Monthly Archives: setembro 2017

UMA CARTOGRAFIA DO ÓDIO

Na última segunda-feira (11), a professora de Filosofia do Afirmação, a companheira e amiga Valentinne, preparou uma aula sobre Estética. A Valentinne tinha ganho, recentemente, um catálogo com todas as obras expostas na exposição “Queer Museu – cartografias da diferença” e decidiu levar o catálogo para aula. Porquê? A exposição em questão estava no Santander Cultural, em Porto Alegre, e foi fechada pelo Banco, que cedeu a pressões do Movimento Brasil Livre. O MBL alegou que a exposição incitava à zoofilia, à pedofilia, entre outros. Paladinos da moral e dos bons costumes, já devem ter recebido as notícias do promotor da infância e da juventude acerca da exposição.

É importante frisar que no Afirmação todos os professores são voluntários que acreditam numa educação popular e transformadora e todos os estudantes estão aqui de livre e espontânea vontade, porque querem entrar numa universidade, que é direito seu. Para os professores do Afirmação, os estudantes são sujeitos do seu próprio conhecimento. Nas aulas do Afirmação são debatidos diversos temas, nunca de uma forma doutrinária e respeitando a diversidade de opiniões. Não foi diferente na aula sobre Estética da Valentinne. A pluralidade de opiniões em relação à exposição “Queer Museu” estava garantida. Estudantes católicos e evangélicos defenderam sua posição contra algumas obras, por exemplo, que faziam referência a elementos religiosos – como ostias.

Depois da aula, Valentinne publicou três fotos, com a seguinte legenda: “singelo protesto de uma humilde professora, se cancelam a exposição, levo a exposição até eles!”. No momento em que foram publicadas no Facebook, as fotos viralizaram. Centenas de comentários disseminando ódio contra professora e estudantes, escritos por pessoas que dizem defender a educação e as crianças e jovens brasileiros contra o que chamam “doutrinação marxista” e “preversidade”. Defendem “Escola Sem Partido” e são aqueles mesmos que pedem “mais Frota, menos Freire”, mas nunca leram um parágrafo de “Pedagogia da Autonomia” e quando é que Alexandre Frota virou pedagogo mesmo?

Alexandre Frota, o próprio, partilhou a publicação da Valentinne no Twitter, perguntando aos seus milhares de seguidores: “o que vocês acham dessa vadia que faz isso?”. Para além do show de misoginia, que não é nada de novo vindo do Frota (ele já assumiu na TV aberta que estuprou uma mãe de Santo), as centenas de respostas ao seu tweet destilam ódio e caracterizam dano moral contra a professora e os estudantes do Afirmação.

Enquanto Afirmação, denunciamos Alexandre Frota por incitar o ódio. Também as centenas de usuários do Twitter e do Facebook que se sentem no direito de ofender outras pessoas, divulgar seus dados pessoais e desejar a sua morte, escondidos atrás das suas telas.

Reunimos nesta publicação, como forma de DENÚNCIA, aquilo que consideramos uma verdadadeira CARTOGRAFIA DO ÓDIO: comentários que são a expressão do conservadorismo reacionário de uma sociedade que não quer formar jovens conscientes e críticos da sua realidade, protagonistas da sua própria história. Este “álbum” também é a expressão da necessidade de aulas de Filosofia e Sociologia nas escolas públicas brasileiras.

“Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Por isso aprendemos sempre.” (Paulo Freire)

Link para a publicação: https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=1911916865724465&id=1606298446286310


Quatro anos de imprensa popular em Minas Gerais

Brasil de Fato MG comemora 200 edições gratuitas nas ruas

Em maio de 2013, foi lançado em Minas Gerais o jornal Brasil de Fato MG, que, a partir de agosto daquele ano, passou a sair semanalmente, completando agora quatro anos de edições ininterruptas. Em formato tabloide, com a proposta de apresentar à sociedade uma versão popular das notícias do estado, do Brasil e do mundo, completamos 200 edições e mais de 10 milhões de exemplares distribuídos gratuitamente. O Brasil de Fato MG é um desdobramento de uma experiência exitosa de comunicação – o jornal Brasil de Fato – lançado nacionalmente em 2003.

Com uma tiragem de 160 mil exemplares por mês, o Brasil de Fato MG chega a diversos pontos movimentados de Belo Horizonte, Betim, Contagem, Uberlândia e outras 40 cidades mineiras, tanto pelas mãos de distribuidores oficiais, como pela distribuição voluntária de parceiros, e também por assinaturas, em que o leitor paga somente o custo do envio.

Joana Tavares, editora do Brasil de Fato MG, conta que o jornal é resultado da unidade entre entidades e movimentos da classe trabalhadora, que apoiam a luta pela democratização da comunicação. “Ainda hoje no nosso país, poucas famílias controlam a mídia, o que faz com que as notícias sejam enviesadas conforme interesses políticos e econômicos. Isso nos coloca o desafio de construir nossas próprias ferramentas de comunicação, com uma visão a partir das necessidades do povo”, afirma.

Diálogo

As seções do jornal são variadas e envolvem cotidiano, política, entretenimento, cultura e esportes. A estratégia do jornal é construir uma edição que politize a realidade, mas que seja atrativo e chame a atenção do leitor. “Tentamos discutir problemas, e suas soluções, daquelas pessoas que levantam cedo para trabalhar, que dependem de transporte público, que sofrem com os subempregos… Mas também falamos de novela, culinária e cultura, porque essas são questões que fazem parte da nossa vida”, diz Joana.

Nas ondas do rádio

Desde abril deste ano, todos os sábados, das 11h ao meio dia, o programa Brasil de Fato vai ao ar na Rádio Autêntica/Favela FM, em Belo Horizonte. A iniciativa pretende ampliar o público que tem acesso ao conteúdo jornalístico produzido pela equipe. “Apesar do pouco tempo que estamos no ar, já percebemos que o nosso público tem gostado do programa. É comum recebermos e-mails e ligações de ouvintes que sugerem e discutem nossa pauta”, destaca Amélia Gomes, coordenadora do rádio.

História

O Brasil de Fato foi lançado em 2003, no Fórum Social Mundial em Porto Alegre. O jornal de caráter nacional era distribuído por meio de assinaturas. Em formato standard, a publicação continha textos analíticos e direcionados a um público formador de opinião. Em 2013, foram criadas edições regionais, em formato tabloide, em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. No ano passado, foram lançadas edições em Pernambuco e no Paraná. Atualmente, o sistema Brasil de Fato de Comunicação abrange os jornais impressos, o site de notícias, a Radioagência Brasil de Fato e o portal Expressão Sergipana.

 

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