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Livro resgata escrachos à torturadores realizados pelo Levante

No próximo dia 12 de agosto, no Memorial da Resistência, em São Paulo, a historiadora Ana Paula Brito lançará seu livro “Escracho aos Torturadores da Ditadura”. A autora explica que a publicação é resultado de uma pesquisa histórica para a sua tese de mestrado. Trata-se de uma análise interdisciplinar de uma manifestação em “prol da memória” e também é uma manifestação por verdade e justiça sobre os crimes da Ditadura civil-militar no Brasil. “Esse tema precisa chegar na sociedade civil. As pessoas precisam parar de discutir a questão político- partidária ou ideológica do que foi ditadura   e atentar, sobretudo, para questão humanitária do que foi a ditadura, foram violações de direitos humanos, crimes de lesa-humanidade que são imprescritíveis que foram cometidos. A gente não pode fechar os olhos para esse período da história brasileira”, explica a autora.

 

Os escrachos aos torturadores, por “Memória, Verdade e Justiça”, retratados no livro de Ana Paula, são uma série de manifestações realizadas pelo Levante Popular da Juventude a partir de 2012, que visou denunciar a impunidade de militares que assassinaram e torturaram centenas de pessoas durante a Ditadura Militar brasileira (1964-1985). “Depois de nosso primeiro Acampamento Nacional, realizado em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, os jovens de diversos estados, voltaram para casa com a tarefa de nacionalizar o Levante Popular da Juventude. Uma das ferramentas utilizadas para apresentar o Levante para a sociedade, foi justamente os escrachos, uma ferramenta que demonstra bem o perfil do movimento”, relembra Nataly Santiago, militante do Levante Popular da Juventude.

 

A Comissão Nacional da Verdade, que tinha como objetivo investigar as violações de direitos humanos cometidos por agentes públicos no período entre 1946 e 1988, foi sancionada em novembro de 2011, porém, os trabalhos da comissão só começaram em Maio de 2012.  “Os escrachos, de certa forma, pressionaram o governo a iniciar as investigações”, explica Nataly. “O formato dessas denúncias, de ir até a casa do torturador, traz também o objetivo de denunciá-lo para a vizinhança, de expor que aquela pessoa cometeu crimes. Além do lema “Memória, Verdade e Justiça”, esta série de manifestações também trazia como lema “Enquanto não houver justiça, haverá escracho popular”, finaliza a militante.

 

O Levante Popular da Juventude escrachou Dulene Aleixo Garcez dos Santos, Aparecido Laertes Calandra, Brilhante Ustra, entre outros torturadores.

Em dezembro de 2014, o Levante voltou a se manifestar sobre este tema. Desta vez, pela aplicação dos encaminhamentos tirados pela Comissão Nacional da Verdade. Cerca de 500 jovens, que participavam do II Acampamento Estadual de São Paulo, em São Carlos, trancaram a Rodovia Washington Luiz, exigindo a punição aos torturadores da ditadura militar.

O Levante Popular da Juventude conversou com Ana Paula para saber mais sobre o Livro. Neste bate papo, Ana Paula destacou que os escrachos escrevem a história do Brasil e não são importantes apenas por denunciar e cobrar punição aos culpados, por criar uma memória coletiva, mas porque o que aconteceu no passado reflete diretamente no que vivemos hoje, sobretudo para a juventude periférica. “Quando a PM desaparece com corpos, por exemplo, ela faz isso porque tem certeza da impunidade. A PM foi formada para reprimir, ela não foi educada para os direitos humanos e tudo isso fruto da ditadura”, afirma Ana Paula.

 

Confira a entrevista na íntegra:

Entrevista Ana Paula Brito

 

  • Levante Popular da Juventude: Como foi a definição do seu tema de pesquisa?

 

Ana Paula Brito: Eu sou paraibana, fui fazer o mestrado no Rio Grande do Sul, na cidade de Pelotas. E a minha pesquisa inicial era um projeto de graduação que eu tinha feito que chamava “Compartilhando Memórias: As que não serão esquecidas”. E a ideia era trabalhar a busca pela memória do período da ditadura neste projeto. Então, eu me mudei para o Rio Grande do Sul em 2012 e em março do mesmo ano, o Levante Popular da Juventude começou a fazer os escrachos, com muita inteligência e sabedoria, fez no mesmo dia em várias cidades do Brasil que gerou uma repercussão intensa na mídia e foi ai que me chamou a atenção e foi a partir daí que eu conheci o Levante Popular da Juventude. Por meio dos escrachos de Março de 2012.

 

  • Levante: O momento que passamos no Brasil te motivou a escolher este tema?

Assim que eu vi a notícia dos escrachos, lá em 2012, eu mudei o tema. Mais por necessidade de falar sobre o tema e para ampliar e dar visibilidade para as ações do Levante. Não tem a ver com a situação do Brasil agora porque essa decisão foi tomada em 2012, e o texto foi publicado originalmente, a pesquisa foi entregue em 2014. Só agora que consegui recursos para imprimir e transformar em um livro.

 

Esse tema precisa chegar na sociedade civil. As pessoas precisam parar de discutir a questão político- partidária ou ideológica do que foi ditadura   e atentar, sobretudo, para questão humanitária do que foi a ditadura, foram violações de direitos humanos, crimes de lesa-humanidade que são imprescritíveis que foram cometidos. A gente não pode fechar os olhos para esse período da história brasileira. Até hoje familiares de vítimas  continuam buscando  os corpos dos seus entes queridos e a sociedade brasileira não pode ser alheia a essa discussão.  A vontade de fazer o livro sempre esteve presente, só me faltava condições financeiras.

 

  • Levante: Como conheceu o Levante Popular da Juventude?

 

A.P: Conheci o Levante em Pelotas, depois conheci os companheiros de Porto Alegre. Participei do 1º Acampamento Nacional em Santa Maria – RS, e pude ver as diversas áreas de atuação do Levante que não era só uma reivindicação voltada a ditadura, responsabilização dos torturadores, mas um trabalho com juventude, o que a gente realmente precisa no Brasil. Porque a juventude tem sido sempre relegada, àquele que precisa estar sempre olhando para os mais velhos para aprender. Então, muitas vezes não somos ouvidos, nossas reivindicações são escanteadas… Então eu fiquei apaixonada pelo Levante POpular da Juventude, pela união dos jovens,  por ver na jovens que se apoiam, que se identificam em suas lutas, que se apoiam em suas resistências. O que a gente tem resistido hoje? Foi a pergunta que ficou na minha cabeça depois do Acampamento de Santa Maria. A que eu tenho resistido? E nesses dois anos do mestrado, minha resistência foi de analisar esses escrachos, de resistir ao ocultamento da memória, da tentativa de apagamento, do silenciamento institucional que o estado brasileiro impôs a sociedade brasileira por anos.

 

  • Levante: Como avalia essas ações que reivindicavam punição aos assassinos anistiados?

A.P: Minha avaliação dessas ações que reivindicam a punição, e eu nem diria punição, eu diria responsabilização. Já que eles nunca foram responsabilizados de nenhuma maneira pelos crimes que cometeram durante a ditadura, nem socialmente, nem penalmente. Na Argentina e no Chile, depois de serem descobertos os crimes, os perpetradores perdiam seus empregos, tinha que responder oficialmente a justiça pelos crimes que cometeram, identificar as valas clandestinas… E nada disso ocorre no Brasil, no aspecto da responsabilização. Até agora o único que foi responsabilizado foi o, já falecido, Carlos Alberto Brilhante Ustra, que foi processado pela família Teles, que é uma família de luta, de resistência, que impetrou uma ação e a justiça de São Paulo determinou que Carlos Alberto Brilhante Ustra deveria ser considerado torturador. Mas ademais disso, nada mais lhe aconteceu. Então minha avaliação dos escrachos são positivas, sobretudo porque não são necessariamente familiares de vítimas. Esses jovens reivindicam essa memória por entender que essa memória não pertence apenas aos ex-presos e aos familiares, essa memória também é da nova geração, que chamo no livro da terceira geração de memória. E reivindicam essa memória e essa responsabilização por entender que essa memória não que essa memória não é individual, é coletiva, é social mas também por ver e ter que resistir às heranças da ditadura no presente. Então é super positiva a reapropriação dessa memória do passado feita pela juventude no presente.

  • Levante: Qual é o objetivo do livro?

A.P: O objetivo do livro é que ele circule. Que as pessoas leiam. Tentei deixar ele menos acadêmico, tentei resgatar a história da ditadura militar, sobre as políticas públicas de memória no Brasil, no objetivo de contemplar as várias lutas feitas, por décadas, pelos familiares de vítimas, por ex-presos políticos, e que mesmo o estado brasileiro tendo decretado um silêncio institucionalizado com a lei da anistia, e ter dito que era melhor não olhar para o passado e sim olhar para o presente, esses atores sociais, que no livro eu chamo de primeira e segunda geração de memória, não esquecem, nunca pararam de falar, nunca pararam de gritar, nunca pararam de resistir, nunca pararam de reivindicar essa memória.

No livro eu conto um pouco dessa trajetória, dessa política pública de memória, dessas reivindicações no Brasil. O objetivo do livro é esse: que ele não circule apenas em jovens do Levante, não circule apenas em acadêmicos que se interessem pelo tema da ditadura, até porque não são todos que se interessam pelo tema.  Mas que seja acessível às várias organizações, as diversas pessoas da sociedade brasileira. Que esse tema possa ser socializado, que esse tema possa ser desmistificado, que esse tema possa ser popular porque ele interessa a todos nós. Não apenas um tema do passado…. Ele está refletindo em nosso presente. Quando a PM desaparece com corpos, por exemplo, ela faz isso porque tem certeza da impunidade, A PM foi formada para reprimir, ela não foi educada para os direitos humanos e tudo isso fruto da ditadura.

 

  • Levante: Você trata especificamente dos escrachos aos torturadores que fizemos no início da nacionalização do Levante, em 2012. Ao longo desses anos escrachamos outras figuras. O que vc acha sobre utilizar os escrachos como uma ferramenta de denúncia?

A.P: É muito interessante o caso brasileiro. O Levante se inspirou nos escrachos dos Hijos, na Argentina, e da Funa, feita no Chile. E no Brasil os escrachos começaram com torturadores da ditaduras, médicos, militares, e se reunificou. Se ressignificou para escrachar figuras como o atual prefeito de São Paulo, conhecido popularmente como Prefake, porque tem feito políticas que não visam a população, se não uma política de higienização social… Ao Levante Popular da Juventude escrachar figuras como este político e tantas outras, demonstra que ressignificaram a estratégia de luta,  , se apropriaram de uma ferramenta de denúncia não só para ditadura, mas também para os dias de hoje.

  • Levante:  Quem você acha que deveria ser o próximo escrachado pelo Levante?

A.P: Recentemente, uma matéria da Folha de São Paulo, noticiou que o exército brasileiro está censurando informações de seus integrantes. E o pior, é com aval da Corregedoria Geral da União. Se quisermos saber sobre a atuação do Bolsonaro no exército, por exemplo, só saberemos quando ele entrou, que cursos fez…. A pergunta que fica é: quem tem medo da história? Sepultaram a lei de acesso à informação e o direito à memória. Claro conflito de interesse entre o direito público e o direito privado, que visa tão somente manipulação.

 


#brcidades: UM PROJETO PARA AS CIDADES DO BRASIL

ASSINE O MANIFESTO: www.brcidades.org/assineomanifesto

O país atravessa um período de transição política e econômica e seu futuro está em disputa por forças que representam diferentes interesses sociais nacionais e internacionais. Mais de 85% da população brasileira mora nas cidades cuja modernização não superou suas desigualdades históricas. Nelas ainda estão presentes as marcas dos séculos de escravidão,bem como a hegemonia dos representantes dos negócios fundiários (e imobiliários).

Repensar o Brasil urbano é urgente para aquelas e aqueles que pretendem construir cidades mais justas, mais solidárias, economicamente dinâmicas e ambientalmente mais sustentáveis. Essa tarefa passa pelos estudiosos, pelas universidades, pelos profissionais, pelas igrejas, mas especialmente por movimentos sociais e movimentos de juventude. Esses propósitos convergem no que vem sendo chamado Projeto Brasil Cidades.

Sua formulação inicial foi uma iniciativa dos quadros da Frente Brasil Popular e está sendo gestada sobretudo por um grupo coordenado pela urbanista Ermínia Maricato, professora Titular Aposentada da USP, e por Karina Leitão( Professora Doutora FAU-USP), em diálogo estreito com o Levante Popular da Juventude e outras frentes e entidades populares. Trata-se, destacam, de uma construção social que visa incidir na conjuntura, mas também uma mobilização de médio e longo prazo.

Já assinam o primeiro manifesto a FNA-Federação Nacional dos Arquitetos, IAB- Instituto dos Arquitetos do Brasil (DF, SP, RS e PB), FISENGE-Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros. Profissionais e estudiosos da área da mobilidade urbana: ANTP-Associação Nacional de Transporte Públicos; do planejamento urbano, ANPUR- Associação Nacional de Planejamento Urbano e Regional; da saúde, Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares, CEBES- Centro Brasileiro de Estudos da Saúde. Laboratórios de Pesquisas sediados em Universidades (USP, UFRJ, UFMG,UFF, UFMT). Entre os movimentos sociais por moradia e por Direito à Cidade já estão o MNLM – Movimento Nacional de Luta por Moradia, Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MTD), a Frente de Luta por Moradia( FLM), a CONAM – Confederação Nacional das Associações de Moradores, CMP- Central de Movimentos Populares, MNRP- Movimento Nacional da População em Situação de Rua, entre outros. Outros signatários que estão na luta contra a desigualdade racial como UNEAFRO- União de Núcleos de Educação Popular para Negros, Frente 3 de fevereiro, Coletivo Sistema Negro; na luta pelos direitos de LGBT- UNALGBT.

Subscrevem também instâncias do movimento estudantil como a UNE – União Nacional dos Estudantes, UEE-SP União dos Estudantes do Estado de São Paulo, FENEA – Federação Nacional dos Estudantes de Arquitetura; diversas ONGs incluindo FASE e ABONG – Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais. Entre religiosos estão IPDM- Igreja Povo de Deus em Movimento, Coletivo de Igrejas da Zona Leste de São Paulo, Articulação Pastorais e Movimentos Sociais e Evangélicos de Esquerda. Confira abaixo a lista completa com mais de 50 entidades, arquitetos-urbanistas, sociólogos e figuras públicas. O lançamento oficial do projeto em São Paulo está previsto para o início de agosto. Os integrantes e apoiadores preveem organizar cursos de formação sobre “A questão urbana no Brasil” em universidades, escolas de nível médio, também junto a movimentos sociais e, num futuro breve, realizar um primeiro Fórum Social.

Para assinar o manifesto, basta acessar o site https://www.brcidades.org/assineomanifesto

O país atravessa um período de transição política e econômica e seu futuro está em disputa por forças que representam diferentes interesses sociais nacionais e internacionais. Mais de 85% da população brasileira mora nas cidades cuja modernização não superou suas desigualdades históricas. Nelas ainda estão presentes as marcas dos séculos de escravidão,bem como a hegemonia dos representantes dos negócios fundiários (e imobiliários).

Repensar o Brasil urbano é urgente para aquelas e aqueles que pretendem construir cidades mais justas, mais solidárias, economicamente dinâmicas e ambientalmente mais sustentáveis. Essa tarefa passa pelos estudiosos, pelas universidades, pelos profissionais, pelas igrejas, mas especialmente por movimentos sociais e movimentos de juventude. Esses propósitos convergem no que vem sendo chamado Projeto Brasil Cidades.

Sua formulação inicial foi uma iniciativa dos quadros da Frente Brasil Popular e está sendo gestada sobretudo por um grupo coordenado pela urbanista Ermínia Maricato, professora Titular Aposentada da USP, e por Karina Leitão( Professora Doutora FAU-USP), em diálogo estreito com o Levante Popular da Juventude e outras frentes e entidades populares. Trata-se, destacam, de uma construção social que visa incidir na conjuntura, mas também uma mobilização de médio e longo prazo.

Já assinam o primeiro manifesto a FNA-Federação Nacional dos Arquitetos, IAB- Instituto dos Arquitetos do Brasil (DF, SP, RS e PB), FISENGE-Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros. Profissionais e estudiosos da área da mobilidade urbana: ANTP-Associação Nacional de Transporte Públicos; do planejamento urbano, ANPUR- Associação Nacional de Planejamento Urbano e Regional; da saúde, Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares, CEBES- Centro Brasileiro de Estudos da Saúde. Laboratórios de Pesquisas sediados em Universidades (USP, UFRJ, UFMG,UFF, UFMT). Entre os movimentos sociais por moradia e por Direito à Cidade já estão o MNLM – Movimento Nacional de Luta por Moradia, Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MTD), a Frente de Luta por Moradia( FLM), a CONAM – Confederação Nacional das Associações de Moradores, CMP- Central de Movimentos Populares, MNRP- Movimento Nacional da População em Situação de Rua, entre outros. Outros signatários que estão na luta contra a desigualdade racial como UNEAFRO- União de Núcleos de Educação Popular para Negros, Frente 3 de fevereiro, Coletivo Sistema Negro; na luta pelos direitos de LGBT- UNALGBT.

Subscrevem também instâncias do movimento estudantil como a UNE – União Nacional dos Estudantes, UEE-SP União dos Estudantes do Estado de São Paulo, FENEA – Federação Nacional dos Estudantes de Arquitetura; diversas ONGs incluindo FASE e ABONG – Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais. Entre religiosos estão IPDM- Igreja Povo de Deus em Movimento, Coletivo de Igrejas da Zona Leste de São Paulo, Articulação Pastorais e Movimentos Sociais e Evangélicos de Esquerda. Confira abaixo a lista completa com mais de 50 entidades, arquitetos-urbanistas, sociólogos e figuras públicas. O lançamento oficial do projeto em São Paulo está previsto para o início de agosto. Os integrantes e apoiadores preveem organizar cursos de formação sobre “A questão urbana no Brasil” em universidades, escolas de nível médio, também junto a movimentos sociais e, num futuro breve, realizar um primeiro Fórum Social.

Para assinar o manifesto, basta acessar o site https://www.brcidades.org/assineomanifesto


POR QUE ESCRACHAMOS JOÃO DÓRIA

Na manhã de ontem, sábado,  nós do Levante Popular da Juventude realizamos uma ação para denunciar que o prefeito de São Paulo, João Dória está degradando a cidade que deveria administrar. Dória afirma governar por uma cidade linda, mas que não é para todas e todos. O que está por trás desse discurso envolto de marketing é a defesa dos interesses dos empresários e das grandes multinacionais.

A prova disso é que João Dória está implantando o maior plano de privatização da história de SP, vendendo a cidade para seus amigos empresários. A mercantilização do patrimônio e dos serviços da cidade atingirá desde parques até o serviço funerário. Tudo isso sendo feito sem nenhuma transparência e sem dialogo com a sociedade. Por isso denunciamos que “SP não está à venda”. Somos contra esse projeto de cidade que transforma espaços e serviços públicos em privados, transforma direitos da população em mercadoria.

Esse mesmo prefeito que nos acusa como criminosos, se apropriou de área pública em uma de suas mansões; ficou devendo R$ 90 mil de IPTU durante dez anos para prefeitura de São Paulo e, mesmo com patrimônio de R$ 180 milhões, só pagou esse imposto quando foi eleito, para esconder a informação da população.

O que fizemos ontem (15) é uma forma popular de protesto e indignação, que busca dar voz de forma coletiva e organizada as milhões de pessoas prejudicadas pelas políticas de Dória que nos últimos meses reduziu as horas de uso do passe livre estudantil, eliminou programas culturais da população periférica, autorizou a derrubada de um prédio na região da Luz com pessoas dentro do ambiente e negou a importância de uma Secretaria de Igualdade Racial e de políticas para as mulheres.

Dória diz que não é político, mas faz o pior tipo de política dando sustentação ao governo catastrófico de Michel Temer, assolado por denúncias de corrupção. Seu vínculo com Temer é tal que em 2016, Dória premiou, através da Lide, sua empresa de lobby, Michel Temer como líder do Brasil. Não é difícil perceber de qual lado o prefeito está.

Dória fala que a cidade está em crise, mas os gastos com marketing ganharam aumento substancial na gestão, com orçamento de 100 milhões anuais. Não queremos alguém que governa como publicitário, que se diz um gestor “não-político”, mas na verdade é o operador dos interesses empresariais na prefeitura.

O Levante Popular da Juventude continuará em luta na defesa dos direitos daqueles que moram precariamente, dos trabalhadores que passam quatro horas no transporte público por dia, da juventude que não aceita estar segregada e quer condições para estudar e acessar a cidade. Queremos uma cidade na qual o poder público escute, dialogue com a sociedade, atuando para diminuir desigualdades sociais, raciais e de gênero, investindo mais recursos no transporte, na cultura, na saúde, na educação e na habitação. O projeto de governo de Dória é um projeto de privatização, de entrega da cidade às mãos de empresários usurpadores.

Convocamos a população de São Paulo a resistir a esse projeto de desmonte da cidade e desmonte de direitos. Para isso é fundamental nos mobilizar permanentemente em defesa da cidade. Não aceitaremos que nenhum direito seja retirado e nenhum patrimônio vendido, sem que o povo seja consultado.

Nossa Rebeldia é o Povo no Poder!


DOIS DE JULHO PELAS #DIRETASJÁ: INDEPENDÊNCIA DA BAHIA

_”Respeite a minha história_
_Respeite o meu passado_
_Vem lutar ao meu lado_
_A juventude tá na rua_
_E grita com orgulho:_
_Somos Dois de Julho!”_

Nasceu o sol a Dois de Julho e às nove horas da manhã de domingo as ruas da capital baiana já estavam tomadas: Salvador retoma e celebra a história de luta e resistência, o dia da Independência da Bahia!Neste dia, em 1823, as tropas da Coroa Portuguesa são expulsas definitivamente do Brasil. É o triunfo do povo baiano, a vitória da luta da independência no Brasil.

Maria Felipa, mulher negra, pobre e marisqueira liderou mulheres e homens para a derrubada do exército português na Ilha de Itaparica. Maria Quitéria, que em uma época em que as mulheres não participam do exército, se vestiu de homem para conseguir lutar. Joana Angélica, freira, deu sua vida para que o exército português não adentrasse as portas do convento da Lapa. Essas foram importantes lutadoras que viveram pela e para a libertação do povo baiano. Reinvindicamos suas memórias para lembrar que todo poder pertence ao povo e que a libertação só virá por nossas mãos!

Diante dessa conjuntura de governo golpista, que exige mais força e coragem do povo e da juventude da classe trabalhadora, o Levante Popular da Juventude foi às ruas levantar a bandeira das #DiretasJá e apontamos a Frente Brasil Popular enquanto espaço de acúmulo de força popular, articulação e unidade da esquerda para a derrubada de Temer do poder.

Nasceu mais uma vez o sol a Dois de Julho e brilha mais que o primeiro por esse ser um Dois de Julho das #DiretasJá, contra os retrocessos e reformas propostas por Temer. O povo baiano e brasileiro quer se livrar das garras do golpismo e acabar com tudo que nos
explora historicamente!

O Dois de Julho é de luta e com luta se fez!


Por que a ocupação da Palestina por Israel interessa à juventude brasileira?

Por Leonardo Nogueira, militante do Levante Popular da Juventude

(via Brasil de Fato)

2017 é um ano simbólico para o povo da Palestina. São 50 anos de ocupação e colonização de Israel nas terras palestinas. De 1967 aos dias de hoje, Israel não reconhece a legitimidade do Estado Palestino e promove uma verdadeira política de segregação entre árabes e judeus. Um conflito histórico e muito complexo. A região da Palestina já foi alvo de inúmeras guerras e disputas entre grandes impérios. Na primeira metade do século XX, atendendo aos anseios do sionismo – movimento judaico que reivindicava a criação de um Estado judeu – a Inglaterra se responsabilizou pela “doação de terras” sob o seu domínio no território Palestino. Em 1948, o Estado de Israel foi criado e atraiu judeus de todo o mundo em busca da chamada “terra prometida”. Desde então, os conflitos pela demarcação das fronteiras seguem até os dias atuais, pois Israel avança sobre as terras que fazem parte do território palestino e promove, com isso, um verdadeiro processo de colonização.

Muro Irsaelense em Belém/Palestina.

É, no mínimo, intrigante que Israel, apesar de ser um Estado tão recente, tenha construído (ou consolidado) um enorme aparato militar voltado em larga medida ao cerceamento do povo palestino no seu próprio território. Israel tornou-se uma referência em assuntos militares ao ponto de prestar assessoria a setores da segurança pública e a comercializar armas a outros países, como é o caso do Brasil. Mas, diante desse quadro, acredito que um elemento em particular motiva-nos, jovens brasileiros/as, a refletir e solidarizar com o povo palestino: a violência desferida pelo Estado israelense contra a juventude em território palestino, assumindo formas tão semelhantes à violência cometida a esse segmento no Brasil.

Estima-se que 400 crianças foram assassinadas durante os ataques de Israel em 2014 na Faixa de Gaza, após 21 dias de bombardeios ininterruptos. Organizações dos direitos humanos têm denunciado que a expectativa de vida em Gaza é de apenas 17 anos, sendo que 54% da população dessa região têm menos de 18 anos. São mais de 300 jovens palestinos com menos de 18 anos presos em Israel. A população palestina que vive na Cisjordânia tem sua mobilidade restringida. Em cidades como Hebron, não se pode sequer circular por toda a cidade que passou a ser ocupada por forças israelenses. Pequenas bases militares também foram instaladas nas áreas de entrada e saída dos municípios da Cisjordânia, controlando a circulação dos palestinos em suas próprias terras.

O mesmo Estado que pratica uma política violenta de segregação no território palestino atuou, nos últimos anos, formando militares no Rio de Janeiro e forneceu os chamados “caveirões” disponibilizados ao Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar carioca. A polícia militar no Rio de Janeiro (e em todo o Brasil) vem sendo fortemente denunciada pelo seu caráter violento, especialmente com jovens negros das periferias de nosso país. Os dados do relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) “assassinatos de jovens” do Senado afirma que das mais de 50 mil pessoas assassinadas anualmente, quase metade das mortes são de jovens, majoritariamente negros. De acordo com este mesmo relatório, dos homicídios cometidos por policiais no Rio de Janeiro durante confrontos, 99% dos casos são arquivados sem investigação, e em 21% dos casos as vítimas tinham menos de 15 anos.

A violência cometida por Israel na Palestina e a violência cometida pelo Estado brasileiro contra a população pobre possuem um aspecto em comum: impactam diretamente a vida juventude. A luta pela desocupação israelense do território palestino também é uma luta do povo brasileiro e da juventude que se solidariza com as incontáveis formas de violação dos direitos humanos na Palestina. É preciso construir um projeto de vida pra juventude no Brasil e na Palestina. Daí a importância fundamental da criação do Estado Palestino. A juventude quer viver para construir uma Palestina livre e um Brasil sem violência!

 


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