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A unidade necessária para derrotar o golpe

O Golpe parlamentar de 2016 que afastou a Presidente eleita Dilma Rousseff e vem impondo retrocessos e uma agenda neoliberal de retirada de direitos representa mais que uma perda de um governo, representa uma derrota de natureza estratégica. O que significa isso? À medida que a classe dominante tem o controle do aparelho de estado, o seu objetivo estratégico não é a conquista do poder, mas sim, neutralizar qualquer possibilidade que ameace o seu domínio. Em outras palavras: o objetivo estratégico da burguesia é a nossa destruição. Destruição que pode ser física, como também, destruição da nossa capacidade de organização e luta.

É isso que está em jogo com a criminalização de lideranças populares, a exemplo do Lula e militantes dos movimentos populares, de partidos políticos, como PT, dos movimentos populares e sindicais. A Reforma Trabalhista além de retirar direitos básicos, destrói a organização sindical no Brasil, empunhando um golpe brutal na resistência sindical e popular.

Não se trata, portanto, de uma derrota do PT ou das organizações que protagonizaram o último ciclo político no Brasil, mas uma derrota de toda a esquerda e do povo brasileiro. Se pudéssemos sintetizar esse momento numa imagem seria a de um cerco em que o inimigo avança em direção ao nosso aniquilamento, indistintamente. Infelizmente, ainda existe na esquerda brasileira posturas vacilantes ou oportunistas que acham que é possível se beneficiar desse cerco e tentam se auto construir em cima disso, como é o caso da posição oportunista, e de direita, de defesa da Operação Lava Jato, uma operação flagrantemente política, seletiva, autoritária, de inspiração fascista, que ameaça a democracia.

O que fazer diante desse cenário? Primeiro, sobreviver, resistir! E construir as condições para ofensiva.

A sobrevivência impõe a unidade ampla das forças populares como uma necessidade fundamental nessa conjuntura. Não se combate uma conjuntura de cerco e aniquilamento com sectarismo. Não se combate uma conjuntura de cerco e aniquilamento colocando as nossas divergências acima daquilo que nos une nesse momento que é a resistência a essa ofensiva.

Isso significa que todas as forças que se colocam contra Golpe, contra a retirada de direitos e ao desmonte do Estado devem compor uma frente ampla para fazer o enfrentamento ao inimigo principal. Momentos similares na história exigiu essa postura e a negativa ou a vacilação nessa tarefa custou muito caro as organizações populares e a todo o povo brasileiro.

Esse é o significado da Frente Brasil Popular nessa conjuntura. Reunir todas as forças populares e democráticas para resistir e preparar a ofensiva.

E o que isso tem a ver com a juventude?

Todos os momentos da história que a juventude e o movimento estudantil brasileiro, e a própria UNE, fizeram diferença na luta de classes e cumpriram um papel político importante foi quando se colocou como porta-voz das lutas do nosso povo. Foi assim na luta contra nazifascismo, na campanha “O petróleo é nosso!”, na luta contra Ditadura Militar e, mais recentemente, na luta contra o Golpe de 2016 e a retirada de direitos.

E num momento tão complexo como este, o mais difícil que a nossa geração já viveu, não podemos vacilar no compromisso com o povo brasileiro. Esse é o sentido principal da nossa luta e a condição fundamental para construção de um projeto popular para o Brasil.

A compreensão dos desafios do atual momento não afastam os demais desafios e críticas que temos apontado à entidade e que marcam, desde o princípio, a entrada do Levante Popular da Juventude na UNE. Esta compreensão nos levou a construir o Campo Popular, como uma alternativa a polarização despolitizada que prevalecia na entidade. Acreditamos que para fazer jus a história da UNE e as tarefas impostas pela luta de classes precisamos fazer da UNE um instrumento de organização e resistência da juventude, presente no dia a dia dos/as estudantes, com capacidade e centralidade na luta de massas, no trabalho de base, na agitação e propaganda e na aliança, a partir de ações concretas, com os movimentos populares e com o povo brasileiro, a exemplo do Centro Popular de Cultura (CPC), da UNE. E isso passa por mudanças na linha política e na condução da entidade.

O Campo Popular e os desafios que apontamos permanecem vigentes. Neste sentido, apresentamos em nossa resolução de movimento estudantil um programa e uma agenda para a entidade que orientará a construção do Campo Popular dentro da UNE, que passa por democratizar a entidade, descentralizar as decisões, de fortalecer e profissionalizar a comunicação com/as estudantes, de garantir mais transparência, participação e fiscalização no uso dos recursos da entidade, de construção da UNE nas bases, através da retomada do Conselho Nacional de Entidades de Base (CONEB), da organização de comitês em cada universidade.

Não podemos subordinar a luta política geral na sociedade à disputa de rumos da UNE. A universidade não é uma bolha e o movimento estudantil tem que estar a serviço dos interesses juventude e do povo brasileiro. Seguiremos buscando combinar a unidade ampla para defender os interesses da juventude e do povo brasileiro com a democratização da entidade e seu compromisso com a luta de massas.

Por isso, no 55º Congresso da UNE, o Levante Popular da Juventude, em coerência com esse compromisso e com as necessidades concretas que esse momento político nos impõe, construiu a chapa “Frente Brasil Popular: a unidade é a bandeira da esperança”.

Seguiremos construindo o Campo Popular dentro da UNE, nestes novos marcos de rearranjo de forças dentro da entidade, combinado com a unidade mais ampla da Frente Brasil Popular, para que a juventude e o povo brasileiro possam assumir as decisões sobre o presente e o o futuro do Brasil. A história da UNE se fez com muita luta, ocupando prédios, ocupando a arte, ocupando as ruas e ocupando o Brasil. Resgatar a história da entidade nos dá orgulho e uma grande responsabilidade com aqueles e aquelas que deram a vida por essa entidade. É com esse espírito e essa garra que nós do Levante Popular da Juventude seguiremos!

Pátria Livre! Venceremos!


Avaliação e perspectivas para a União Nacional dos/das estudantes

O 54º Congresso da UNE

Entre os dias 03 e 07 de junho deste ano, ocorreu em Goiânia o 54º Congresso da UNE, que contou com a participação mais de 10 mil estudantes brasileiros/as. A plenária final do congresso, que definiu a política da entidade para os próximos dois anos e na qual foi eleita a nova diretoria da UNE, reuniu 4.071 delegados/as, representando aproximadamente 98% das universidades públicas e particulares de todo o país.

O Congresso da UNE foi realizado em meio a uma conjuntura marcada pela forte ofensiva conservadora da direita brasileira na sociedade e pelo ajuste fiscal realizado pelo Governo Federal, através do Ministro da Fazenda Joaquim Levy. A programação do congresso buscou expressar este momento que vivemos, realizando diversas conferências e debates acerca da redução da maioridade penal, sobre o financiamento empresarial de campanhas e sobre os corte de 9,4 bilhões de reais do orçamento da educação brasileira.

Neste sentido, apesar dos limites políticos e estruturais do Congresso da UNE, avaliamos de forma positiva o 54º Congresso, pois demonstrou a vitalidade da entidade, expressão direta de sua pluralidade interna de opiniões, evidenciada em diversos debates, em especial o de Reforma Política. Esse debate contou com a participação de importantes militantes da esquerda brasileira, que de forma uníssona denunciaram a contrarreforma política em curso no Congresso Nacional, que tem como objetivo constitucionalizar o financiamento empresarial de campanhas e impedir a participação popular nos rumos da nação.

A nossa construção enquanto Levante Popular da Juventude.

54º CONUNE

Nós, do Levante Popular da Juventude, participamos do 54º Congresso da UNE com aproximadamente 1200 jovens, de 22 estados da Federação e do Distrito Federal. A bancada do Levante, uma das maiores e mais animadas do congresso, continha dentro de si a diversidade étnica e cultural da juventude brasileira.

Tínhamos três objetivos centrais com nossa participação no congresso: combater a redução da maioridade penal, denunciar os cortes na educação brasileira e apontar a necessidade de uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político para enfrentar a ofensiva conservadora da direita brasileira. Ao mesmo tempo, visávamos identificar os inimigos do povo brasileiro: as forças neoliberais e o imperialismo.

​As nossas intervenções durante o congresso foram marcadas por essa linha política, que, a nosso ver, contribuiu para a politização dos diversos debates que aconteceram em Goiânia. Além disso, ao recuperar os elementos da agitação e propaganda, estimulamos a criatividade e a alegria da juventude brasileira em fazer política.

O Campo Popular

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Além disso, atuamos enquanto campo político, em aliança com o Coletivo Quilombo, o Movimento Mudança, a Juventude Revolução, o Coletivo o Estopim e a Reconquistar a UNE. A nossa atuação enquanto Campo Popular se fortaleceu neste último Congresso, explorando o vácuo político existente na entidade entre o adesismo acrítico às políticas educacionais do Governo Federal e o sectarismo que tem a oposição ao governo como princípio.

​É neste contexto em que se inseriram as movimentações do nosso campo durante a plenária final do congresso. Apresentamos duas resoluções enquanto Campo Popular: a de educação e a de movimento estudantil, nas quais apresentamos nossa opinião acerca destes temas, nos diferenciando tanto do atual campo majoritário na UNE, quanto da oposição de esquerda.

​A resolução de conjuntura apresentamos conjuntamente com o campo majoritário. O fizemos a partir de uma reflexão coletiva enquanto campo político, sobre a necessidade imposta pela conjuntura de ofensiva da direita brasileira e de ajuste fiscal, de uma unidade mais ampla, envolvendo o conjunto dos setores democráticos e populares que estão em luta na sociedade. Essa movimentação está em curso na sociedade na luta contra o PL 4330, contra as MPs 664 e 665, em defesa da Petrobrás, contra o financiamento empresarial de campanhas e contra a redução da idade penal.

​Esta movimentação não anulou as diferenças que temos com os setores do campo majoritário. Tampouco nos diluiu enquanto campo político. A nossa intervenção contribuiu para que a entidade aprovasse uma resolução de conjuntura que tivesse um posicionamento firme contra o ajuste fiscal e os cortes na educação, reafirmasse o compromisso da UNE com a luta pela Reforma Política e com a Constituinte e, por fim, incorporasse uma agenda política unitária que tem como objetivo recuperar o protagonismo da entidade diante deste contexto de retomada das lutas de massas no país.

​A crítica realizada por parcelas da oposição de esquerda a essa nossa movimentação só evidenciou o sectarismo que permeia esse campo, que os impede de identificar os verdadeiros inimigos do povo brasileiro e que os faz subordinar a luta política geral na sociedade à disputa interna da entidade.

​ A intervenção protagonizada pelo nosso campo político contra a redução da maioridade penal durante a plenária final, e que simbolizou um dos momentos mais belos do 54º Congresso da UNE, reafirmou a nossa convicção de que é possível e necessário construir uma unidade na luta entre os diversos setores que constroem a União Nacional dos/as Estudantes.

Vitória política no 54º Congresso da UNE

18288139413_c97c5bacb1_zO Levante Popular da Juventude e o Campo Popular obtiveram uma grande vitória política no 54º Congresso da UNE. Essa vitória consistiu na implementação de uma linha política combativa para a entidade, mas ao mesmo tempo não sectária, que conseguiu dialogar com a consciência do conjunto dos/as estudantes presentes no congresso.

Essa vitória foi produto do esforço coletivo de centenas de militantes por todo o país, convictos/as da importância de construir um projeto popular para o Brasil na UNE. O resultado da eleição da nova diretoria da entidade, com a chapa “Campo Popular que vai botar a UNE pra lutar!” que obteve 724 votos e atingiu a mesa diretora da entidade, demonstrou a justeza dessa linha política.

Ao mesmo tempo, evidenciou que o arranjo político do campo majoritário, centrado na conciliação com o Governo Federal e na prioridade da luta institucional, está em crise. Com a retomada gradual da luta de massas no país, as posições mais moderadas tendem a perder espaço para posições mais radicais. Do mesmo modo, as posições mais sectárias tendem a se isolar neste novo cenário político em que vivemos.

Neste sentido, o Campo Popular sai do 54º reafirmando seu compromisso com a entidade e consolidando-se como alternativa de direção política na UNE. Reafirmamos a necessidade de construção de um campo democrático e popular que dirija a entidade nesse novo contexto que vivemos no Brasil. A construção deste novo campo deve incorporar, além do Campo Popular, parcelas combativas do campo majoritário e setores coerentes da oposição de esquerda.

Desafios para o próximo período na UNE

​Nós, do Levante Popular da Juventude, acreditamos que o principal desafio da UNE para o próximo período consiste em recuperar o seu papel protagonista na luta política no país, reforçando sua autonomia perante as políticas educacionais do Governo Federal e priorizando a luta de massas como meio para conquistar vitórias para os/as estudantes brasileiros/as.

​Para isso, acreditamos ser necessário que a UNE se democratize. O atual sistema eleitoral da entidade é falho e favorece a artificialidade e a distorção da representação estudantil, onde o peso de parte das forças políticas não corresponde ao seu trabalho organizativo real no movimento estudantil. Isso compromete a democracia interna da entidade e distancia a UNE do cotidiano dos/as estudantes. Queremos uma UNE mais democrática, presente no cotidiano dos/as estudantes, com paridade de gênero nas suas instâncias de decisão e que consiga dialogar com a juventude que está em luta.

​Outro desafio para a UNE é retomar a centralidade do debate sobre reforma universitária: é preciso compreender as transformações ocorridas nos últimos doze anos na universidade brasileira, num cenário de predomínio do ensino superior privado no país e de uma forte crise econômica internacional, inserindo o debate de reforma universitária no conjunto das reformas estruturais da sociedade brasileira – combinando-o com a luta política geral da sociedade, em especial com a bandeira da Reforma Política e da Constituinte -, para que, desse modo, a UNE consiga combater o avanço do conservadorismo nas universidades e o ajuste fiscal na educação, apresentando um projeto de universidade que se articule com os demais movimentos sindicais e populares numa ampla Frente Democrática e Popular.

​Os primeiros passos neste caminho foram dados no 54º Congresso da UNE. A construção de uma agenda política que retome o papel mobilizador da nossa entidade já se iniciou esta semana, com a realização do Ocupe Brasília, fortemente reprimido pela polícia legislativa comandada por Eduardo Cunha.

Desse modo, acreditamos que a nova diretoria da UNE inicia bem sua nova gestão, protagonizando o enfrentamento no Congresso contra a redução da maioridade penal. O desafio é manter-se firme na luta contra os cortes na educação, em parceria com as diversas categorias de professores e técnico-administrativos em greve pelo país.

Para tal, será imprescindível a realização de calouradas unificadas por todo o país, promovendo debates sobre os cortes na educação e realizando uma paralisação nacional no dia 11 de agosto. Esta agenda política aprovada no 54º Congresso deverá culminar numa grande caravana à Brasília no fim de agosto e início de setembro, para pressionar ainda mais o Governo Federal contra os cortes na educação.

​A UNE está mudando, cabe às/aos estudantes brasileiros/as protagonizarem essa transformação, recuperando a UNE para a vanguarda da luta dos/as estudantes e do povo brasileiro!

Confira as fotos do Congresso em nosso Flickr clicando aqui!