Monthly Archives: setembro 2016

28 de setembro – Dia Latino Americano e Caribenho de luta pela descriminalização e legalização do aborto

 

“O Estado é laico
Não pode ser machista
O corpo é nosso, não bancada moralista
As mulheres tão na rua por libertação(…)”

Das faces mais perversas do patriarcado e do capitalismo: a criminalização do aborto.
Pois bem, escrever sobre o aborto é tarefa árdua, tanto que a gente hesita em fazê-lo o dia todo. Olha a hora, atende o telefonema, cumpre tarefa e vai deixando de lado… de lado, até o momento em que não se pode mais escapar. E também não se pretende. Afinal, se sabemos sobre a dificuldade de dizer e o quanto milhares de mulheres são silenciadas por anos é que não devemos nos calar, mas sim, possibilitar a construção de espaços auto-organizados para que outras e mais mulheres falem, relatem seus casos, e possam, aos poucos, com a ajuda das companheiras, estudo e formação, irem se libertando do que nos oprime.

É por saberem que o aborto é crime (exceto em casos de estupro, risco de vida à mãe e a fetos anencéfalos) e, portanto, considerado conduta não aceitável socialmente e juridicamente que insistem em manter dados tão alarmantes invisíveis. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o número de mulheres no Brasil que fazem aborto passa de um milhão por ano. Obrigam-nos a fingir que esquecemos todo o ocorrido, o que, concretamente, se torna quase impossível para nós, afinal, são diversos dias tendo pesadelos, pensando sobre, sentindo culpa, e nos lembrando do acontecido. Do sangue escorrendo de nossas vaginas por meses, do chá que tinha que tomar escondido para não correr o risco de precisar fazer curetagem, do medo de não se saber viva no dia seguinte e com todas as partes do corpo inteiras, de ser presa, de continuar podendo ou não ter filhos, da dor, do cansaço, da adrenalina por tudo ter que ser absolutamente sigiloso e mal poder ser dito até mesmo entre nós. Da insegurança sobre a procedência do ato. Da dor, medo, culpa, do cansaço.

Não tinha trabalho, tampouco dinheiro. Nem eu, nem ele. Pegamos dinheiro emprestado com os amigos para encomendar o remédio ao traficante do bairro de uma conhecida. Será que ela falaria algo? E o remédio será que daria certo? Seria falso? Saberia a gente realizar o procedimento da forma correta? Não havia médico ou qualquer profissional da saúde para orientar, somente os diversos textos e sites na internet, cada qual com uma mensagem diferente. E essa conhecida, que embora tenha sido fundamental para que pudesse acessar o remédio, mais me colocava insegurança do que qualquer outra coisa. Relatava diversos casos de mulheres que abortaram, cada qual com uma história diferente e mais cabulosa. Falava para nos amedrontar? Desistir? Ou ter certeza do que queria? Nunca soube, mas sabia também que nas condições as quais me encontrava não havia outra escolha.

Anos após o ocorrido, conheci o movimento feminista e auto organização das mulheres, só ai fui me deparar com o debate sobre o tema do aborto, tratado, até então, de forma moralista ou como tabu.

Hoje, consciente de que a luta pela legalização do aborto é principalmente a luta pela saúde da mulher, entendo a profundidade e necessidade dessa discussão. De acordo com um estudo realizado no ano de 2012 em mais de 26 países em desenvolvimento, dentre eles o Brasil, e publicado em agosto de 2015 no Journal of Obstetrics & Gynaecology (BJOG), Sete milhões de mulheres são internadas por ano por complicações de saúde provocadas por abortos clandestinos e 22 mil morrem todos os anos.

A cada dia, cerca de 800 mulheres morrem por causas relacionadas à gravidez e ao nascimento que poderiam ter sido prevenidas. Desse número, o aborto clandestino responde por cerca de 8 a 15% das mortes e figura dentre as principais causas de morte materna no mundo. Segundo a mesma pesquisa, outras várias mulheres sobrevivem, mas não obtêm apoio e tratamento adequado após o aborto.

Dentre os países estudados, o Brasil foi o que menos tratou/realizou o acompanhamento das mulheres após procedimentos clandestinos. A taxa é de 2.4 para cada 1.000 mulheres. Além disso, os tratamentos que se seguem a complicações do aborto clandestino também custam aos sistemas de saúde desses países cerca de US$ 232 milhões ao ano.

No Brasil, as mortes por aborto clandestino possuem casos que, de vez em quando, chegam à mídia. Um deles foi o da auxiliar administrativa Jandira Magdalena, 27, que morreu em agosto de 2014 após procurar uma clínica clandestina no Rio de Janeiro. Ela deixou duas filhas. O corpo de Jandira foi encontrado carbonizado, sem os dentes e sem impressões digitais. Após o caso, o Estado do Rio de Janeiro deflagrou uma operação na tentativa de desbaratar clínicas clandestinas. Neste caso em questão, dez pessoas foram presas.

Pois bem, Impossível, portanto, não pensar nas milhares de mulheres que abortam todos os dias, naquelas que procuram clínicas clandestinas e se submetem a procedimentos altamente deseumanizados, correndo risco de vida. Naquelas que deveriam ser atendidas pelos serviços de saúde do nosso país e são levadas até a polícia sendo massacradas pela criminalização, por maus tratos e pelo conservadorismo. Penso nas mulheres que assim como eu e você querem ser livres junto com suas companheiras, podendo decidir sobre seus corpos e suas vidas, sobre serem mães ou não, e quando isso irá acontecer. Decidir fazer um aborto, não é decisão fácil ou simples, mas ainda assim buscamos autonomia e queremos nós poder escolher. Queremos o aborto legalizado e seguro no Brasil para que as mulheres sejam agentes da sua própria história. Exigimos o fim dos maus tratos e da criminalização! Queremos respeito, equipes capacitadas para realização de atendimento humanizado nos hospitais da rede de saúde!

Vivemos hoje uma grande ofensiva conservadora e de forças reacionárias em nosso país, que aliadas ao fundamentalismo religioso, se nutrem do patriarcado para atacar ainda mais severamente a vida das mulheres, principalmente a das mulheres negras, pobres e trabalhadoras, que mais sofrem com as duras e perversas contradições do capitalismo-patriarcado-racismo. Fato esse que se expressa nas altas taxas de violência às mulheres, no discurso de ódio destilado nas ruas e no (falido) sistema político brasileiro, que não bastasse suas instancias serem compostas majoritariamente por homens brancos, de meia idade, heterossexuais e representantes do grande empresariado e do agronegócio, estão também usurpando o direito legítimo da ex-presidenta Dilma, eleita democraticamente por mais de 54 milhões de votos populares, de dar continuidade ao seu mandato. Sabemos do caráter patriarcal e machista deste golpe e dos que o defendem, já que ao rasgarem a Constituição Brasileira e o Estado democrático de direito, negaram o bom debate político e apelaram para xingamentos e insultos misóginos. Repudiamos este governo golpista, a falta de mulheres, negros e negras e lgbts em seu ministério, e por isso, gritamos junto e bem alto: FORA, TEMER! Por nenhum direito a menos para as mulheres! Não deixaremos que continue colocando em risco a vida e os direitos da juventude, das mulheres e de todo povo trabalhador.

Mais um dia 28 de setembro se aproxima, dia de erguer os punhos e a bandeira feminista para reafirmar a luta pela saúde e pela vida das mulheres a favor da descriminalização do aborto, afinal, queremos nossas mulheres vivas e sabemos que ainda que “eu aborte, tu abortas, e sejamos todas clandestinas” muitas de nós ainda somos massacradas e assassinadas pela omissão e criminalização do Estado neste trajeto. Portanto, neste dia e em todos os outros dias do ano continuamos a exigir do Estado educação sexual para prevenir, contraceptivos para não engravidar e aborto legal e seguro para não morrer. E que fique bem avisado: não dialogamos ou depositamos qualquer esperança/confiança nesse governo golpista. Sabemos que nossas vitórias virão das ruas e das lutas! Lutamos por Diretas Já e por uma Constituinte do Sistema político que transforme radicalmente o modo de fazer política em nosso país, garantindo representação e participação de fato às mulheres para que suas demandas de vida sejam pautadas e colocadas como prioridade. Queremos as mulheres no poder, fazendo política, debatendo sobre suas vidas e sobre os rumos do país.

Ano passado, nós, mulheres de todo Brasil, demos uma aula de política nas ruas ao eclodirmos a “Primavera feminista” e realizarmos uma bonita luta contra a retirada dos direitos femininos conquistados arduamente. A principal reivindicação tratava de repudiar o projeto de lei 5069 de autoria do deputado Eduardo Cunham o qual trazia mais uma tentativa de controle sobre a função reprodutiva das mulheres. Para tanto saímos em passeata pelas diversas cidades do país escancarando a diversidade das mulheres brasileiras: jovens, adultas, filhas, mães, negras e brancas, bissexuais, travestis, transexuais e tantas outras, todas fazendo coro com o “Nem papas, nem juízes, as mulheres decidem”, FORA CUNHA! É com essa força e coragem que vamos para mais uma luta…

FORA TEMER! NENHUM DIREITO A MENOS PARA AS MULEHRES!
DIRETAS JÁ E CONSTITUINTE! MULHERES NO PODER!
ABORTO LEGAL E SEGURO! É PELA VIDA DAS MULHERES!


Ayotzinapa: 2 anos de Impunidade

Há dois anos, na noite do dia 26 de setembro de 2014, um crime sacudiu o México. Estudantes da Escola Rural Normal de Ayotzinapa foram emboscados pelas forças militares do município de Iguala, estado de Guerrero, a mando do poder político local em conluio com as forças Paramilitares (Guerreros Unidos) e da Polícia Federal mexicana, tendo como saldo trágico 6 mortos, 25 feridos e 43 estudantes que continuam desaparecidos.

Desde então os familiares das vítimas, e diversos movimentos sociais e populares do México e do mundo inteiro, tem denunciado o caso, exigindo que os responsáveis por esse crime de Estado sejam julgados e punidos. Apesar dessa brava resistência e de toda a repercussão do movimento de solidariedade nacional e internacional, o governo mexicano permanece cúmplice do crime, mantendo por todas as vias (legais e ilegais) a impunidade dos responsáveis.

É importante destacar que essa prática de terrorismo de Estado mexicano não pode ser visto de forma isolada, mas como parte essencial do projeto político neoliberal imposto pelas classes dominantes a custo de muita violência, mortes e desaparecidos políticos. É expressão de uma guerra de contra insurgência, de caráter preventivo, com o único objetivo de garantir a exploração do povo e das riquezas do território mexicano.

Nessa data tão emblemática na luta da juventude por um outro projeto de sociedade, nos solidarizamos com familiares dos estudantes mortos, feridos e desaparecidos de Ayotzinapa e a todo povo mexicano na busca permanente por Verdade e Justiça. Nos somamos entre as vozes que exigem a imediata punição dos responsáveis e a aparição, com vida, dos 43 estudantes desaparecidos.

Estaremos vigilantes e não descansaremos enquanto a impunidade prevalecer. Seguiremos em luta até que todos os responsáveis sejam punidos!

Somos todos/as Ayotzinapa!

Vivos os levaram! Vivos os queremos!


Acampamento nacional reúne 7 mil jovens em Belo Horizonte

O evento, organizado pelo Levante Popular da Juventude, é o primeiro após o golpe

A programação conta com palestras, oficinas, rodas de conversa, shows e intervenções culturais / Divulgação / Comunicação 3º Acampa

A programação conta com palestras, oficinas, rodas de conversa, shows e intervenções culturais / Divulgação /Coletivo de Comunicação do Levante

Jovens por todos os lados, se encontrando, reconhecendo o local, desfazendo as malas e montando as barracas. Foi assim o primeiro dia do 3º Acampamento do Levante Popular da Juventude. O encontro, que acontece no Mineirinho – região da Pampulha de Belo Horizonte – começou na segunda (5) e conta com programação até sexta (9). Cerca de 7 mil jovens já chegaram e, com muito gás, esbanjam alegria e disposição para encarar os próximos dias de formação política e luta por direitos.

O Acampamento é o primeiro encontro nacional do Levante que o cearense Leo Sullivan participa. O secundarista conta que já participou de seminários estaduais e, há um ano, faz parte da célula Loko Rude, localizada na periferia de Fortaleza. As células são os núcleos menores do movimento, organizadas nas universidades, periferias e escolas.

Com muita animação, Leo afirma que quer participar de todas as atividades, mas ressalta que veio para discutir política. “Vim para o ‘Acampa’, porque quero lutar por nossa política. Na semana passada houve a morte da democracia e se os jovens não se unirem, o Brasil está perdido”, afirma.

A estudante de matemática Rebeca Carvalho, de 22 anos, veio na caravana que saiu de Porto Velho, capital de Rondônia. Foram mais de 60 horas de viagem, mas, mesmo assim, não falta empolgação. Em seu um ano de Levante, é primeira vez que participa de um evento nacional. “Estou ansiosa para participar dos espaços sobre negritude. Quero compartilhar uma experiência que eu tive, que foi ruim, foi racista. Quero saber se outras pessoas já viveram algo parecido”, conta.

O combate ao racismo é um dos temas que serão debatidos durante o encontro. Além disso, democratização da mídia, acesso à educação e saúde, trabalho digno para a juventude, feminismo, cultura e reforma política são outros assuntos que serão abordados na programação.

Rebeldia

Com o lema “Nossa rebeldia é o povo no poder”, a programação conta com palestras, oficinas, rodas de conversa, shows e intervenções culturais. Diversas personalidades já confirmaram presença, como João Pedro Stédile, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST); Beatriz Cerqueira, presidenta da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT Minas); o blogueiro Juca Kfouri e a professora da Universidade de São Paulo (USP) Ermínia Maricato.

Larissa Goulart, integrante da coordenação do Levante de Minas Gerais, explica que o lema escolhido pelo movimento quer discutir com os participantes as deficiências do sistema político brasileiro. “A juventude tem ido pras ruas reivindicar seus direitos. Nós queremos canalizar essa rebeldia para mudar o sistema político, pois hoje as mulheres, os negros e as negras, indígenas e jovens não estão nos espaços de poder, que são aqueles onde decisões importantes sobre os rumos do país são tomadas”, ressalta.

O Movimento

O Levante Popular da Juventude é um movimento popular que organiza jovens brasileiros em busca de seus direitos. Surgido em 2006 no Rio Grande do Sul, o movimento tomou caráter nacional em 2012, quando foi realizado o primeiro acampamento nacional em Santa Cruz do Sul (RS). Nessa ocasião, houve a participação de mil pessoas. A segunda edição do encontro aconteceu em São Paulo, no ano de 2014, com mais de 3 mil participantes.


Acampamento do Levante: analistas políticos defendem “Fora, Temer” e “Diretas Já”

Cerca de 7 mil jovens recebem João Pedro Stedile, do MST, e Beatriz Cerqueira, da CUT, para fazer análise de conjuntura

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O segundo dia do 3º Acampamento Nacional do Levante Popular da Juventude foi marcado por uma análise de conjuntura para debater com lideranças a respeito da conjuntura política, do golpe contra a democracia e do papel da juventude em todo este processo.

O evento, que conta com mais de 7 mil jovens de todas as partes dos Brasil, está acontecendo no Estádio do Mineirinho, na região da Pampulha, em Belo Horizonte (MG).

“Estamos aqui porque somos juventude da classe trabalhadora. Lutar não é apenas uma escolha. É uma necessidade, uma questão de sobrevivência”, brada Jessy Dayane, integrante da direção nacional do Levante Popular da Juventude, que compôs a mesa inicial da manhã desta terça-feira (6).

Também participou a professora e presidenta da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT Minas), Beatriz Cerqueira, e o coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) João Pedro Stedile.

Eles defenderam o tripé ideológico do “Fora, Temer”, “Diretas Já” e “Nenhum direito a menos” e enfatizaram a importância de não abandonar as ruas e de a juventude resistir em unidade com os trabalhadores e trabalhadoras.

Economia

Stedile elencou fatores que caracterizam a atual crise econômica, política, social e ambiental pela qual passa o mundo, e explicou que esses fatores externos influenciaram o golpe no Brasil.

“O plano da burguesia é simples: tentar recuperar a taxa de lucro de suas empresas e recompor o ambiente econômico de acumulação do capital”, explicou. “O golpe é uma estratégia de apropriação dos nossos recursos naturais, como o pré-sal. Além disso, o golpe serve para realinhar a economia brasileira aos interesses norte-americanos” , completou.

Para o dirigente, as saídas da crise incluem a retirada de direitos da classe trabalhadora. “O programa do golpe, que é o neoliberalismo, se baseia justamente nos ataques à CLT”. Apesar dos retrocessos que estão prestes a acontecer, ele chama a juventude a continuar indo às ruas junto aos trabalhadores.

“Quem dorme com o inimigo amanhece grávido da derrota. Cabe a vocês, jovens, fazer o papel da agitação da classe trabalhadora, porque só ela pode mudar os rumos do nosso país”, ressalta.

Ele explicou que há um esgotamento do modelo neodesenvolvimentista vivenciado no Brasil nos últimos 13 anos.

O dirigente, que também é economista, argumentou que este modelo só funciona durante os períodos em que há crescimento econômico, já que somos um país da periferia do capitalismo.

João Pedro falou ainda sobre como a burguesia se ergueu frente a erros da esquerda, como a conciliação de classes proposta pelo PT, e sobre a conspiração da direita desde a derrota de Aécio Neves nas últimas eleições presidenciais, em 2014.

Outro passo importante do golpe, segundo ele, foi a manobra do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, que, após ter seu mandato cassado, deu início ao processo do impeachment, baseado nas “pedaladas fiscais”, que não figuram como crime de responsabilidade.

Resistência

Após saudar os participantes e lembrar da estudante Deborah Fabri, que perdeu a visão do olho esquerdo em uma manifestação “Fora, Temer” em São Paulo, Beatriz Cerqueira convocou a juventude a permanecerem nas ruas.

“Não desacampem e não parem de dizer ‘Fora, Temer’. Não podemos pensar que o golpe só aconteceu em Brasília. Ele acontece com todos e todas que defendem a emancipação popular”, pediu.

Nessa perspectiva de continuidade da manifestação conta o golpe, Jessy encorajou a juventude.

“Somos herdeiros e herdeiras de grandes pessoas como Dandara, Zumbi dos Palmares e Marighella. Somos a continuidade desse povo que lutou por emancipação. E é essa a responsabilidade que nós carregamos nos ombros”, disse.


Ciranda Infantil: espaço de cultura e formação para as crianças

Iniciativa garante espaço para a criançada dentro da programação do Acampamento Nacional do Levante

A ciranda é um espaço seguro e agradável, mas se diferencia por ter uma intencionalidade política e pedagógica / Fotos: Gerardo Gamarra / Alba

A ciranda é um espaço seguro e agradável, mas se diferencia por ter uma intencionalidade política e pedagógica / Fotos: Gerardo Gamarra / Alba

Desde o primeiro dia, o Acampamento Nacional do Levante Popular da Juventude envolve todas as gerações dentro da programação. Como um espaço voltado para as crianças, a Ciranda é organizada por colaboradores, educadores e educadoras do movimento.

Surgida em 1997 – como uma experiência de movimentos sociais do campo, como o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) – a Ciranda garante que mães, pais e responsáveis, que trouxeram as crianças, participem das atividades do encontro.  A ciranda é um espaço seguro e agradável, mas se diferencia por ter uma intencionalidade política e pedagógica.

Ana Carolina Silva, mãe do Bernardo, participa como colaboradora do Acampamento e afirma que a Ciranda é um espaço fundamental para ela e para o filho. “Ter um lugar onde as crianças vivenciam com mesma intensidade o que nós vivenciamos é realmente fantástico”, aponta.

Método do cuidado

A metodologia utilizada no cuidado e educação das crianças possui uma intencionalidade política e pedagógica baseada em cinco princípios: integração social, promovida entre os educandos e os demais participantes do evento; trabalho coletivo; realidade local e global; auto-organização dos educandos conforme gênero e raça/etnia; e gestão democrática do espaço, em que crianças mais velhas contribuem na organização e construção da Ciranda.

A equipe envolvida não se restringe somente aos educadores e militantes dos movimentos populares. Envolve uma articulação com as demais comissões do evento, como equipe de segurança, cozinha, secretaria e comunicação. Essa relação permite que a Ciranda seja um espaço seguro, acolhedor e passe confiança para pais e mães.

“A Ciranda é um espaço desafiador, mas ao mesmo tempo super estimulante. Conviver com as crianças é realmente mágico” comenta Ian Silva, integrante da equipe.

Muitas crianças no encontro

No Acampamento, a Ciranda conta com 35 crianças vindas de todo o Brasil. A faixa etária varia entre dois e 12 anos. Os horários de funcionamento são específicos, de 9 às 13h e das 14 às 17h.

O encontro

O 3º Acampamento Nacional do Levante Popular da Juventude acontece desde segunda (5) no Mineirinho, em Belo Horizonte. O evento segue até sexta (9) com uma programação repleta de palestras, oficinas, rodas de debate e intervenções culturais. Com 7 mil jovens, o “Acampa”, como é chamado pelos participantes, é o maior encontro do movimento e pretende definir linhas de atuação para o próximo período.


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