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EM BRASÍLIA, LEVANTE FAZ ATO CONTRA JAIR BOLSONARO

Na tarde deste domingo (17), em virtude do encerramento da quarta etapa da Escola de Formação Emerson Pacheco, o Levante Popular da Juventude, na Feira da Torre de TV em Brasília (DF), realiza ato político-cultural contra o avanço do conservadorismo e do fascismo, contras os discursos de ódio disseminados nas redes sociais e nos espaços políticos e contra a criminalização dos movimentos sociais. Não aceitaremos nenhum retrocesso aos direitos da classe trabalhadora, das mulheres, dos negros e negras e dos LGTB. Nesse sentido, há de destacar que uma das primeiras medidas do governo golpista, presidido por Michel Temer, foi a extinção do Ministério das Mulheres, Igualdade Racial, Juventude e Direitos Humanos.

Assim, o ato político que realizamos denuncia também o ataque fascista, carregado de lesbofobia e misoginia, ocorrido na madrugada do dia 29 de junho contra Mayra de Souza, militante do Levante Popular da Juventude. O agressor, Diego Oliveira da Rocha, na ocasião do ataque e recorrentemente nas redes sociais defende as ideologias políticas do deputado Jair Bolsonaro, que incita o machismo e o estupro dentro e fora da Câmara dos Deputados, elogia aos torturadores da ditadura militar e contribui para a disseminação do ódio, prejudicando a consolidação de uma cultura democrática pautada pelos direitos humanos e fundamentais. Somente por meio de uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político será possível superar a subrepresentação da juventude, de mulheres, LGBTs, negros, trabalhadores, camponeses e indígenas no Congresso Nacional.

O ideário político defendido e divulgado pelo deputado Jair Bolsonaro implica o ataque aos fundamentos da dignidade humana e do regime democrático, bem como representa o retrocesso de direitos e liberdades. A base do governo golpista atua para invisibilizar e criminalizar os movimentos sociais e toda luta que busque a transformação social e a emancipação humana. Reivindicamos uma sociedade sem opressão, exploração e violência.

#ForaTemer

#ForaBolsonaro

#CunhaNaCadeia

Nossa rebeldia é o povo no poder!

POR QUE ESCRACHAMOS JAIR BOLSONARO?

Hoje, 24 de abril de 2016, nós do Levante Popular da Juventude escrachamos o deputado Jair Bolsonaro, um dos maiores inimigos do povo.

Assim como fizemos com os torturadores da Ditadura em 2012, com a Rede Globo em 2013, com Eduardo Cunha em 2015 e com o Temer esta semana, deixamos aqui as razões que nos levaram a escrachar Jair Bolsonaro:

Bolsonaro é golpista: ele um dos principais apoiadores do Golpe em curso. Ele está protagonizando o afastamento de uma Presidente que não cometeu nenhum crime de responsabilidade, e não carrega nenhuma denúncia de corrupção. Este impeachment é um golpe parlamentar e midiático cuja principal acusação recai sobre práticas contábeis exercidas por diversos presidentes e governadores.

Bolsonaro é órfão da ditadura militar:  Ele já disse que o “erro da ditadura foi torturar e não matar”. Em seu discurso na votação do impeachment homenageou o Coronel Brilhante Ustra, um dos maiores monstros que aquele regime terrível criou – também escrachado por nós.

Bolsonaro é inimigo das mulheres: Em diversos momentos Bolsonaro deixou claro que é contra qualquer direito para as mulheres e disse frases como “Mulher deve ganhar salário menor porque engravida”. Em outra situação agrediu moralmente a deputada Maria do Rosário com a seguinte frase: “Só não te estupraria porque você não merece.

Bolsonaro é inimigo dos LGBTs: ele constantemente dirige ataques à comunidade LGBT com declarações de ódio. O caso mais recente disso, foi também no 17 de abril, em plena votação do processo do Impeachment: o deputado segurou placas com ofensas ao deputado Jean Willys.

Bolsonaro é corrupto: apesar de o discurso da corrupção ser o principal argumento difundindo pelos golpistas para o afastamento de Dilma, Bolsonaro já foi citado em diversos casos de corrupção como Furnas e a operação Lava-Jato. Ele também é acusado de ter diversos imóveis não declarados.

Por estes motivos é que dizemos: Jair Bolsonaro não nos representa e não representa o povo brasileiro. Não descansaremos até que a democracia seja reestabelecida.

Não vamos aceitar o golpe!

Machistas, racistas e homofóbicos: NÃO PASSARÃO!

Pátria livre, venceremos!

Foto destaque: Mídia Ninja

Mais do que nunca, é necessário falar sobre visibilidade da população LGBT!

Nas últimas semanas, as redes sociais foram palco de uma exagerada manifestação de ódio contra a população LGBT. Com destaque para a campanha fundamentalista contra a empresa “O Boticário” (por realizar uma campanha relativa ao “Dia dos Namorados” na qual visibilizava casais hétero, gay e lésbico) e as repercussões da 19º Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, com o tema: “Eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre assim: respeitem-me!”.

Esses acontecimentos nos fazem retomar a seguinte questão: Por que visibilizar a existência da população LGBT na sociedade brasileira é tão cruel? Até o mês de junho, dedicado a luta pela visibilidade e orgulho LGBT (e com isso a realização das Paradas do Orgulho LGBT), já foram denunciados 148 assassinatos de LGBT’s no Brasil.

A indignação seletiva de setores conservadores e fundamentalistas não pode contribuir para deturpar a luta pela visibilidade a população LGBT. O Congresso Nacional, hegemonizado pelas bancadas ruralistas, patronais e fundamentalistas tentam diariamente impor derrotas não só a população LGBT, mas ao conjunto do povo brasileiro.

A resposta do Congresso aos anseios do povo brasileiro no último período se manifestou na agenda conservadora de Eduardo Cunha (PMDB/RJ) com a PEC da Corrupção, a PL 4330 das Terceirizações e a tentativa orquestrada junto aos fundamentalistas para reduzirem a maioridade penal.

Além disso, diante da repercussão da intervenção artística de uma mulher trans crucificada na 19° Parada do Orgulho LGBT, que se remetia à crucificação e ao ódio diário que a população LGBT vivencia, o Dep. Federal Rogério Rosso (PSD/DF) propôs uma Lei que transformaria a “cristofobia” em crime hediondo. Assim, apresentou com regime de urgência a discussão do projeto com apoio de vários líderes de partidos como o PSDB, DEM, PRB, PR e PSC.

A invisibilidade da população LGBT também é expressão de uma sociedade em que o poder político não é partilhado com mulheres, negras/os, indígenas, jovens, pessoas com deficiência, trabalhadoras e trabalhadores. E para dar passos firmes na luta pela democratização da sociedade e do sistema político brasileiro é necessário lutar por uma Constituinte Exclusiva e Soberana, que não caia nas armadilhas do atual Congresso e que garanta ampla participação do povo brasileiro em toda a sua diversidade.

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Levante Popular da Juventude participa do XII ENUDS!

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Entre os dias 12 e 16 de dezembro o Levante Popular da Juventude participou do XII ENUDS – Encontro Nacional Universitário de Diversidade Sexual, em Mossoró/RN, com o tema: Tire seu discurso do caminho que eu quero passar com a minha luta!

Nos últimos doze anos o ENUDS tem se configurado como um espaço de articulação, resistência, troca de experiência e visibilidade de inúmeros coletivos universitários de diversidade sexual e gênero, assim como, de articulação de estudantes LGBT’s para socialização de pesquisa sobre tais temas.

O Levante Popular da Juventude participa pela primeira vez do ENUDS, mobilizando militantes de diversos estados, tais como, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Sergipe, Bahia e Minas Gerais, com o intuito de conhecer esta experiência de auto-organização das pessoas LGBT’s.

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Ao longo do encontro foram realizadas plenárias, grupos de discussão, oficinas, ato público etc. A participação da população trans obteve destaque com uma discussão protagonizada por três mulheres trans que além de relatos de experiência mostrou os desafios colocados para a luta por visibilidade.

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O Levante compreende a importância da organização de LGBT’s para lutarem pelo fim do machismo, da homofobia, da lesbofobia, da bifobia e da transfobia em busca da superação dessa sociedade opressora que tem promovido uma verdadeiro extermínio de LGBT’s no Brasil, principalmente as/os jovens trans das periferias.


A nossa luta é diária e por sobrevivência

Por Vitória Lessa

homofobia

Estou diariamente em contato -seja pelo meu círculo de amigos, seja pela minha militância- com notícias de jovens LGBTs sendo brutalmente assassinados e por isso me é tão clara a imprescindibilidade da criminalização da homofobia no Brasil. Assim, fico chocada ao ver pessoas comumente defendendo que é exagero, que são casos isolados, crimes passionais, que ser LGBT é moda.
A influência da religião cristã, e muitas vezes do fundamentalismo religioso, no Brasil é visível nas esferas política e social. Na primeira, é estampadamente visível a propaganda discriminatória feita por alguns líderes religiosos (com uma crescente influência e presença no quadro político brasileiro) que defendem que a homossexualidade é proibida pelo primeiro testamento da bíblia. Embora sejam facilmente manipuláveis as interpretações de escritos de mais de 5 mil anos, a religião não pode entrar como mérito em questões políticas em um Estado laico.
No segunda, temos uma sociedade brasileira muito marcada por ideais conservadores, herança da ditadura militar quando a defesa da moral e dos bons costumes de uma família margarina serviam imperavam ditando regras sociais e justificando atos terríveis. Esse conservadorismo, advindo da religião ou não, desponta em um país heteronormativo e patriarcal.
O primeiro significa que o padrão aceitável pela maior parte da população é a heterossexualidade, enquanto o segundo significa que as estruturas de nossa sociedade foram erguidas através da submissão da mulher ao homem. Ambas as características influenciam diretamente no elevado grau de homofobia presente em nossa nação. Em um país onde é valorizado ser homem, portanto (na visão do senso comum) “macho”, “bruto”, “garanhão” e heterossexual, a vida de qualquer um que se oponha a isso não é fácil.
Ilustrativamente: seja uma mulher que “recusa” tal homem, seja um homem que se nega a prestar tal papel, o homossexual não se encaixa num sistema patriarcal e heteronormativo.
Infelizmente a vida de um homossexual no Brasil frequentemente segue a mesma sequência: é criado, como qualquer menino, para crescer e ser um garanhão másculo que subjuga as mulheres ou para ser uma princesa feminina em busca de um casamento com um rapaz lindo, no qual ela prestará o papel de esposa submissa e prestativa (na casa e na cama); chega a adolescência e ele/ela começa a se ver diferente dos colegas, passando por um momento complicado de auto conhecimento e dúvidas, os/as colegas notam, também, que ele/ela é diferente e começam as provocações e até agressões; e finalmente, os/as LGBT se assume primeiro para si mesmo, em um processo complicado e longo (afinal não foi assim que aprendeu que seria) e depois para sua família, muitas vezes em uma experiência traumática.
A discriminação vai acompanhá-lo/a por toda sua vida, seja pela sua família, seja por “amigo/as”, seja por estranhos na rua, seja por colegas de escola/faculdade/trabalho, etc. Seus relacionamentos nunca serão tranquilos, demonstrações de afeto sempre poderão representar uma ameaça, apresentar o/a parceiro/a a família pode nunca ser possível. Não é raro perder vagas de empregos, sofrer perseguição de professores/as/chefes por razões homofóbicas e ter pessoas queridas se afastando.
No entanto a pior discriminação sempre será a violenta. O/A LGBT hoje não tem segurança para andar nas ruas. Basta que alguém ache que está muito “afetado/a” ou “pintoso/a” para desencadear um espancamento sério ou assassinato. O Brasil é oficialmente, segundo dados de ONGs LGBT, o país com maior número de assassinatos LGBTfóbicos não institucionalizados. Isto porque existem países, como o Irã, onde a homossexualidade é crime com pena de morte até os dias de hoje e nesses locais a violência homofóbica é institucional.
Como eu disse, tornou-se comum e (ao meu ver) aceito ouvir casos de assassinatos motivados puramente por ódio à orientação sexual/identidade de gênero de alguém. A mobilização contra essa tentativa de genocídio (declarado, inclusive, diversas vezes por agressores que querem eliminar essa “praga” ou “raça”) é ínfima. Em contrapartida, a incitação à violência é amplamente divulgada por sujeitos como Marcos Feliciano e Silas Malafaia que estimulam o combate aos homossexuais. Os resultados de suas campanhas já são visíveis: enquanto em 2010 eram 240 os assassinatos homofóbicos, em 2014 o número subiu para 271.
Ainda assim os dados -não oficiais, visto que não existe oficialmente esse censo-não são 100% confiáveis, visto que muitos assassinatos LGBTfobicos podem ser registrados como crimes passionais/acidentes/desaparecimentos/etc. Além disso o número de mortes de transexuais e travestis é muito mais alto e muito menos divulgado, visto que essa população é na maioria das vezes marginalizada (e me orgulho muito de minhas amigas trans que hoje vivem realidades diferentes, não podia deixar de falar, pois-embora eu não tenha propriedade- tenho consciência da dificuldade que é fugir desse destino).
A nossa luta é diária e é por sobrevivência. Porque toda vez que eu leio -note-se que pela 6ª vez essa semana- que “jovem homossexual é assassinado a facadas em metro em SP” eu recebo a exata mensagem que o assassino desejava passar: eu sou a próxima.
#criminalizeahomofobia
#criminalizeatransfobia
#resistencialgbt
#levantecontrahomofobia