[PAPO RETO] NENHUM MINUTO DE SOSSEGO PARA UM GOVERNO GOLPISTA!

Na última semana o golpe da elite contra o povo brasileiro deu passos largos. Foram várias as notícias com os pacotes de medidas conservadoras e ataques aos direitos sociais do ilegítimo governo golpista de Temer. Direitos conquistados com muita luta ao longo dos últimos 30 anos. O momento, apesar de gerar apreensão na juventude organizada, é muito didático para compreender e impulsionar a luta por um Projeto Popular para o Brasil.

Nosso grande militante e sociólogo Florestan Fernandes afirmou que nossa burguesia é autocrática. Essa palavra de difícil compreensão está materializada da maneira muito explicita com esse processo golpista. A elite brasileira não aceita a participação popular nas decisões políticas nem tampouco aceita uma mínima ascensão social da classe trabalhadora. Tem sido assim ao longo de toda a história do Brasil. Para a burguesia brasileira o essencial é manter suas vantagens individuais em se associar de maneira subordinada às burguesias estrangeiras (em especial às dos Estados Unidos). Utiliza de todos os artifícios para manter a classe trabalhadora subordinada, em especial executando uma política econômica que mantenha altas taxas de desemprego e uma política de repressão à todas as manifestações contrárias aos seus desmandos. Para isso, conta com o apoio da mídia golpista (em especial da rede globo) para construir um discurso ideológico de legitimação das suas atrocidades e com o apoio de boa parte do judiciário que tenta dar um verniz de legalidade em suas ações.

Esta é a imagem do ilegítimo governo Temer: corruptos comandando ministérios, juízes tomando decisões completamente parciais a exemplo de Gilmar Mendes e Sérgio Moro e propostas políticas para retirar direitos dos trabalhadores. Contando ainda com a cobertura midiática para apagar a imagem de crise tentando fazer a população acreditar que agora tudo vai bem, o problema era a Dilma e o PT. Eis a autocracia burguesa, a autocracia das elites brasileiras. Uma elite branca, com ódio da classe trabalhadora, homofóbica, racista e machista. Estas elites que estão entranhadas nas instituições estatais e não tem vergonha nem escrúpulos de assassinar a democracia aos olhos de todos. Deixam nítido o que pensam do povo: “não pense em crise, trabalhe”, no melhor estilo senhor de escravos.

Para responder aos seus financiadores internacionais os golpistas de Temer terão que implementar várias medidas de ataque aos direitos dos trabalhadores. Embora façam malabarismo com as palavras não conseguem esconder: “Teremos que incentivar de maneira significativa as parcerias público privadas…”; “Sabemos que o Estado não pode fazer tudo” (trechos do discurso de Temer quando tomou posse do governo ilegítimo). Argumentos retóricos (apenas da boca pra fora) para trazer novamente o discurso do Estado mínimo neoliberal: mínimo para a classe trabalhadora e para investimentos em programas sociais e máximo para injetar dinheiro na iniciativa privada, no bolso da própria elite e de seus ‘chefes’ internacionais.

Por isso mais que nunca deve ganhar força a luta pela construção do Projeto Popular para o Brasil. Este Projeto, defendido pelos movimentos sociais populares e partidos de esquerda, é baseado na impossibilidade do discurso formal das elites virar realidade: um país de igualdade para todos. Para que tenhamos um país justo, um país onde todos e todas possam participar e ter acesso à educação, saúde, trabalho digno, moradia, terra, é preciso que as riquezas sejam socializadas tendo no Estado seu elemento planejador. Mas não esse aparato estatal criado e dominado pela burguesia e  pelas elites brasileiras. Um Estado construído a partir das lutas e demandas populares, principalmente por participação nas decisões políticas. A força das elites está em justamente impedir a participação popular nas grandes decisões do país, pra onde vai o dinheiro, qual a prioridade de investimento, descentralização de poder para combater os coronéis modernos, etc.

Nos últimos 14 anos, mesmo com todas as contradições dos governos do PT avanços foram realizados e vivenciados pela classe trabalhadora. Nós, jovens, já nascemos e crescemos sob a vitória dessas conquistas, acesso à educação, democratização das universidades, fim da miséria absoluta, conquistas de direitos das mulheres, direitos LGBTs, direitos trabalhistas, entre outros. É nesses direitos que o governo golpista terá que mexer para levar a cabo seu projeto privatizante de vender o Brasil. E nós, juventude da classe trabalhadora, seremos uma pedra no sapato dos golpistas. Não aceitamos um governo ilegitimo nem aceitaremos retrocessos e ataques aos nossos direitos.

O principal agora é organizarmos e impulsionarmos a resistência, de maneira unitária, com toda a classe trabalhadora. E um elemento fundamental é que muita gente, jovens e companheiros/as de luta que não estão em nenhuma organização, está disposta a se mobilizar contra o golpe. Então não basta manifestações virtuais (que são importantes). Precisamos organizar atos, debates, equipes de agitação e propaganda para que esse governo ilegítimo não tenha um minuto de sossego! É preciso estimular todos aqueles contrários ao golpe a se por em movimento. Como diria nosso grande lutador do povo brasileiro Carlos Marighella, “é preciso ir a ação”! Assim como a aguerrida juventude lutou durante a ditadura, nós lutaremos pela democracia e pelos nossos direitos. Só o povo pode definir os rumos da nação, não uma duzia de golpistas.

Por fim vale uma reflexão. O que esses anos de governo do PT nos ensinaram é que não se pode “servir a dois senhores”, ou se constrói um projeto de nação que rompa com os limites de um capitalismo (e de uma burguesia) dependente ou a nação e o povo brasileiro ficará sempre a mercê dos desmandos dessa elite golpista.

 


Um comentário

  • Responder Izide Fregnani |

    Maravilha de manifesto! Voces, jovens são a nossa esperança para nos ensinar a dialogar novamente com a população em geral. É o que precisamos, muita formação histórica e política massivamente. Os movimentos sociais, principalmente o movimento sindical, precisa ter a humildade para uma autocrítica… são os que tem a condição material para realizar o contra-ponto para o acesso ao conhecimento das lutas sociais, com instrumentos onde as pessoas se vejam como protagonistas da sua vida e da vida em sociedade. Esse foi o principal erro dos movimentos sociais. E outro, a de apostar tudo na luta institucional e parlamentar… Por isso precisamos de voces, para atuarmos conjuntamente, buscando toda a unidade possivel, dentro da diversidade! Obrigada.

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