POR UMA MÍDIA DEMOCRÁTICA

Por Vanessa Gonzada do Levante de Pernambuco

Você já parou pra pensar no quanto a mídia nos influencia no jeito de vestir, falar, nas preferências musicais e principalmente, em como pensamos sobre as coisas ao nosso redor? Não é nenhuma novidade que a grande mídia tem muito interesse em influenciar nosso posicionamento em diversas áreas da nossa vida, com destaque para a política.

Numa conjuntura de golpe, é essencial pensar como os meios de comunicação precisam urgentemente ser democratizados. As 11 famílias que atualmente hegemonizam a mídia brasileira não dão conta de expressar o samba, o maracatu, os cortejos, romarias, cordéis e todas as outras manifestações culturais do povo brasileiro.

O poder político também está ligado ao monopólio das comunicações no Brasil. Hoje, a maioria das concessões de rádio e TV estão ligadas a parlamentares ou seus familiares, o que não é permitido pela Constituição. Dessa forma, as pessoas que elegemos para nos representar infringem as leis e exercem sua influência, tornando a mídia uma extensão de sua visão política, o que impacta diretamente no direito à liberdade de expressão.

Conduzir a mídia à democracia é romper as cercas da desinformação para oferecer um conteúdo de qualidade, comprometido em formar e informar o povo brasileiro, fazendo ecoar sua voz. É fazer o embate à mídia que invisibiliza a luta por direitos, que criminaliza os movimentos sociais e deslegitima as greves, mostrando que é do lado dos patrões que ela samba.

Para estar ao alcance do povo, não basta estar acessível ao consumo; a produção também deve estar nas mãos do povo. Discordar dos grandes veículos ou eles mesmos publicarem algo que discordam não é suficiente para dizer que temos uma mídia verdadeiramente democrática. A produção também precisa ser feita por todos, e não apenas por um pequeno grupo que ignora as diversas realidades existentes, que define as pautas que interessam.

A comunicação, assim como a saúde e educação precisa ser encarada como um direito humano. Em tempos de golpe é quase utópico pautar a democratização da mídia, mas existe uma saída tão importante quanto: Ecoar as nossas vozes! Fazer de cada rádio comunitária, jornais de grêmios ou DCE’s, do Brasil de Fato e até mesmo as redes sociais como aliadas no combate a mídia hegemônica. É fortalecendo quem se posiciona contra o império de um pequeno grupo comandando a mídia que conseguimos contrapor narrativas e exercitar o que deveria ser assegurado como um direito fundamental: a necessidade humana de se comunicar livremente.


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