Monthly Archives: novembro 2016

Nota sobre a repressão policial no ato em Brasília

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Nós, do Levante Popular da Juventude DFE, repudiamos a atuação violenta da polícia militar do governo Rollemberg no ato de ontem (29). Nós, movimentos sociais, mulheres, negros e negras, LGBTS, estudantes universitários e universitárias, secundaristas, professores e professoras, trabalhadores e trabalhadoras, pessoas idosas, com necessidades especiais, entre vários setores da sociedade, fizemos uma manifestação pacífica e democrática contra a PEC 55, que tramita no Senado Federal. A polícia genocida agiu contra o ato com bombas de efeito moral, gás de pimenta, balas de borracha, cavalaria e cachorros para assustar a população e acabar com a manifestação. Estamos nas ruas contra os retrocessos e não cederemos à violência institucional.
Infelizmente, a PEC do fim do mundo, que impõe um teto para os gastos públicos pelos próximos 20 anos, foi aprovada em primeiro turno ontem no Senado Federal. Continuaremos nas ruas por acreditar que a proposta representa séria ameaça aos direitos e políticas sociais conquistados, podendo inviabilizar, entre eles, o Plano Nacional de Educação e a capacidade de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS). Acreditamos que tal medida não é a solução almejada para o enfrentamento da crise econômica, política e social enfrentada hoje pela sociedade brasileira e, em especial, pela classe trabalhadora, para a conquista de direitos e superação das explorações e opressões. A saída é um projeto popular para o país, a partir da reforma do sistema politico, para a conquista da democratização dos poderes e o fim da criminalização dos movimentos sociais.
Na manifestação, o militante do MST e estudante da UnB (FUP), Bruno Leandro de Oliveira Maciel, foi detido quando retirava algumas pessoas machucadas do meio da confusão e continua arbitrariamente preso. Exigimos a libertação imediata de Bruno Leandro de Oliveira Maciel!
O governo autoritário e ilegítimo de Michel Temer, com sua atuação truculenta, não arrancará os nossos sonhos do horizonte.

30 de Novembro de 2016

#NãoàPEC55 #NãoàPECdoFimdoMundo #ForaTemer #PeloFimdaPM


GRACIAS COMANDANTE FIDEL!

Em 25 de novembro de 2016 (às 22h29 no horário de Havana), perdemos nosso líder revolucionário, o comandante Fidel Castro. Cubano de nascimento e internacionalista de coração e mente, Fidel foi uma das figuras políticas mais importantes da História.
Seu legado nos mostra que a solidariedade revolucionária não deve ter fronteiras, e seu exemplo segue inspirando homens e mulheres ao redor do mundo. “Ser internacionalista é saldar nossa própria dívida com a humanidade”, disse o comandante.

Em um período em que os Estados Unidos compravam seus aliados com a promessa da liberdade capitalista, Fidel e seus companheiros/as nos ensinaram que a verdadeira liberdade vem da luta. Em 1953, Castro iniciou o processo que desencadeou, na América Latina, batalhas pela conquista da liberdade e da soberania, ao realizar a primeira ação armada contra a ditadura do imperialista Fulgêncio Batista, em 26 de julho, com o assalto aos quarteis Moncada e Céspedes.

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Este primeiro ato de resistência falhou e Fidel foi condenado a 15 anos de prisão. Em 1955, funda o Movimento Revolucionário 26 de Julho (26-M) e nesse mesmo ano foi liberto graças a uma anistia, exilando-se no México. Lá, conheceu Che Guevara, que se juntou à empreitada de libertar a ilha cubana. Em 1956, os dois homens e mais 80 seguidores partem de barco para Cuba, onde travam três anos lutas com as tropas de Batista, até que em 1 de janeiro de 1959 o ditador cede o poder. Assim começa o governo revolucionário que se sustenta até hoje.

É claro que os Estados Unidos não iriam admitir um governo contestatório em “seu quintal” e passaram a realizar ações de ataque e sabotagem a Cuba. Mas essas ações alimentaram ainda mais o desejo revolucionário do povo e, após os ataques aéreos dos Estados Unidos ao território cubano, Fidel declarou o caráter socialista da Revolução, em 16 de abril de 1961. Até 2008, Castro comandou diretamente a resistência dessa pequena ilha de história sofrida e povo obstinadamente alegre. Cuba tem resistido de maneira heroica ao bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos, bem como às suas ofensivas militares. O próprio Fidel sofreu mais de 600 tentativas de assassinato.

Apesar de todas as limitações impostas pelo bloqueio econômico e pela estreita base produtiva da ilha, a revolução conseguiu garantir avanços sociais impensáveis em um sistema capitalista. Todas as noites, milhares de crianças dormirão na rua e nenhuma delas será cubana. Os cidadãos e cidadãs têm acesso à escola e a uma educação voltada à construção de valores humanistas. As pessoas participam ativamente da política. Elas têm comida, moradia, saúde e, ao contrário do que dizem por aí, liberdade.

O comandante Fidel construiu por 90 anos uma história que, como disse João Pedro Stédile (dirigente do MST), não pode ser escrita com palavras. Seus princípios, sua honra, sua perseverança e sua resiliência têm inspirado a militância latino-americana há décadas. Por seu dever cumprido, a história o absolverá . Que a estrela vermelha de Fidel guie sempre as nossas lutas.


AS REBELDES FLORES DA PRIMAVERA SECUNDARISTA

Tantas flores seriam necessárias para secar os úmidos pântanos

onde a água de nossos olhos se faz lodo;

areias movediças tragando-nos e cuspindo-nos,

das que persistentes, uma a uma, teremos que surgir.

Amanhece com cabelos longos o dia curvo das mulheres.

Queremos flores hoje. Quanto pertence a nós,

o jardim do qual nos expulsaram!

Gioconda Belli

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Mesmo com a incessante vontade de fazer chover e inundar nossa vida de ataques contra a nossa classe são inúmeras as primaveras que surgem das nossas lutas. Nossa resistência insiste em florescer e não se render frente as ameaças, os Projetos de morte, as reintegrações de posse. Insistimos em estar vivas, fortes e unidas. Com isso, uma das mais belas e alegres primaveras é a primavera dos/as secundaristas. Dessa primavera brotam flores rebeldes, flores que não abaixam suas cabeças e nem tem medo de enfrentar o inimigo. As adolescentes que constroem esse processo mostram como precisamos entender que o feminismo é uma luta de todas as mulheres, sem distinção de idade. A coragem dessa juventude é um exemplo para toda luta nessa conjuntura, é animo e mística para continuar construindo nosso feminismo.

O 25 de novembro é marcado como o dia latino-americano e caribenho de combate a violência contra as mulheres. Esse dia foi instituído em 1981 e desde então está presente no calendário das organizações feministas. A cada 15 segundos uma mulher é espancada no Brasil. Mas a violência contra a mulher não é só a violência física. Quem de nós não se cansa de trabalhar o dia inteiro e ainda ser responsável pelo cuidado dos filhos e dos afazeres domésticos? E o pior é que, muitas vezes, não encontramos vagas nas creches públicas. Quem de nós não fica indignada ao ser menos valorizada do que o homem? Estamos felizes e bem com o nosso próprio corpo? Existem várias formas de violência contra a mulher. Estamos em um 25 de novembro onde tudo poderia ser tristeza, o enxugamento das secretarias de mulheres, os números alarmantes de feminicidio, a perda dos Planos Municipais de Educação (PME), o congresso conservador e a própria conjuntura, que para nós, mulheres jovens, nunca foi tão ruim. Pelo contrário, o que temos é coragem, é o exemplo, é a renovação da luta.

Precisamos compreender também que a luta pela garantia da vida das mulheres não é presa as fronteiras do nosso país, e o que aconteceu com a secundarista argentina Lúcia Perez podia ter acontecido em alguma ocupação do Brasil, e por isso, sem nenhum medo, juntas temos a certeza que não aceitaremos nenhuma a menos! Que o grito latino-americano de #NiUnaMenos ecoe em nossos gritos. Que a vida das mulheres não seja mais interrompida, que ocupar também seja um direito nosso. Nós, mulheres que na escola somos alvo de piadas machistas de alunos, professores e funcionários, que somos submetidas a uniformes sem conforto para que fiquemos menos “provocantes”, que somos humilhadas pela nossa sexualidade, que somos violentadas de várias formas e somos tão perseguidas se ousamos lutar contra o que nos faz mal. Precisamos fortalecer as mulheres nos grêmios estudantis, nos grupos de debate e cobrar atitudes de combate ao machismo nas escolas. Não queremos somente parar a PEC 241/55, a Lei da Mordaça e o reordenamento das nossas escolas, lutamos para que as escolas sejam ambientes seguros para as mulheres, para que possamos construir uma educação feminista e popular.

Que esse seja exemplo também para todas as ocupações universitárias e as ocupações de terra pelo país. Que a rebeldia seja diária para continuarmos construindo a nossa luta. Devemos fortalecer as auto-organizações de mulheres e compreender que mesmo tendo várias questões diferentes (cor, orientação sexual, trans, espaços de vida e vivencia diferentes…) o que nos une como mulheres da classe trabalhadora nos fortalece. Construir o 25 de novembro como reinvindicação real, que seja parte da nossa luta cotidiana. Precisamos fortalecer o princípio do cuidado e da solidariedade, para que cada flor esteja viva e forte resistindo a lama que nos querem jogar.

Levante Pela Vida das Mulheres

#NenhumaaMenos


Nosso principal desafio é resistir e transcender

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Resistindo no front e transcendendo na cultura, o rapper Max Souza desponta para o mundo. Misturando rimas, psicologia e consciência política o músico está entre os finalistas do Festival “Sons da Rua”. Com 24 anos de idade e 5 como MC, Max Souza, reafirma o potencial do jovem como protagonista dos questionamentos sociais através da cultura.
“O Hip Hop desde o seu início têm como proposta ser uma arma de luta, de enfrentamento, questionamento, resistência e de denúncia. E por ser uma cultura que é muito adepta dos jovens ela também se torna uma arma de mudança. De mudança social, pessoal, de caráter, intelectual, etc.”

A paixão pelo Hip Hop veio desde o berço, nascido e criado na cidade de Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte- MG, Max afirma que desde o 7 anos já gostava das letras de rappers como Negão do Contraste, Arizona e Racionais. Aos 19, durante os duelos de MC do Viaduto Santa Tereza, reduto do Hip Hop em Belo Horizonte, Max descobriu nas rimas uma ferramenta de disputa social. “A minha forma de luta é de fortalecer a autoestima e a luta de nós negros e negras. Eu queria que todos os negros e negras acreditassem em nós mesmos, sentissem orgulho de ser quem somos, da nossa cultura e nossas raízes e sempre tentar transcender os limites que eles tentam nos impor, pra nós não existe limite algum! ”

Hoje Max se dedica somente às rimas, mas já participou das atividades do Levante Popular da Juventude. Ele afirma que o contato com o movimento foi fundamental para sua consciência política. “Fazer parte do Levante foi muito importante para mim. Fui no primeiro acampamento e isso mudou muito minha visão de mundo e minha relação com as questões sociais. Uma das pessoas que me ajudou e que até hoje eu tenho ele quase como um mentor é o Aruanã. Porque quase tudo que eu sei e me posiciono hoje em relação aos negros foi ele me ajudou nesse processo. Então uma das principais contribuições do Levante foi me dar consciência política. E por consequência disso eu comecei a ler mais estudar mais o que me levou também a chegar e na faculdade o que é muito importante pra mim. ”

Diante do avanço conservador e fascista em que vivemos atualmente e da série de retrocessos de direitos e políticas sociais a qual passamos, Max afirma que mais do que nunca é preciso resistir. “As pessoas tem se sentido cada vez menos intimidadas em se posicionar de forma machista, racista e preconceituosa então eu acho que o nosso principal desafio é resistir e transcender esses pensamentos e nos posicionar diante deles!”

Ao álbum com as músicas do rapper está previsto para ser lançado em dezembro, mas quem quiser conhecer as rimas do músico pode acessar à página https://www.facebook.com/maxsoficial


A primavera secundarista contra a PEC 241

Por Thiago Pará do Levante Popular da Juventude

O Estado brasileiro e seus instrumentos – polícia, mídia, congresso, judiciário, etc. – procuram constantemente preservar sua natureza antipopular. Apresentam-se, assim, como algo que está acima de interesses de um ou de outro, e dizem tentar, na verdade, mediar o conjunto de conflitos na sociedade. Pura mentira e ilusão.

O Estado tem o papel de garantir os interesses das elites, do dinheiro, da mídia, dos latifundiários: dos poderosos como um todo. E quando os privilégios desses poucos estão sob ameaça podemos observar com mais clareza a quem serve o Estado e seus aparelhos.

Em todo o país, uma série de escolas, institutos federais e universidades têm sido ocupados por estudantes que miram para o futuro destas instituições e das próximas gerações. “As ocupações são pela educação”, como disse em vídeo a estudante secundarista paranaense Ana Júlia, de apenas 16 anos. Nas palavras da mesma, as ocupações tem sido a melhor “aula de cidadania”, coisa que não aprendem em meses de aulas.

A verdade é que a primavera secundarista, que tem apavorado os de cima, se coloca contra as tentativas de modificar o ambiente escolar sem qualquer diálogo com os próprios estudantes e trabalhadores da educação. Seja na proposta de tornar a escola acrítica e idiotizada (“Escola sem Partido”) ou na de tirar matérias como educação física, sociologia e filosofia, além de outras mudanças, o que está em questão é: de que maneira iremos reformar o ensino médio brasileiro? E as ocupações simplesmente dizem: essa reforma não será feita por esse governo golpista de Michel Temer e seu bando de parlamentares corruptos que nada sabem da realidade escolar. Esta deverá ser uma reforma feita por nós, estudantes.

Os estudantes vão além e passam a questionar também a PEC 241 (que passa a ser agora no Senado a PEC 55), pois esta vem para retirar os investimentos da educação e outras áreas de interesse social pelos próximos 20 anos. Isso tudo para manter os privilégios das elites do dinheiro e seus aliados.

Os governos estaduais e federal têm agido de maneira antidemocrática e truculenta. Não procuram dialogar nem entender o que as ocupações significam. Procuram na verdade abafar a luta estudantil e o protagonismo da juventude.

A mídia por sua vez, nada mostra sobre o que está acontecendo em todo o país. Ignoram a construção da “escola do futuro”, que é esta escola coordenada pelos próprios estudantes, desde a limpeza dos espaços, passando pela preparação das refeições até os debates a serem realizados.

E o poder judiciário, indiferente aos reclames dos estudantes, dá aval para que a polícia aja desta maneira truculenta e arbitrária.

São estes os nossos inimigos: a elite política e econômica que se apossou do governo por meio de um golpe e os governos estaduais antidemocráticos com sua sanha por violência, que se utilizam da mídia, das polícias, do judiciários e outros para nos derrotar.

Do nosso lado, só podemos contar com nós mesmos. Seguir organizando as ocupações e coordenando as lutas com os objetivos claros: não vamos admitir goela abaixo uma reforma desse governo golpista! Queremos uma reforma do ensino médio com diálogo e participação dos estudantes e trabalhadores da educação; queremos uma escola crítica e sem mordaça; queremos mais investimentos na educação e demais áreas sociais, por isso somos contra a “PEC dos Ricos”.

A primavera secundarista está apenas começando!