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Levante Popular da Juventude participa do XII ENUDS!

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Entre os dias 12 e 16 de dezembro o Levante Popular da Juventude participou do XII ENUDS – Encontro Nacional Universitário de Diversidade Sexual, em Mossoró/RN, com o tema: Tire seu discurso do caminho que eu quero passar com a minha luta!

Nos últimos doze anos o ENUDS tem se configurado como um espaço de articulação, resistência, troca de experiência e visibilidade de inúmeros coletivos universitários de diversidade sexual e gênero, assim como, de articulação de estudantes LGBT’s para socialização de pesquisa sobre tais temas.

O Levante Popular da Juventude participa pela primeira vez do ENUDS, mobilizando militantes de diversos estados, tais como, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Sergipe, Bahia e Minas Gerais, com o intuito de conhecer esta experiência de auto-organização das pessoas LGBT’s.

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Ao longo do encontro foram realizadas plenárias, grupos de discussão, oficinas, ato público etc. A participação da população trans obteve destaque com uma discussão protagonizada por três mulheres trans que além de relatos de experiência mostrou os desafios colocados para a luta por visibilidade.

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O Levante compreende a importância da organização de LGBT’s para lutarem pelo fim do machismo, da homofobia, da lesbofobia, da bifobia e da transfobia em busca da superação dessa sociedade opressora que tem promovido uma verdadeiro extermínio de LGBT’s no Brasil, principalmente as/os jovens trans das periferias.


Estatuto da família: a regulação de nossas vidas

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O deputado Ronaldo Fonseca do PROS está redigindo um projeto de lei (PL 6583/13) que busca criar o Estatuto da Família. O PL prevê que somente casais heterossexuais e monogâmicos constituem uma família e que, portanto, somente esse formato familiar dá condições legais de adotar uma criança. Esse documento é prontamente defendido pela bancada fundamentalista e reacionária de nosso congresso nacional.

Nosso país, é recordista em número de mortes da população LGBT*, causadas por crimes de ódio. Temos a maior bancada conservadora do mundo, que tem dado declarações de incentivo a estupros corretivos, ao ódio à diversidade, que tem declarado odioso e doentio combate à homossexualidade.Ainda que saibamos que desde o século XIX, a homossexualidade deixa de ser considerada doença por médicos e psicólogos.
Não bastasse esse discurso de ódio que incentiva todos esses assassinatos e abusos, projetos como o estatuto da família têm impedido que PLs como o 122, o João Nery ou o kit anti homofobia avancem, corroborando assim com as práticas homofóbicas e legitimando os brutais assassinatos diários.
Pois bem: para nós, família é a união de pessoas que se amam independente da sua orientação sexual, de sua cor ou de sua classe social.
Por isso, consideramos de extrema importância a legalização da adoção de crianças orfãs por casais homo-afetivos, tendo os mesmos direitos e condições de cuidar e de educar uma criança, que foi desamparada em seu nascimento por seus pais por qualquer que tenha sido o motivo.
E, certamente, a única doença que essas crianças não terão é a LGBT*- fobia!


A nossa luta é diária e por sobrevivência

Por Vitória Lessa

homofobia

Estou diariamente em contato -seja pelo meu círculo de amigos, seja pela minha militância- com notícias de jovens LGBTs sendo brutalmente assassinados e por isso me é tão clara a imprescindibilidade da criminalização da homofobia no Brasil. Assim, fico chocada ao ver pessoas comumente defendendo que é exagero, que são casos isolados, crimes passionais, que ser LGBT é moda.
A influência da religião cristã, e muitas vezes do fundamentalismo religioso, no Brasil é visível nas esferas política e social. Na primeira, é estampadamente visível a propaganda discriminatória feita por alguns líderes religiosos (com uma crescente influência e presença no quadro político brasileiro) que defendem que a homossexualidade é proibida pelo primeiro testamento da bíblia. Embora sejam facilmente manipuláveis as interpretações de escritos de mais de 5 mil anos, a religião não pode entrar como mérito em questões políticas em um Estado laico.
No segunda, temos uma sociedade brasileira muito marcada por ideais conservadores, herança da ditadura militar quando a defesa da moral e dos bons costumes de uma família margarina serviam imperavam ditando regras sociais e justificando atos terríveis. Esse conservadorismo, advindo da religião ou não, desponta em um país heteronormativo e patriarcal.
O primeiro significa que o padrão aceitável pela maior parte da população é a heterossexualidade, enquanto o segundo significa que as estruturas de nossa sociedade foram erguidas através da submissão da mulher ao homem. Ambas as características influenciam diretamente no elevado grau de homofobia presente em nossa nação. Em um país onde é valorizado ser homem, portanto (na visão do senso comum) “macho”, “bruto”, “garanhão” e heterossexual, a vida de qualquer um que se oponha a isso não é fácil.
Ilustrativamente: seja uma mulher que “recusa” tal homem, seja um homem que se nega a prestar tal papel, o homossexual não se encaixa num sistema patriarcal e heteronormativo.
Infelizmente a vida de um homossexual no Brasil frequentemente segue a mesma sequência: é criado, como qualquer menino, para crescer e ser um garanhão másculo que subjuga as mulheres ou para ser uma princesa feminina em busca de um casamento com um rapaz lindo, no qual ela prestará o papel de esposa submissa e prestativa (na casa e na cama); chega a adolescência e ele/ela começa a se ver diferente dos colegas, passando por um momento complicado de auto conhecimento e dúvidas, os/as colegas notam, também, que ele/ela é diferente e começam as provocações e até agressões; e finalmente, os/as LGBT se assume primeiro para si mesmo, em um processo complicado e longo (afinal não foi assim que aprendeu que seria) e depois para sua família, muitas vezes em uma experiência traumática.
A discriminação vai acompanhá-lo/a por toda sua vida, seja pela sua família, seja por “amigo/as”, seja por estranhos na rua, seja por colegas de escola/faculdade/trabalho, etc. Seus relacionamentos nunca serão tranquilos, demonstrações de afeto sempre poderão representar uma ameaça, apresentar o/a parceiro/a a família pode nunca ser possível. Não é raro perder vagas de empregos, sofrer perseguição de professores/as/chefes por razões homofóbicas e ter pessoas queridas se afastando.
No entanto a pior discriminação sempre será a violenta. O/A LGBT hoje não tem segurança para andar nas ruas. Basta que alguém ache que está muito “afetado/a” ou “pintoso/a” para desencadear um espancamento sério ou assassinato. O Brasil é oficialmente, segundo dados de ONGs LGBT, o país com maior número de assassinatos LGBTfóbicos não institucionalizados. Isto porque existem países, como o Irã, onde a homossexualidade é crime com pena de morte até os dias de hoje e nesses locais a violência homofóbica é institucional.
Como eu disse, tornou-se comum e (ao meu ver) aceito ouvir casos de assassinatos motivados puramente por ódio à orientação sexual/identidade de gênero de alguém. A mobilização contra essa tentativa de genocídio (declarado, inclusive, diversas vezes por agressores que querem eliminar essa “praga” ou “raça”) é ínfima. Em contrapartida, a incitação à violência é amplamente divulgada por sujeitos como Marcos Feliciano e Silas Malafaia que estimulam o combate aos homossexuais. Os resultados de suas campanhas já são visíveis: enquanto em 2010 eram 240 os assassinatos homofóbicos, em 2014 o número subiu para 271.
Ainda assim os dados -não oficiais, visto que não existe oficialmente esse censo-não são 100% confiáveis, visto que muitos assassinatos LGBTfobicos podem ser registrados como crimes passionais/acidentes/desaparecimentos/etc. Além disso o número de mortes de transexuais e travestis é muito mais alto e muito menos divulgado, visto que essa população é na maioria das vezes marginalizada (e me orgulho muito de minhas amigas trans que hoje vivem realidades diferentes, não podia deixar de falar, pois-embora eu não tenha propriedade- tenho consciência da dificuldade que é fugir desse destino).
A nossa luta é diária e é por sobrevivência. Porque toda vez que eu leio -note-se que pela 6ª vez essa semana- que “jovem homossexual é assassinado a facadas em metro em SP” eu recebo a exata mensagem que o assassino desejava passar: eu sou a próxima.
#criminalizeahomofobia
#criminalizeatransfobia
#resistencialgbt
#levantecontrahomofobia


Em tempos de monopólio da mídia, traçar novas rotas para a comunicação

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Visualizando alinhar a comunicação a nível nacional, militantes do Levante Popular da Juventude participam do 2º Curso Nacional de Comunicação

Entre os dias 14 e 16 de novembro, em São Paulo, mais de 20 jovens de diversos estados participaram do 2º Curso Nacional de Comunicação do Levante Popular da Juventude. Ao refletir a realidade dos meios de comunicação a nível nacional, os cursistas consideram o espaço como um momento para se alinhar na produção de conteúdo e aprofundar o conhecimento em ferramentas que facilitem o processo de difusão das pautas do movimento.

Ao longo dos três dias, os participantes puderam aprender técnicas de edição de vídeo e fotografia, monitoramento de redes sociais, redação e produção de artes por meios das oficinas facilitadas tanto por militantes do Levante quanto por comunicadores parceiros. Além disso, a presença de convidados do setor de comunicação do Movimento Sem Terra (MST), da TVT, do Brasil de Fato, da Revista Fórum, do Muda Mais e do Fora do Eixo foi fundamental a medida que estes puderam esclarecer dúvidas e compartilhar suas experiências.

“Esse é o momento de refletir nossa comunicação e unificar o modo como o Levante se mostra para a sociedade. Mesmo que cada estado tenha seu modo particular de se expressar, é preciso traçar linhas para que a gente tenha uma identidade a nível nacional”, afirma Rafael Coelho, do setor Nacional de Comunicação do Levante, ao ressaltar uma das preocupações centrais do curso.

Em uma realidade que os principais meios de comunicação estão concentrados nas mãos de um pequeno grupo de famílias, geralmente avessos às pautas sociais, visualiza-se a comunicação como uma ferramenta fundamental de luta. É preciso traçar caminhos para que o Levante possa disputar, não apenas nas redes sociais, mas também em outros espaços, o conteúdo das informações compartilhadas na mídia. Nesse sentindo, ao fim do 2º Curso Nacional reafirma-se a necessidade da construção de um setor de comunicação cada vez mais alinhado e coeso.


Levante realiza ação contra o genocídio do povo negro

Hoje, 17 de novembro, saímos pintamos às ruas do Rio Grando do Norte, do Rio de Janeiro, de São Paulo e do Ceará, para dizer que não aceitamos o Genocídio da juventude negra.

Segue abaixo a nota contra o genocídio do povo negro.
Levante Contra o Genocídio do Povo Negro.

Nós, do Levante Popular da Juventude deixamos nossas marcas nas ruas neste 17 de novembro de 2014 em memória a vida de cada um dos jovens, em sua maioria negros, executados pelas polícias brasileiras. Com isso, fazemos coro a um grito que vem sendo historicamente ecoado por diversos movimentos sociais brasileiros há anos em nosso país: BASTA DE GENOCÍDIO DO POVO NEGRO.

Os índices de mortalidade da juventude negra só ilustram a barbárie em que vivemos. Ser negro no Brasil é ter mais 3,7 mais chance de morrer de forma violenta. Os números da violência só crescem em nosso país, de 2009 a 2013, subiu de 44.518 para 53.646 o número de homicídios. Entre todas essas vítimas, 36.479 eram jovens negros, ou seja, 68% do total de mortos. Os índices são do 8º Anuário Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), no entanto, essa realidade pode ser identificada na sensação de medo permanente que acompanha nossos jovens nas periferias brasileiras. O GENOCÍDIO do povo negro é a face mais cruel e latente da incapacidade que o Brasil carrega até os dias de hoje de superar o pesadelo da escravidão, e a perpetuação do racismo.

No inicio do mês de novembro o Brasil viveu mais um episódio dessa tragédia permanente, na madrugada do dia 5 de novembro uma chacina orquestrada via rede social por policiais militares matou pelo menos 9 pessoas em números oficiais, acredita-se que esse número possa ser muito superior ao divulgado pela Secretaria de Segurança Pública do Pará. Agentes policiais teriam invadido bairros da periferia do Para, matando indiscriminadamente moradores e transeuntes com a finalidade de vingar a morte de um policial militar morto no dia 04 de novembro em um dos bairros. A tragédia foi anunciada pelo perfil no facebook de um policial militar no Pará.

O genocídio do povo negro é uma realidade tão naturalizada em nosso país, que até a data de hoje a presidenta Dilma Roussef não prestou nenhum esclarecimento público sobre o ocorrido e não demonstrou nenhuma intencionalidade em pressionar o estado do Pará ou mobilizar para que os órgãos federais investiguem os crimes.

Os autos de resistência, ou a resistência seguida de morte, são uma ferramenta utilizada pelo estado brasileiro, desde a ditadura militar, para mascarar a letalidade policial. Os HOMÍCIDIOS praticados pelas polícias são registrados como Resistência seguida de morte, evitando assim que esses casos sejam investigados como de fato deveriam ser.

A ação de hoje é só mais uma das ações que vem sendo construídas em todas as partes do nosso país. O objetivo é único: ocuparemos as ruas, pintaremos os muros, e denunciaremos cada vez mais o genocídio do povo negro. Engrossamos as fileiras do Movimento Negro Brasileiro na luta pelo fim do racismo e do genocídio. Compreendemos essa política que massacra nossa juventude como a expressão mais indigna da institucionalização do Racismo Brasileiro.

A juventude brasileira se coloca em luta por cada um dos jovens que morre violentamente no Brasil, e enfrentaremos todas as batalhas necessárias até a vitória.

EXIGIMOS:

  • A IMEDIATA APROVAÇÃO DO PL 4471 QUE DETERMINA O FIM DOS AUTOS DE RESISTÊNCIA NO BRASIL
  • POSICIONAMENTO DA PRESIDENTA DILMA ROUSSEF SOBRE AS MORTES OCORRIDAS NO PARÁ
  • A IMEDIATA INVESTIGAÇÃO DA CHACINA OCORRIDA NO PARÁ NO DIA 5 DE NOVEMBRO
  • O COMBATE CONCRETO E PERMANENTE AO GENOCÍDIO DO POVO NEGRO

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