Monthly Archives: julho 2016

EM BRASÍLIA, LEVANTE FAZ ATO CONTRA JAIR BOLSONARO

Na tarde deste domingo (17), em virtude do encerramento da quarta etapa da Escola de Formação Emerson Pacheco, o Levante Popular da Juventude, na Feira da Torre de TV em Brasília (DF), realiza ato político-cultural contra o avanço do conservadorismo e do fascismo, contras os discursos de ódio disseminados nas redes sociais e nos espaços políticos e contra a criminalização dos movimentos sociais. Não aceitaremos nenhum retrocesso aos direitos da classe trabalhadora, das mulheres, dos negros e negras e dos LGTB. Nesse sentido, há de destacar que uma das primeiras medidas do governo golpista, presidido por Michel Temer, foi a extinção do Ministério das Mulheres, Igualdade Racial, Juventude e Direitos Humanos.

Assim, o ato político que realizamos denuncia também o ataque fascista, carregado de lesbofobia e misoginia, ocorrido na madrugada do dia 29 de junho contra Mayra de Souza, militante do Levante Popular da Juventude. O agressor, Diego Oliveira da Rocha, na ocasião do ataque e recorrentemente nas redes sociais defende as ideologias políticas do deputado Jair Bolsonaro, que incita o machismo e o estupro dentro e fora da Câmara dos Deputados, elogia aos torturadores da ditadura militar e contribui para a disseminação do ódio, prejudicando a consolidação de uma cultura democrática pautada pelos direitos humanos e fundamentais. Somente por meio de uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político será possível superar a subrepresentação da juventude, de mulheres, LGBTs, negros, trabalhadores, camponeses e indígenas no Congresso Nacional.

O ideário político defendido e divulgado pelo deputado Jair Bolsonaro implica o ataque aos fundamentos da dignidade humana e do regime democrático, bem como representa o retrocesso de direitos e liberdades. A base do governo golpista atua para invisibilizar e criminalizar os movimentos sociais e toda luta que busque a transformação social e a emancipação humana. Reivindicamos uma sociedade sem opressão, exploração e violência.

#ForaTemer

#ForaBolsonaro

#CunhaNaCadeia

Nossa rebeldia é o povo no poder!

SEMINÁRIO NACIONAL CAROLINA MARIA DE JESUS COMEÇA NESTA QUINTA

Inspirados pela história de vida, de luta e resistência de Carolina Maria de Jesus, o Levante Popular da Juventude realizará, entre os próximos dias 21 e 24, o 2º Seminário Nacional Carolina Maria de Jesus, em Belo Horizonte (MG).

O seminário, que reunirá mais de 200 jovens de todo o Brasil, tem como objetivo a preparação para o 3º Acampamento Nacional que tem como lema “A nossa rebeldia é o povo no poder!”, e acontecerá de 5 a 9 de setembro, também em Belo Horizonte, e pretende reunir 7 mil jovens.

Em um momento de crise econômica, política e social no Brasil, onde o governo golpista e entreguista de Michel Temer adotou uma agenda neoliberal e medidas antipopulares, que vem atacando os direitos das trabalhadoras e trabalhadores e ameaçando a soberania nacional, é fundamental que a juventude, que sempre esteve presente nos processos de transformação social em todo o mundo, se organize para lutar em defesa dos direitos do povo brasileiro.

Para Nataly Santiago, da coordenação do movimento, a saída para as crises que enfrentamos passa necessariamente pela construção de um projeto de sociedade, algo que as elites e governantes do Brasil nunca foram capazes de pensar e concretizar. “Superar a crise política só será possível através de mudanças profundas no sistema político brasileiro. Além da necessidade da realização de reformas estruturais, como a reforma agrária, urbana, tributária, entre outras, para melhorar a vida do povo”, comenta a militante.

A necessidade de construção de um programa político para a juventude

É preciso compreender a diversidade da juventude e os desafios que ela enfrenta, estando no campo ou na cidade, nas periferias, fábricas ou universidades. Sendo LGBTs, mulheres ou negros e negras, sujeitos e sujeitas que sofrem com a estrutura racista, patriarcal e capitalista da sociedade brasileira, que explora, domina e mata a juventude todos os dias. E nesse sentido, refletir e construir um programa político para a juventude, que leve em conta essa diversidade e as reais necessidades, é tarefa da juventude organizada.

Carolina Maria de Jesus: catadora de letras e inspiradora de luta.

Mulher, preta, favelada, mãe, catadora de lixo e escritora: Carolina Maria de Jesus é nossa homenageada. Foi moradora da favela do Canindé, em São Paulo nos anos 50, catava lixo como forma de garantir seu sustento e de seus 03 filhos, escrevia sua experiência em diários, nos papéis que encontrava no lixo.

Através de uma de uma perspectiva única, a de quem sente na pele a dor e o peso de ser uma mulher negra e pobre numa sociedade que tem bases racistas e machistas, Carolina utilizou os diários para falar das desigualdades sociais e sobre a condição humana. Falou da Cidade, a quem chamou de sala de visitas. Falou da favela, a qual chamou de Quarto de Despejo. Falou da fome, a quem deu a cor amarela.

É dessa mulher, que resistiu, lutou pra comer, pra viver, alimentar e manter vivos seus filhos, que morreu anônima como se não fora ninguém, que buscamos inspiração para resistir, organizar a juventude e lutar pela construção de uma nova sociedade, com novos valores e novas práticas, onde não haja exploradores e nem explorados.

Carolina se mantém viva nas palavras, nas ações, na resistência e no punho erguido de quem luta!


FORA TEMER: ESSA LUTA NOS UNE!

Luiza Gaillac, do Levante de Minas Gerais

 

O Movimento Estudantil Brasileiro tem hoje grandes tarefas: 1) Resistir contra os retrocessos dentro da Educação Brasileira; 2) Lutar pela democracia, pela volta e permanência até o fim do mandato de Dilma Roussef; 3) Construir e defender um Projeto Popular para a Educação. No contexto das Universidades Privadas, a análise de conjuntura e a necessidade de lutas se tornam ainda mais complexas. A mercantilização da educação é direta e cotidiana, há poucos dias foi anunciada a fusão do Grupo Estácio e do Grupo Kroton, cerca de 1,6 milhão de alunos em todo o país terão suas vidas decididas por acionistas e a qualidade de ensino será decidida de acordo com o valor de mercado. A educação é vista como mercadoria, o que se traduz num ensino de má qualidade e descolado da realidade da população.

Os programas de governo Programa Universidade para Todos (PROUNI) e Fundo de Financiamento do Estudante do Ensino Superior (FIES) promoveram um aumento significativo do número de jovens na Universidade. Criados no início dos anos 2000 estes programas se preocuparam em garantir as vagas e não podemos negar que é um avanço, dado que uma parcela da classe trabalhadora que não teve o acesso anteriormente tem hoje entrada no ensino superior, no entanto, é necessário ressaltar que não há nenhum suporte, assistência estudantil que garanta a permanência desses estudantes na Universidade, ou a qualidade do ensino a ele garantido.

Desde o início de 2015 sofremos grandes retrocessos na educação brasileira, desde a suspensão do programa de intercâmbio Ciências Sem Fronteiras até o corte de verbas de 75% na CAPES, praticamente congelando a pesquisa científica no país. Tais retrocessos praticados pelo então governo Dilma Roussef a partir do Ajuste Fiscal idealizado pelo ex-Ministro da Fazenda Joaquim Levy por si só já foram um duro ataque para a educação no país. Políticas adotadas por um governo ‘progressista’, que cedia à pressão da elite brasileira num contexto de crise internacional. A aposta dos governos Lula e Dilma na conciliação de classes pensando garantir estabilidade política e econômica, garantiu avanços tímidos para vários setores. Na educação esses avanços refletiram no acesso de milhões de pessoas na universidade, e destes a grande maioria nas universidades particulares, no entanto ainda muito distante das reformas de base da educação ou da alteração da lógica de mercantilização do ensino nas universidades particulares.

A realidade se agrava ainda mais quando vivemos no cotidiano o Golpe instaurado no Brasil. Sentimos sua concretização nos altos custos com alimentação, mobilidade, material didático e atividades extracurriculares, ainda sofremos com o alto valor das mensalidades e os aumentos sem regulamentação e/ou fiscalização, a queda do PROUNI e a alta de juros no FIES. O corte do PROUNI e do FIES é a retirada desses jovens de origem popular da universidade. É um golpe num projeto, mesmo que frágil, de desenvolvimento. E ainda temos em risco muitos direitos trabalhistas historicamente conquistados, e deve se lembrar que o mundo do trabalho é a realidade de muitos estudantes do ensino privado.

O governo interino golpista tem como Ministro da Educação o deputado federal Mendonça Filho (DEM-PE), deputado este que foi contra o PROUNI e antigo aliado de outro traidor do povo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Há atualmente, o risco iminente da não obrigatoriedade dos royalties do Pré-Sal para a Saúde e Educação, a mudança no método de partilha da Petrobrás, a tentativa de fusão do Ministério da Educação e da Cultura, o risco de suspensão sem previsão de retorno do PROUNI e do FIES provocando uma tragédia para a educação brasileira, a perspectiva de privatização não só do ensino superior, mas também do ensino médio e a flexibilização orçamentária em todos os níveis de ensino. O governo interino Temer é essencialmente conservador e reacionário, e tem como base de sustentação atender aos interesses do imperialismo, e seu projeto de educação alienante para formar mão de obra barata nos países dependentes.

Apesar do cenário crítico e dos ataques diretos às organizações da classe trabalhadora, é nítido o crescimento das movimentações populares, a esquerda está em unidade pelo Fora Temer e em defesa da democracia, cabe a todos que assumiram o compromisso pela luta do povo e com o povo, responsabilidade e coerência. Respeito com quem se luta, respeito por quem se luta, entender que estratégias eleitoreiras e sorumbáticas denotam cansaço e ausência de análise de conjuntura tangível. Ser coerente é não cair em manobras desesperadas ou legitimadoras deste golpe, como a proposta de antecipar as eleições, que se dariam no marco do atual e falido sistema político brasileiro. Quem não se convenceu dessa falência ainda, deve rememorar o dia 17 de abril, o show de horrores que foi o dia da votação do impeachment na Câmara dos Deputados.

Só se faz luta com responsabilidade. Há uma movimentação em curso pela antecipação das eleições presidenciais, tal medida é injustificada, não à-toa ela é fomentada por setores de direita e uma parcela extremamente ingênua da esquerda. O sistema político brasileiro não comporta tal medida e é extremamente irresponsável ampliarmos a luta por antecipação da eleições, o poderio econômico é o que dita a política brasileira, a participação popular é cheia de distorções e impede que os representantes do povo defendam, de fato, o povo. Legitimar a antecipação é legitimar o golpe, é jogar na lata do lixo os 54 milhões de votos que elegeram a presidenta, é ignorar e desmerecer os 21 anos de resistência contra a Ditadura Militar, é jogar ao fogo a Constituição de 1988.

Defendemos um novo Sistema Político, construído através de uma Constituinte Soberana. É necessário que as regras do jogo sejam decididas pelo povo, e a partir da Constituinte, iremos garantir as reformas populares necessárias, garantiremos o fim das distorções, a participação do povo na política e sua permanente mobilização. Um Projeto Democrático e Popular para a Educação passa pela maturidade de análise e responsabilidade com as/os estudantes, ser hoje, aluna/o de uma Universidade privada é saber que sua permanência não é garantida; é entender que os primeiros a sentirem os retrocessos são os jovens da classe trabalhadora e que a luta permanente passa pelo cotidiano das salas de aula, pelos grupos de estudo, pelas assembleias, pelas mobilizações de rua, pela defesa da democracia e pela defesa da volta e permanência da presidenta até o fim do seu mandato. Luta se faz na rua, sem ingenuidade e manobras desesperadas. É necessário entender que batalhas são perdidas, e com tristeza assistimos retrocessos, mas eles só se manterão se esmorecermos, se formos precipitados e infelizes em nossas análises tanto internas quanto externas.

A única alternativa possível e que nos dará condição de defender a educação em tempos de golpe e combater sua mercantilização, cumprindo aquelas três tarefas listadas para o movimento estudantil e construir um uma saída popular para essa crise política, econômica e social é o fortalecimento da União Nacional dos Estudantes e da Frente Brasil Popular, é manter a luta onde ela se faz mais forte: na rua, e não vacilar na palavra de ordem “Fora Temer”. A partir deste momento, devemos definir um calendário permanente e nacional de mobilização, tanto dentro das Universidades quanto fora, cabe a nós politizar o debate sobre o Golpe, cabe a nós demonstrar com sinais claros nosso respeito à democracia, cabe a União Nacional dos Estudantes, a maior entidade estudantil da América Latina, mostrar a força e voz dos e das estudantes, contra retrocessos, a favor de avanços, a favor da democracia. O momento pede firmeza e responsabilidade, e responderemos com resistência e luta! Os e as estudantes das universidades privadas estarão nas ruas, engrossando as fileiras de luta, defendendo um projeto de educação soberano para o povo brasileiro.


O RACISMO INCOMODA

por Filipe Rodrigues, Levante MG

O próximo encontro de negros e negras da UNE convoca com o tema: “Minha presença te incomoda? Conquistar direitos e afrontar o racismo”. Ironicamente a chamada é uma pergunta aos brancos, que dificilmente admitem o racismo. Cá entre nós, em um tema importante, cabe a nós compreender que o incômodo não é pela presença negra, e sim pelo racismo. Enxergar ou não enxergar conflitos raciais é uma questão de consciência. Mais, eles estão muito presentes, são fortes e incomodam negros e negras, não aos brancos e brancas.

Ao falar da universidade estamos falando de um espaço de poder. Um convívio recheado de transformações, conhecimentos e oportunidades de um emprego melhor. É um universo de qualificações que pode superar largamente a vertente técnica e profissional. O problema é que a hegemonia do poder é branca. Vivemos numa instituição construída por nós, mas que foi pensada por pouca gente (branca) para pouca gente (branca) com seus referenciais de mundo europeus (brancos) e da elite (branca) norte-americana.

Nossa presença (e nossa ausência em espaços de poder) materializa as desigualdades raciais e relativiza a meritocracia. Mérito não existe sem igualdade de condições. Desse jeito o que existe é privilégio. Por isso as ações afirmativas ainda precisam avançar muito nas universidades para fazer frente ao racismo institucional. Além das desigualdades materiais, veja suas referências de leitura: quantas pessoas negras? Quantos indígenas? Toca no assunto racial? O que fala dos negros, só que foram escravizados? Quantos são de fora da Europa e dos Estados Unidos? Quantos africanos? Sério, depois olhe lá e reflita.

Precisamos pensar além das grades e também o porquê delas… as grades de hoje não são a continuidade dos velhos cativeiros? Pela grade da instituição não acessamos a nossa história, lutas e lideranças. Nos deparamos com um incômodo silêncio sobre a nossa presença positiva na sociedade. Silêncio por vezes quebrado com pequenas aparições que nos inferiorizam. E assim se reproduz o racismo na universidade. Isso é que incomoda.

Cabe a nós tomar consciência, nos qualificar, nos associar e transformar essas práticas institucionais que conservam as hierarquias raciais naturalizadas. Precisamos atuar despertando a consciência sobre a problemática racial; elaborar soluções para os conflitos. Sair do silêncio. Nos formar e agir em conjunto. Oxalá esse ENUNE nos fortaleça pra isso! Afinal, a situação que já era dura antes, fica ainda mais dura agora que a elite organiza seus conhecidos golpes para retirar nossos direitos e manter seus privilégios. Precisamos de toda nossa força.


NOTA EM REPÚDIO À AGRESSÃO LESBOFÓBICA

Precisamos contar essa história por acreditarmos e querermos outra sociedade. Um ataque fascista, carregado de lesbofobia e misoginia, aconteceu na madrugada desta quarta-feira (29/06), em um bar na Samambaia/DF. Diego Oliveira da Rocha agrediu, com xingamentos lesbofóbicos e dois socos no rosto, a estudante e ativista lésbica feminista Mayra de Souza, militante do movimento social Levante Popular da Juventude, enquanto gritava “Bolsonaro 2018”.

Diego usa as redes sociais para destilar ódio às feministas, fazer piadas em relação a estupros, depreciar mulheres e criminalizar os movimentos sociais de esquerda. Já havia se referido à jovem como “sapatão do caralho”, quando no dia 29/06 partiu da violência pela internet para a violência física. A estudante estava com quatro amigas em uma mesa, quando foi abordada por Diego Oliveira da Rocha, que começou a xingá-las, chamando de “vadias” e ameaçando com frases como “pau no cu” e “você vai ver, vem aqui que te mostro”.

Todas as mulheres da mesa são lésbicas e bissexuais e não receberam proteção do estabelecimento onde estavam. Nesse sentido, as entidades que assinam esta nota afirmam que o enfrentamento à violência contra as mulheres e em defesa da livre sexualidade e da liberdade política é uma responsabilidade de toda a sociedade, que deve estar alerta ao avanço do conservadorismo – uma ameaça ao direito à vida a partir da intolerância extrema que desemboca nas múltiplas expressões da violência.

Após vários pedidos das jovens para que Diego Oliveira da Rocha se afastasse da mesa, ele foi ficando mais exaltado, gritando cada vez mais alto e repetindo: “Bolsonaro 2018”, um dos deputados que votaram “sim” ao golpe político em curso no Brasil e cujo voto foi precedido de uma homenagem ao Coronel Brilhante Ustra, torturador da ditadura militar, escrachado pelo Levante Popular da Juventude em 2014. Denunciamos que contra o avanço do fascismo, que impossibilita uma democracia real em nosso país, é imprescindível a unidade popular contra o machismo, a lesbofobia, a bifobia, a homofobia, a transfobia, o racismo e a exploração de classe: o retrocesso de direitos que presenciamos na atual conjuntura política implica e naturaliza o aumento da violência em todas as esferas da vida.

Quando Mayra foi fumar um cigarro, Diego deu o primeiro soco, no olho esquerdo dela. A ativista caiu no chão e, ao se levantar, ele deferiu um segundo golpe no queixo. Durante toda a agressão continuava gritando: “Bolsonaro 2018″. Após as agressões, Diego Oliveira da Rocha covardemente fugiu, apoiado por pessoas do bar para que “se livrasse” do flagrante.

Após fazer um Boletim de Ocorrência e o exame de corpo delito, resta a insegurança: “Estou me sentindo vulnerável, ele não agrediu só a mim, agrediu a uma mesa de mulheres lésbicas e bis, pode agredir outras a qualquer momento, em grupo ou sozinhas”, relatou a estudante. Os índices de violência contra a mulher no Distrito Federal são altíssimos e toda a militância feminista está alerta para denunciar este caso e a impunidade frequente que dá brechas para casos de feminicídio como o da estudante da UnB, Louise Ribeiro, morta no laboratório de anatomia da Universidade de Brasília em março deste ano.

Estamos assistindo ao avanço e ao descaramento de ideologias perigosamente conservadoras, machistas, lesbofóbicas (e todas as outras LGBTfobias), racistas e fascistas em um contexto local, nacional e mundial de ascensão da extrema-direita, de modo que somente pela organização, formação e luta unitária de todas as forças progressistas poderemos barrar o retrocesso de direitos e de liberdade que está em andamento.

A violência cometida por Diego Oliveira e o deputado por ele exaltado Jair Bolsonaro (réu por incitação ao estupro) são símbolos desse avanço conservador, acompanhado da: sub-representação de mulheres, negros, jovens, LGBTs, trabalhadores e camponeses no Congresso Nacional; da invisibilização, ridicularização e criminalização crescente dos movimentos sociais e da luta política; do aumento da violência,

das ameaças e da cultura do medo. Não calarão nossas denúncias acerca das desigualdades estruturais que vivenciamos todos os dias.

Em defesa aos direitos das mulheres, afirmamos que Mayra não está sozinha, exigimos apuração e reparação da violência. Exigimos a punição do agressor, mas não só: precisamos de uma política de mudança cultural e redistribuição de poderes político e econômico, voltada para a transformação social, para vivermos em uma sociedade em que não haja espaço para opressões, explorações e violência. Precisamos falar sobre sexualidades e gênero nas escolas, para desconstruir essa sociedade em que o paradigma de superioridade é o masculino, sempre associado à violência.

Os golpes que atingiram Mayra naquela madrugada de quarta-feira atingiram a todas nós. Diego Oliveira da Rocha não agrediu apenas aquela jovem, mas a todas e todos que lutam por uma nova sociedade em que a emancipação humana seja possível e vamos cobrar justiça!

“Em los jardines humanos
Que adornan toda latierra
Pretendo de hacerun ramo
De amor y condescendencia

Es una barca de amores
Que va remolcando mi alma
Y va anidando em los puertos
Como una Paloma blanca” (Violeta Parra)

Mexeu com uma: mexeu com todas!
#Lesbofóbicos, machistas, golpistas, fascistas: não passarão!
#Visibilidade Lésbica #Resistência Sapatão
Na sociedade que a gente quer: basta de violência contra a mulher!

Assinam esta nota de repúdio:

Levante Popular da Juventude
Coturno de Vênus – Brasília/DF
Consulta Popular
Movimento de Mulheres Camponesas (MMC)
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)
Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)
Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA)
Movimento dos Trabalhadores por Direitos (MTD)
Centro de Estudos e Pesquisa Ruy Mauro Marini
Central de Movimentos Populares (CMP)
Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB)
Frente Brasil Popular DF (FBP)
Movimento Nacional pela Soberania Frente à Mineração (MAM)
Sindicato dos Urbanitários do DF (STIU-DF)
Comitê de Trabalhadoras e Trabalhadores das Secretarias de Políticas para as Mulheres, Igualdade Racial, Juventude e Direitos Humanos pela Democracia
PartidA DF
Marcha Mundial das Mulheres (MMM)
Articulação Brasileira de Lésbicas (ABL)
Associação de Defesa à Liberdade de Gênero do Vale do São Francisco (ADELG)
Grupo Flor de Bacaba – Bacabal/MA
Rede Nacional de Advogadas e Advogados Populares (RENAP – DF)
Coletivo Maria Baderna – Advogadas Feministas
Rede Nacional de Negras e Negros LGBT
Fórum de Mulheres do DF e Entorno
Rede de Mulheres Lésbicas e Bissexuais de Minas Gerais
Coletivo Democracia Corinthiana
Homofobia Não


Páginas:123