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[SÃO PAULO] BRIGADA DE TRABALHO DE BASE THAYAN JHAPA

Aconteceu ao longo do mês de julho, na cidade de São Paulo, a Brigada de Trabalho de Base Thayan Jhapa do Levante Popular da Juventude, que reuniu militantes de diferentes lugares do país com o desafio de encontrar a juventude nas periferias de São Paulo para debater com ela sobre a sua realidade, suas necessidades, as expectativas e sonhos, e construir coletivamente respostas a tudo isso.

13661850_1042414699198752_1172055226234356743_oEssa que foi a primeira Brigada de Trabalho de Base do Levante Popular da Juventude surgiu em meio ao contexto de intensa luta política no país, de ofensiva das elites contra a democracia e os direitos da população. A Brigada teve como objetivo contribuir com a massificação e o enraizamento do Levante nas periferias de São Paulo, cidade de grande importância por se tratar de um grande centro econômico e político do país, onde as contradições e as desigualdades são muito evidentes. Essa iniciativa vem ainda para reafirmar o trabalho de base como um princípio fundamental do Levante.

Foi com o espírito de solidariedade e compromisso do companheiro Thayan Jhapa, que a Brigada de Trabalho de Base, que leva esse nome em sua homenagem, entrou nas quebradas, nos becos e nas vielas da Brasilândia, da Sapopemba, do Jardim Miriam, de Heliópolis, do Grajaú e do Capão Redondo, e também nas cidades de Guarulhos e Carapicuíba, da região metropolitana. Nesses lugares encontrou uma juventude animada e disposta em transformar a sua realidade e das suas comunidades e fazer no presente um futuro melhor.

13613652_1042414542532101_8687318841073564404_oEntre as atividades realizadas pela Brigada nas comunidades estão os saraus culturais, os mutirões de limpeza e pintura de praças, organização de biblioteca comunitária, rodas de conversa, cine-debates, oficinas de batucada, teatro e grafite, entre outras que reuniram a juventude e as colocaram como sujeitos de um processo de conscientização e organização. O resultado disso tudo não poderia ser outro, novas células do Levante se formaram nas quebradas!

Esse processo da Brigada de Trabalho de Base Thayan Jhapa culminou no Encontrão Nós por Nós, que aconteceu no dia 30 de agosto no Centro da Criança e do Adolescente (CCA) do Jardim Paulistano, na Brasilândia, atividade que também deu início à Semana de Solidariedade Nós por Nós da cidade de São Paulo. O encontro reuniu cerca de 70 jovens de várias quebradas, resultado desse processo de mobilização e organização, e que prossegue mesmo após o encerramento da Brigada e o retorno dos brigadistas às suas cidades e estados.

Ficam os agradecimentos do Levante Popular da Juventude a todas as pessoas, lideranças comunitárias, militantes sociais, movimentos populares parceiros, associações comunitárias e instituições que nos abriram caminhos e deram o apoio necessário para que a Brigada de Trabalho de Base Thayan Jhapa fosse possível.

“Eu, tu, nós vai com ela.
O Levante chegou se organizando com a favela.
Campos, cidades, becos e vielas.
Na luta do povo representa Marighella”


A ação faz a organização!

O Levante Popular da Juventude é um movimento popular de jovens que se propõe a ajudar a construir o Projeto Popular para o Brasil.
Mesmo de forma inconsciente, todos e todas queremos uma sociedade mais justa, igualitária. Queremos ser capazes de derrubar a velha ordem e construir novos rumos para o país. Muitas mãos, corações e mentes serão necessários para a construção dessa utopia. Essa é, inclusive, a nossa maior força contra o capitalismo.

O trabalho de base é uma forma de construir nosso sonho todos os dias, de pouquinho em pouquinho, junto ao povo. Essa é uma tarefa que há um tempo tem sido deixada de lado pelas organizações populares, em troca de uma ilusão de que a própria elite repartiria seu poder.

Mais uma vez, a história provou que somente o povo organizado é capaz de levar o Brasil a esse novo mundo. As feridas do golpe que estamos sofrendo ainda estão abertas.

A brigada de trabalho de base “Thayan Jhapa” representa a reunião de sujeitos que se dispõe e se entregam por inteiro para a construção da transformação social.

Reunimos 20 jovens por um mês e meio para estudar, dançar, agitar e propagandear nosso projeto, seja onde a juventude estiver: escolas, quebradas, universidades. É um tipo de “fazer” política baseado na coletividade e no companheirismo. Essas posturas individuais e coletivas revelam, desde já, um pouco do que sonhamos.

O trabalho de base significa indignação contra as injustiças que sofremos e, ao mesmo tempo, acreditar na capacidade que o povo brasileiro tem de ser protagonista de sua própria história.
Carlos Marighella disse, e repetimos, é a ação que faz a organização e é nela que vemos centralidade.
Jhapa, nosso companheiro, que mesmo nos momentos mais difíceis da sua vida, não se entregou, resistindo e lutando pela vida e pela utopia de construir uma sociedade dos nossos sonhos. Um exemplo de dedicação, de coragem e de compromisso com a luta.

A mística em nossos corações e nossas convicções em mente são o que nos leva a nos movimentar e nos desafiar – e sermos criativos! – na construção do projeto popular para o Brasil.

[CONTRIBUA COM A BRIGADA DE TRABALHO DE BASE]

A tarefa da nossa brigada é ajudar na massificação do Levante, enraizando o movimento nas quebradas, nos bairros, nas escolas, universidades e em cada local onde exista juventude disposta a transformar a realidade, nessa cidade tão complexa e caótica que é São Paulo.

Nosso movimento preza pela autonomia e independência. Mas acreditamos que as nossas ações, feitas com amor e dedicação, produzem apoio e simpatia. E apostamos nessas parcerias para ajudar financiar nossas atividades.

Claro que estamos correndo atrás de muita ajuda, e tentaremos ao máximo contar com a solidariedade das pessoas, em especial na alimentação, que é o mais caro
Mesmo assim, ainda não temos nada garantido e a sua ajuda é imprescindível! Qualquer valor nos ajudará muito.

#BrigadistasEmAção

Contribua:

Banco do Brasil
Agência: 0719-6
Conta: 19485-9
CPF: 401.467.018-01
Nome: Pedro H A Freitas

A Periferia Não Existe

Na última quinta feira, 13 de agosto, o Estado brasileiro reafirmou o recorrente luto que se instaura na periferia. 18 pessoas foram mortas e outras seis ficaram feridas em uma chacina na cidade de Osasco. A pergunta que fica é: quem são os autores do crime? Os supostos detentores da justiça e da paz, juntamente com a mídia, vem fingindo não saber de nada, mas nós sabemos que a autoria dessa peça de terror é da Polícia Militar.

Os nomes, profissões e idade das vítimas pouco importam. Quem dera esse caso ter a mesma visibilidade que a morte do médico Jaime Gold, de 57 anos, morto a facadas na Zona Sul do Rio de Janeiro. O que seria para o Brasil 18 mortes em um bairro classe média? Tragédia. O que são 18 mortes na periferia? Normalidade. Vale lembrar que o estado de São Paulo e do Rio de Janeiro são uns dos únicos que ainda possuem o Auto de Resistência (herdado do período da Ditadura Militar). Resistência essa seguida de morte, que autoriza o uso de quaisquer meios necessários para que o agente do Estado se defenda ou vença a resistência, justificando as mortes atribuídas a força policial. Não será nenhuma surpresa se a chacina de Osasco for justificada com base nessa mesma “lei”.

A morte dessas 18 pessoas foi relatada nos jornais brasileiros de forma natural, corriqueira, quando não banalizada. Surge também um movimento de culpabilização das vítimas, o que já esperávamos tendo em vista o caráter da mídia que influencia diretamente a opinião pública. O que esperar de uma mídia golpista como a hegemônica brasileira?

O que nos espanta é a não manifestação da nossa clássica esquerda, que se diz popular, radical e de massas. O que me espanta é quando Eduardo de Jesus, uma criança de 10 anos, é morta na porta de casa a tiros por um policial no Complexo do Alemão-RJ. O que nos espanta é ver uma das maiores lideranças da oposição de esquerda, Luciana Genro, chamar de bala perdida o ocorrido.

Enquanto as manifestações dos setores conservadores do país causarem mais impacto para a esquerda do que os casos de extermínio da juventude da periferia, em sua maioria negra, não construiremos unidade política. Há muitos que nos odiarão por essa crítica, mas ela infelizmente faz todo sentido. Nos manifestarmos contra tudo aquilo que não acreditamos é urgente e necessário, mas não podemos ter a já naturalizada comoção seletiva, pois esta não entra na periferia.

Por nossos mortos nenhum minuto de silencio, mas uma vida inteira de luta!


Periferia ainda é Periferia em qualquer lugar

Por Ivan Barreto, militante do Levante de Sergipe

Este mês os noticiários se dedicaram a explorar diariamente um homicídio que ocorreu na lagoa Rodrigo de Freitas (RJ). A vítima foi um médico que passeava de bicicleta naquele local quando foi assaltado e ferido com uma faca por um grupo de jovens.

Obviamente que a reportagem sensibilizou a todos que viram a triste notícia e a cobertura do drama familiar. Mas esta história só confirma a regra: O craque só passou a ser tema de estudo e debate quando alcançou a classe média e os assassinatos só comovem quando a cor da carne é branca. No mês anterior outro crime bárbaro aconteceu, um jovem que retornava da escola foi morto por policiais da UPP no complexo do Alemão.

Para os dois casos coberturas e soluções diferentes. No caso “Branco” cobertura completa desde o jornal da manhã até o fantástico, documentaram a vida do médico desde a infância até a faculdade, casamento e prosperidade. Em meio a isso entrevistas com especialistas, psicólogos e pesquisas sobre crimes com armas brancas num contexto de discussão da redução da maioridade penal PL 171/94. No caso “preto” noticiaram uma vez, mostraram a mãe chorando e entrevistaram, não ela, mas o comando policial que vomitou o chavão: “investigar e punir os excessos”.

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A violência, de fato, é um mal crônico no nosso país, mas a violência de Estado (Concentrador, Latifundiário e Racista) foi a que estruturou as demais. Volta e meia respinga num jovem que está dentro do condomínio, mas quem vive entre o tráfico e a polícia, nesta sociedade, não é visto como humano digno de história e prosperidade. As lágrimas destas mães são atores secundários (pretos) nestas novelas.

Não muito distante, ainda este mês, nós do Levante Popular da Juventude recebemos a notícia que um dos nossos companheiros foi encontrado morto numa das “quebradas” de Fortaleza. O Companheiro de carne Negra, Emerson Pacheco, foi mais um daqueles subtraídos à bala das vidas das mães dos morros do Ceará, onde um jovem negro corre 4 vezes mais riscos de morte que um branco.

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Em nome do companheiro Pacheco e demais jovens periféricos o Levante Popular se compromete a alçar com todas as forças a bandeira da não redução da maioridade penal. Lembrando sempre que a maioridade penal não é só punitiva, mas protetora! Aquele jovem de 16 anos, negro, com boné aba reta e jeito periférico poderá ser alvejado -ainda mais- sem maiores explicações e dentro da lei através dos “autos de resistência” caso a maioridade penal seja reduzida. Essa é a regra!

Periferia ainda é periferia em qualquer lugar. Periféricos do Brasil, fogo no pavio! Não temos nada a perder.

Emerson Pacheco Vive!

Veja também:

Nota de solidariedade à família do companheiro Francisco Emerson (Pacheco) Junior

Levante tranca rodovias contra a redução da maioridade penal nessa quarta (27)