendo em palavras e ações que não aceitaremos mais esse lugar e esse papel determinado tal como um contrato pré-nupcial. Estamos rompendo com esse sistema.

Assim ano passado construíamos a Marcha Nacional das Mulheres Negras um marco histórico no enfrentamento ao racismo no Brasil. Este ano as negros e negros estão nas ruas pela democracia e denunciando o golpe contra o povo brasileiro.

Neste dia 25 de julho nós mulheres negras brasileiras nos solidarizamos com a presidenta Dilma e com os punhos cerrados e erguidos gritamos #FORATEMER! Vamos para as ruas nos amando #SEMTEMER.

Recolher a voz e o ato é a última estrofe do poema Vozes da escritora mineira Conceição Evaristo.  Recolhendo a voz e o ato para explodir rebeldia matinais em cada canto desse país.  Somos as filhas herdeiras de Nzinga, Thereza de Benguela, Luiza Main, Negra Zeferina, Lélia Gonzáles, Caroline de Jesus, Clementina de Jesus e tantas Marias.

Somos mulheres negras latino-americanas e caribenhas e não tememos a morte. Com a energia das yabás, somos as mulheres do projeto popular. Somos fogo no pavio! Até a vitória!

 

*Militante da Consulta Popular e FETRAF

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MILITANTES DAS CINCO REGIÕES BRASILEIRAS SE REÚNEM EM BH PARA PREPARAÇÃO DO ACAMPAMENTO NACIONAL

Jovens das cinco regiões brasileiras se reúnem em BH para preparação do Acampamento Nacional do Levante

Começa hoje o Seminário Nacional Carolina Maria de Jesus que reúne 200 militantes do Levante Popular da Juventude, de 20 estados além do Distrito Federal, para pensarem juntos os caminhos da atuação do movimento para o próximo período.

Os militantes se reúnem no Centro de Referência da Juventude de Belo Horizonte, em conjunto com ao Festival de Arte e Cultura da Reforma Agrária, que acontece na Praça da Estação. Dentro da programação que vai até sábado (24), estão contemplados espaços de análise de conjuntura e rodas de conversas sobre os desafios da juventude brasileira.

O Seminário acontece como preparação e construção do Acampamento Nacional, instância máxima de deliberação do programa político do movimento, que acontecerá entre os dias 5 e 9 de setembro no Estádio do Mineirinho.

Saiba mais sobre o Seminário: http://levante.org.br/blog/?p=1144

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