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Levante pelas Diretas: o povo tem que decidir

O golpe segue seu rumo, mas os golpistas já não estão mais tão unidos. Nesta quarta-feira (17) o Brasil foi surpreendido com o vazamento de gravações envolvendo o presidente golpista Michel Temer e o senador Aécio Neves. O vazamento segue o padrão Globo de golpe: tudo orquestrado, jornalistas recebendo informações privilegiadas, criando o clima para implementar as medidas desejadas. Mas nesse caso quais são as medidas desejadas pelos setores golpistas? Eles não são um grupo só e, apesar de terem orquestrado o golpe juntos, tem interesses distintos.

Os setores golpistas já não têm uma saída unitária como tiveram durante o “fora Dilma”. O núcleo econômico do golpe está preocupado em salvar a própria pele, em garantir a continuidade dos seus negócios e, no caso dos irmãos Batista da Friboi, em não ser presos. A Globo e (o partido) Lava Jato buscam mais legitimação social, em especial depois do depoimento do Lula que desarmou Sergio Moro e desmascarou a parcialidade da operação Lava Jato. E os chamados políticos tradicionais, “fisiológicos”, mais preocupados em garantir ‘fatia do bolo’, a exemplo de Romero Jucá, só querem acabar com toda a crise política para continuar com suas atividades ilícitas.

Além da própria motivação isolada de cada um desses grupos golpistas outros fatores influenciam nessa divisão. A ‘solução Temer’ não deu certo. Com uma ampla rejeição popular o governo de Temer não conseguiu emplacar as duas principais reformas econômicas que propôs. O último mês foi decisivo neste sentido. As grandes mobilizações de Março, que começou com as mulheres nas ruas de todo o Brasil no 8 de Março, em defesa da aposentadoria, os milhares de trabalhadores e trabalhadoras que tomaram as ruas no dia 15 de Março e a maior greve geral dos últimos 30 anos, no dia 28 de abril, deram o tom de como seria o trato da classe trabalhadora com o governo. Além disso o Partido da Lava Jato não conseguiu provar nenhuma das acusações contra Lula e ainda por cima levou uma “porrada” do ex-presidente que saiu com saldo político positivo do depoimento em Curitiba.

A perseguição à Lula, ao PT, MST e todos os movimentos sociais, não tem conseguido resultados concretos. Lula saiu fortalecido do depoimento ao juiz Sergio. Os golpistas sabem que não tem chance de vitória contra o Lula em 2018 e por isso buscam uma alternativa que não passe por enfrentar eleições direitas, afinal, o programa econômico dessa elite nunca venceria nas urnas. Este talvez seja um ponto que ainda unifique os campos golpistas, o medo de uma disputa eleitoral contra Lula em 2018.

Por isso a linha política do campo ideológico dos golpistas (partido da Lava Jato e Globo) é criminalizar a política, desacreditar a população de que é importante participar da política. A Globo tenta associar a imagem da participação política à corrupção, criar um clima de negação da política para gerar novos salvadores da pátria que terão aval para quaisquer medidas desde que se estabilize o país.

Uma das saídas que o campo golpista aposta é a das eleições indiretas com a Ministra Carmem Lucia assumindo um governo provisório. A reunião chamada pela Ministra dias atrás com alguns dos empresários mais ricos do Brasil deixa clara as relações estabelecidas entre este setor da economia e o judiciário.

Para que o povo brasileiro saia vitorioso desta batalha é necessária muita unidade entre as forças progressistas. Compreender que temos diferenças de propostas para o Brasil, mas que o momento é de agitar e propagandear um programa popular de saída para a crise econômica e política. Neste sentido as organizações fizeram o esforço político de propor este programa que contem medidas emergenciais para ser adotadas.

Temos clareza que estas medidas só serão implementadas se restabelecermos a normalidade democrática no país, derrubando o governo golpista e realizando eleições diretas para que o povo tenha o direito de decidir os rumos do país, para que o novo governo eleito através do exercício da soberania popular tenha legitimidade para implementar tais medidas. Vamos precisar de todo mundo, por isso é tão importante a mobilização em cada escola, bairro, local de trabalho, igrejas.
Assim o momento é de aproveitarmos as contradições e divisões do campo golpista e ir para as ruas exigir a imediata saída de Temer e a convocação de eleições diretas para outubro! A Frente Brasil Popular e diversas outras organizações organizam atos em todas as capitais neste domingo e durante toda a semana, tendo seu ápice no dia 24 em Brasília, onde caravanas de todo país dirão um enérgico “Fora Temer!” e exigirão “Diretas Já!”. É tarefa da juventude que quer construir um Projeto Popular para o Brasil participar massivamente destes atos, mobilizar o maior número de jovens possível. Estamos num momento decisivo da história do nosso país e a nossa força reside na nossa criatividade e ações de impacto, na massificação de nossos atos e criação de comitês de mobilização da juventude em todos os locais. Essa é a nossa maior escola de formação política no momento.

“Vamos precisar de todo mundo
Um mais um é sempre mais que dois
Pra melhor juntar as nossas forças”
(Beto Guedes, Sal da Terra)


A hegemonia dos muros

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Este ano iniciou com dois acontecimentos de grande impacto: no Brasil, ficou visível o caos do sistema carcerário com uma rebelião no Amazonas; Nos Estados Unidos, a notícia que impactou o mundo foi a autorização assinada pelo novo presidente Donald Trump para que se comece imediatamente a construção de um muro na fronteira com o México. Dois fatos aparentemente desconectados…

A fronteira dos Estados Unidos com o México tem mais de 3.000 quilômetros de extensão. Portanto o novo muro será uma obra gigantesca. Seu objetivo é o de impedir a entrada de mexicanos, nicaraguenses, costarriquenhos, brasileiros e tantos outros latino americanos que buscam trabalho no norte. É um muro que pretende isolar o império “civilizado” dos povos “bárbaros”, repetindo o que faziam os antigos romanos com seus vizinhos. Por outro lado, fico pensando se os muros brasileiros não serão maiores do que esse: temos aqui mais de 1800 presídios construídos. Temos uma das maiores populações encarceradas no mundo. Quantos quilômetros de muros será que temos no Brasil para estabelecer esta fronteira entre os cidadãos e os não cidadãos? A grande inovação brasileira, nossa tragédia, é o fato de construirmos muros para demarcar uma fronteira interior, difusa, entre aqueles que têm direito à liberdade e aqueles que não tem.

Como podemos apreciar mundo afora, parece que o capitalismo contemporâneo abandonou de vez as suas intenções libertárias. Se simbolicamente a queda do muro de Berlim demarcou a derrota da União Soviética em 1989 frente ao então autoproclamado “mundo livre”, hoje vamos tomando conta que esta suposta liberdade tende a se restringir à esfera do mercado. Para os fatores indesejados, constroem-se novos muros. O antigo lema da Revolução Francesa (liberdade, igualdade fraternidade) parece algo fora de lugar no mundo de hoje, um mundo de distopias do capitalismo selvagem. Frente a uma gigantesca onda migratória e uma intensa diversidade cultural e religiosa, as aspirações de liberdade humana sucumbiram frente à ideologia do medo.

Situações como essa revelam que estamos frente a uma verdadeira crise civilizatória. Um dos sintomas desta crise é o fato de que a classe dominante passa a abrir mão de estabelecer sua hegemonia na sociedade, de construir uma determinada ordem que possa ser aceita pela maioria, contentando-se em blindar-se atrás de muros. No caso brasileiro, não queremos aqui de discutir quem são os culpados pela situação atual, propor soluções imediatas para o problema da violência urbana, nem mesmo fazer um julgamento de valor sobre a conduta individual das pessoas. Trata-se sim de compreendermos que a situação atual é fruto tanto do fracasso do nosso sistema carcerário quanto dos valores sociais e condutas que fundamentam nossa vida coletiva como brasileiros. Este é o anúncio de um fracasso histórico, pois o que a elite é incapaz de aceitar é que, na vida real, os muros são ineficazes: o muro na fronteira com o México não impedirá a entrada de estrangeiros nos Estados Unidos, assim como os muros dos presídios brasileiros não diminuirão a violência na sociedade. Ambos são símbolos de um fracasso anunciado.

Então, então cabe a nós até mesmo a reconstrução de valores que foram abandonados: liberdade, igualdade, fraternidade. Essas são nossas armas para a luta num mundo que constroi muros. Certa vez perguntaram a Fidel Castro o que ele esperava do futuro, e sua resposta foi: “acredito que algum dia a humanidade viverá como uma grande família, todos viveremos como irmãos”. Não é exatamente por isso que lutamos?


Dom Paulo Evaristo Arns: PRESENTE!

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No último 14 de dezembro Dom Paulo Evaristo Arns nos deixou. Após dois dias de velório na Catedral da Sé, em São Paulo, hoje acontece a cerimônia final de despedida. Nós do Levante Popular da Juventude aproveitamos a ocasião para compartilhar algumas palavras.

Dom Paulo é daquelas pessoas que pensávamos seriam eternas. Pessoas que sempre ocuparam um lugar de referência e foram fonte de inspiração. E dizemos sempre porque quando nós, jovens, chegamos a esse mundo, ele já tinha edificado muita história, e já era um senhorzinho sábio para o qual sempre olhamos com admiração.

2016 tem sido um ano que nos mostra, a duros golpes, que nada dura para sempre, e que até os mestres eternos uma hora precisam deixar a convivência

É nesse triste, porém inevitável, momento de passagem, que tudo o que foi construído entra para a história e todos os feitos e ensinamentos se tornam legados ancestrais. Hoje Dom Paulo é uma estrela que brilha forte e ilumina nossas esperanças, sonhos e preces. Na constelação de nossos ancestrais temos honra por ter esse mestre que seguirá inspirando gerações futuras.

Se é, como ele nos ensinou, de esperança em esperança que construímos o futuro, aproveitamos o momento de sua partida para reafirmar o nosso compromisso e nossa fé no futuro coletivo de igualdade e amor que nos propomos a construir.

Mais importante que o nome da fé, é reconhecer as pessoas que doam as próprias vidas à um projeto maior, que se entregam ao sonho é à luta por um mundo em que a humanidade possa enfim viver em harmonia, entre si e com o planeta.

Dom Paulo nos educou através de seu exemplo. Mestre sempre disponível, se preocupou com cada vida que cruzou seu caminho, acolhendo, cuidando, protegendo e fortalecendo.

Rompendo dogmas e costumes sempre soube que a fé em Cristo deve nos mover para uma vida em que é mais importante dar do que receber.

Para nós é uma honra ter compartilhado a existência com esse mestre. Dom Paulo e seu legado seguem vivos em nossos cantos, preces e lutas. Seguiremos firmes empunhando as mesmas bandeiras que ele, tão corajosa e firmemente, sustentou durante sua vida.

Dom Paulo presente!

Agora é sempre!


Nota sobre a repressão policial no ato em Brasília

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Nós, do Levante Popular da Juventude DFE, repudiamos a atuação violenta da polícia militar do governo Rollemberg no ato de ontem (29). Nós, movimentos sociais, mulheres, negros e negras, LGBTS, estudantes universitários e universitárias, secundaristas, professores e professoras, trabalhadores e trabalhadoras, pessoas idosas, com necessidades especiais, entre vários setores da sociedade, fizemos uma manifestação pacífica e democrática contra a PEC 55, que tramita no Senado Federal. A polícia genocida agiu contra o ato com bombas de efeito moral, gás de pimenta, balas de borracha, cavalaria e cachorros para assustar a população e acabar com a manifestação. Estamos nas ruas contra os retrocessos e não cederemos à violência institucional.
Infelizmente, a PEC do fim do mundo, que impõe um teto para os gastos públicos pelos próximos 20 anos, foi aprovada em primeiro turno ontem no Senado Federal. Continuaremos nas ruas por acreditar que a proposta representa séria ameaça aos direitos e políticas sociais conquistados, podendo inviabilizar, entre eles, o Plano Nacional de Educação e a capacidade de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS). Acreditamos que tal medida não é a solução almejada para o enfrentamento da crise econômica, política e social enfrentada hoje pela sociedade brasileira e, em especial, pela classe trabalhadora, para a conquista de direitos e superação das explorações e opressões. A saída é um projeto popular para o país, a partir da reforma do sistema politico, para a conquista da democratização dos poderes e o fim da criminalização dos movimentos sociais.
Na manifestação, o militante do MST e estudante da UnB (FUP), Bruno Leandro de Oliveira Maciel, foi detido quando retirava algumas pessoas machucadas do meio da confusão e continua arbitrariamente preso. Exigimos a libertação imediata de Bruno Leandro de Oliveira Maciel!
O governo autoritário e ilegítimo de Michel Temer, com sua atuação truculenta, não arrancará os nossos sonhos do horizonte.

30 de Novembro de 2016

#NãoàPEC55 #NãoàPECdoFimdoMundo #ForaTemer #PeloFimdaPM


Nosso principal desafio é resistir e transcender

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Resistindo no front e transcendendo na cultura, o rapper Max Souza desponta para o mundo. Misturando rimas, psicologia e consciência política o músico está entre os finalistas do Festival “Sons da Rua”. Com 24 anos de idade e 5 como MC, Max Souza, reafirma o potencial do jovem como protagonista dos questionamentos sociais através da cultura.
“O Hip Hop desde o seu início têm como proposta ser uma arma de luta, de enfrentamento, questionamento, resistência e de denúncia. E por ser uma cultura que é muito adepta dos jovens ela também se torna uma arma de mudança. De mudança social, pessoal, de caráter, intelectual, etc.”

A paixão pelo Hip Hop veio desde o berço, nascido e criado na cidade de Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte- MG, Max afirma que desde o 7 anos já gostava das letras de rappers como Negão do Contraste, Arizona e Racionais. Aos 19, durante os duelos de MC do Viaduto Santa Tereza, reduto do Hip Hop em Belo Horizonte, Max descobriu nas rimas uma ferramenta de disputa social. “A minha forma de luta é de fortalecer a autoestima e a luta de nós negros e negras. Eu queria que todos os negros e negras acreditassem em nós mesmos, sentissem orgulho de ser quem somos, da nossa cultura e nossas raízes e sempre tentar transcender os limites que eles tentam nos impor, pra nós não existe limite algum! ”

Hoje Max se dedica somente às rimas, mas já participou das atividades do Levante Popular da Juventude. Ele afirma que o contato com o movimento foi fundamental para sua consciência política. “Fazer parte do Levante foi muito importante para mim. Fui no primeiro acampamento e isso mudou muito minha visão de mundo e minha relação com as questões sociais. Uma das pessoas que me ajudou e que até hoje eu tenho ele quase como um mentor é o Aruanã. Porque quase tudo que eu sei e me posiciono hoje em relação aos negros foi ele me ajudou nesse processo. Então uma das principais contribuições do Levante foi me dar consciência política. E por consequência disso eu comecei a ler mais estudar mais o que me levou também a chegar e na faculdade o que é muito importante pra mim. ”

Diante do avanço conservador e fascista em que vivemos atualmente e da série de retrocessos de direitos e políticas sociais a qual passamos, Max afirma que mais do que nunca é preciso resistir. “As pessoas tem se sentido cada vez menos intimidadas em se posicionar de forma machista, racista e preconceituosa então eu acho que o nosso principal desafio é resistir e transcender esses pensamentos e nos posicionar diante deles!”

Ao álbum com as músicas do rapper está previsto para ser lançado em dezembro, mas quem quiser conhecer as rimas do músico pode acessar à página https://www.facebook.com/maxsoficial


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