UMA CARTOGRAFIA DO ÓDIO

Na última segunda-feira (11), a professora de Filosofia do Afirmação, a companheira e amiga Valentinne, preparou uma aula sobre Estética. A Valentinne tinha ganho, recentemente, um catálogo com todas as obras expostas na exposição “Queer Museu – cartografias da diferença” e decidiu levar o catálogo para aula. Porquê? A exposição em questão estava no Santander Cultural, em Porto Alegre, e foi fechada pelo Banco, que cedeu a pressões do Movimento Brasil Livre. O MBL alegou que a exposição incitava à zoofilia, à pedofilia, entre outros. Paladinos da moral e dos bons costumes, já devem ter recebido as notícias do promotor da infância e da juventude acerca da exposição.

É importante frisar que no Afirmação todos os professores são voluntários que acreditam numa educação popular e transformadora e todos os estudantes estão aqui de livre e espontânea vontade, porque querem entrar numa universidade, que é direito seu. Para os professores do Afirmação, os estudantes são sujeitos do seu próprio conhecimento. Nas aulas do Afirmação são debatidos diversos temas, nunca de uma forma doutrinária e respeitando a diversidade de opiniões. Não foi diferente na aula sobre Estética da Valentinne. A pluralidade de opiniões em relação à exposição “Queer Museu” estava garantida. Estudantes católicos e evangélicos defenderam sua posição contra algumas obras, por exemplo, que faziam referência a elementos religiosos – como ostias.

Depois da aula, Valentinne publicou três fotos, com a seguinte legenda: “singelo protesto de uma humilde professora, se cancelam a exposição, levo a exposição até eles!”. No momento em que foram publicadas no Facebook, as fotos viralizaram. Centenas de comentários disseminando ódio contra professora e estudantes, escritos por pessoas que dizem defender a educação e as crianças e jovens brasileiros contra o que chamam “doutrinação marxista” e “preversidade”. Defendem “Escola Sem Partido” e são aqueles mesmos que pedem “mais Frota, menos Freire”, mas nunca leram um parágrafo de “Pedagogia da Autonomia” e quando é que Alexandre Frota virou pedagogo mesmo?

Alexandre Frota, o próprio, partilhou a publicação da Valentinne no Twitter, perguntando aos seus milhares de seguidores: “o que vocês acham dessa vadia que faz isso?”. Para além do show de misoginia, que não é nada de novo vindo do Frota (ele já assumiu na TV aberta que estuprou uma mãe de Santo), as centenas de respostas ao seu tweet destilam ódio e caracterizam dano moral contra a professora e os estudantes do Afirmação.

Enquanto Afirmação, denunciamos Alexandre Frota por incitar o ódio. Também as centenas de usuários do Twitter e do Facebook que se sentem no direito de ofender outras pessoas, divulgar seus dados pessoais e desejar a sua morte, escondidos atrás das suas telas.

Reunimos nesta publicação, como forma de DENÚNCIA, aquilo que consideramos uma verdadadeira CARTOGRAFIA DO ÓDIO: comentários que são a expressão do conservadorismo reacionário de uma sociedade que não quer formar jovens conscientes e críticos da sua realidade, protagonistas da sua própria história. Este “álbum” também é a expressão da necessidade de aulas de Filosofia e Sociologia nas escolas públicas brasileiras.

“Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Por isso aprendemos sempre.” (Paulo Freire)

Link para a publicação: https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=1911916865724465&id=1606298446286310


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