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Denúncia pública nacional e internacional sobre as detenções massivas ocorridas na cidade de Bogotá – Colômbia.

 

Nós, organizações sociais, estudantis, sindicais, ambientalistas e defensoras dos direitos humanos que subscrevem, denunciamos para a opinião pública nacional e internacional violações graves aos direitos humanos que estão acontecendo nesse momento na Colômbia. São atentados contra os direitos de associação, protesto, devido processo, expressão e o direito a defender os direitos humanos na Colômbia.

No dia de hoje, 8 de julho de 2015, foram detidas 15 pessoas na cidade de Bogotá de maneira simultânea em operações organizadas pela Fiscalía General de la Nación (poder judiciário), em ação conjunta com a Polícia Nacional. São acusados pelos atentados com explosivos que aconteceram no último dia 2 de julho em Bogotá.

Depois das prisões, a Presidencia de la República, entidades del Distrito y Fiscalía General de la Nación fizeram pronunciamentos em que já condenavam as pessoas detidas, sem garantir o direito de defesa de sua inocência.

Por isso denunciamos: a maior parte das pessoas detidas e processadas são dirigentes estudantis, camponeses, jornalistas, funcionários da prefeitura municipal e defensoras e defensores dos direitos humanos. Pessoas reconhecidas por defender publicamente a educação pública, os direitos dos camponeses e a construção da Paz. Onze dos detidos fazem parte de organizações que constroem o Congresso de los Pueblos.

As prisões realizadas têm como objetivo perseguir e criminalizar o protesto social e a liberdade de expressão na Colômbia, além de dificultar a defesa dos direitos humanos e a busca por uma paz estável e duradoura.

Os “falsos positivos judiciais” seguem ocorrendo e acusam judicialmente, por práticas “terroristas” membros de movimentos sociais. É uma pratica de criminalização que só estigmatiza os movimentos que defendem a paz e a justiça social.

A seguir apresentamos os perfis de nossos companheiros e companheiras, seres humanos coerentes que com seu trabalho e compromisso têm contribuído com a construção de nosso movimento social e político, que defendem a paz com justiça social e mudanças estruturais na Colômbia.

PAOLA ANDREA SALGADO PIEDRAHITA

Mulher, feminista, jovem advogada pela Universidad Nacional de Colombia, comprometida com a defesa dos Direitos Humanos e dos direitos das mulheres. Tem grande reconhecimento no movimento feminista, onde investiga e advoga contra violações de  Direitos Civis e Políticos, infrações aos Direitos Humanos e violência contra as mulheres. Fez parte da Mesa por la Vida y la Salud de las Mujeres, da Red Nacional de Mujeres, da Confluencia de Mujeres del Congreso de los Pueblos. Sua opinião foi consultada por meios de comunicação. Participou em direrentes programas de televisão, eventos acadêmicos, fóruns, seminários, entre outros espaços.

Seu compromisso e capacidade na defesa dos direitos das mulheres foi o que a fez coordenadora do Programa Servicios amigables en salud sexual y salud reproductiva para mujeres de la Secretaria Distrital de Salud de Bogotá – Hospital de Suba II Nivel ESE.  Paola é uma amiga, amante dos animais e uma mulher comprometida com a vida, além de uma grande construtora de sonhos.   SERGIO ESTEBAN SEGURA GUIZA  Tem 27 anos e é Comunicador Social pela Universidad Cooperativa de Colombia, além de candidato a magister em Ciências Sociais na Universidad  Pedagógica Nacional. Também atua como jornalista e comunicador na Agencia de Comunicaciones de los Pueblos Colombia Informa. Atualmente trabalha como gestor de cidadania na Secretaria de Educación, no projeto Educación para la Ciudadanía y la Convivencia em Ciudad Bolívar.

Se destaca também pela liderança em processos de Objeción de Conciencia em Bogotá.  STEFANY LORENA ROMO MUÑOZ  Lorena Romo Muñoz tem 23 anos, cientista política pela Universidad Nacional de Colombia e está matriculada na Universidad Externado de Colombia, para iniciar a especialização em Políticas Públicas no próximo mês de agosto.

É ativista do movimento estudantil desde 2010. Foi parte da direção do Proceso Nacional Identidad Estudiantil em Bogotá e, desde então, parte da Comisión Académica de la Mesa Amplia Nacional Estudiantil (MANE). Nesse ano de 2015, Lorena trabalhou como Gestora Social do Distrito, na Secretaría de Educación, com um desempenho inquestionável.  É líder comunitária nos bairros de Teusaquillo e Chapinero. Em seu ativismo social participou em diferentes espaços que promoveram a construção de paz a partir da sociedade civil, tais como: Frente Amplio por la paz, Clamor Social por la paz e impulsionou o desenvolvimento do pre congreso educativo por la paz, realizado em Cali em 2014.

 

HEILER LAMPREA  Heiler Lamprea tem 25 anos, é Representante no Consejo Superior Universitario de la Universidad Pedagógica Nacional desde 2013. É estudante do último semestre de Licenciatura em Filosofia. Como parte de seu ativismo social, foi importante liderança da Frente Amplio por la Educación, la Paz y los Derechos Humanos.  É parte do Proceso Nacional Identidad Estudiantil e do Congreso de los Pueblos desde 2010.

Desenvolveu trabalho de acompanhamento comunitário em bairros de Suba, promovendo a participação política, a defesa e promoção dos direitos, a construção de paz, a participação política a partir das comunidades, a prevenção ao consumo de drogas, promovendo o acesso gratuito à educação superior pública e de qualidade.

Como Representante Estudantil, promoveu o espaço institucional de Diálogos UPN, que têm como objetivo debater o papel da Universidade na construção da paz.

VÍCTOR ORLANDO ARIZA GUTIERREZ  Víctor Orlando Ariza tem 21 anos. Participa, desde quando era estudante secundarista, de movimentos sociais que defendem a educação pública na Colômbia. Contribuiu com a organização estudantil secundarista até entrar na Universidade.

É estudante de Geografia e Representante Estudantil no Comité de Resolución del Conflicto de la Facultad de Humanas de la Universidad Nacional de Colombia. Faz parte do Proceso Nacional Identidad Estudiantil desde 2011, organização que se destacou por promover a educação pública, gratuita e de qualidade a partir do espaço da Mesa Amplia Nacional de Estudiantil (MANE).

DANIEL EDUARDO HERNÁNDEZ MUÑOZ  Daniel Hernández, 23, faz parte do Proceso Nacional Identidad Estudiantil e do Congreso de los Pueblos desde 2010. É estudante do sétimo semestre de Licenciatura em Filosofia na Universidad Pedagógica de Colombia.  Realiza trabalho comunitário em colégios de Suba, promovendo a organização dos estudantes secundaristas em defesa da educação pública. Atua a partir das perspectivas da Educação Popular e dos ensinamentos do sociólogo Orlando Fals Borda, da Investigación Acción Participativa.  LUIS DANIEL JIMENEZ CALDERON    Tem 34 anos, é Engenheiro Agrônomo pela Universidad Nacional.  Atualmente é representante da Corporación Arando, onde lidera organizações de bairros e camponesas em Usme y Tunjuelito. É membro da Coordinador Nacional Agrario (CNA) e do Congreso de los Pueblos. Também faz parte da Rede Ambiental Bakata e é líder do Proceso de Asociación de Familias Agroecológicas.  Durante a universidade foi Representante no Consejo de Facultad de Agronomía de la Universidad Nacional e recebeu ameaças por suas atividades. Hoje é candidato a mestrado em Desenvolvimento Rural na Pontificia Universidad Javeriana.   ANDRES FELIPE  RODRIGUEZ PARRA    Tem 23 anos. É formado em Filosofia pela Universidad Nacional de Colombia. Foi ativista estudantil, no processo da Mesa Amplia Nacional Estudiantil -MANE-. Atualmente trabalha na Fundación Paz y Reconciliación e faz parte do Congreso de los Pueblos como líder estudantil.   GERSON ALEXANDER YACUMAL RUIZ  Tem 27 anos e é estudante do último semestre de Educação Comunitária, com ênfase em Direitos Humanos na Universidad Pedagógica Nacional; foi professor de crianças e jovens em escolas em Bolívar y Tunjuelito. Atualmente é tesoureiro da organização TEJUNTAS, líder juvenil comunitário em Bolívar e Usme, além de defensor dos direitos humanos, em especial da juventude, na busca por alternativas de produção para os jovens.

LICETH  JOHANA ACOSTA  Tem 21 anos e é estudante do quarto semestre de licenciatura em ciências sociais na Universidad Pedagógica. Faz parte da Identidad Estudiantil e já compôs a Mesa Amplia Nacional Estudiantil (MANE), além de ser participante ativa do Congreso de los Pueblos. Em 2010 atuou como defensora dos Direitos das Mulheres, e atualmente se dedicava à construção de Conselhos Estudantis na UPN.

JHON FERNANDO  ACOSTA  Tem 19 anos e é Estudante de Licenciatura em Artes Cênicas na Universidad Pedagógica. Trabalha na defesa dos direitos de diversidade sexual e das mulheres. Em seu trabalho desenvolve, a partir da sua profissão, a defesa do respeito às mulheres e do corpo como território de construção de paz. Está desenvolvendo uma proposta acadêmica que tem como objetivo articular as artes como ferramenta para a construção da paz. Faz parte do Identidad Estudiantil.

FELIX MAURICIO AUGUSTO GUTIERREZ DIAZ

Tem 25 anos e é estudante de Licenciatura em Filosofia na Universidad Pedagógica Nacional. Foi membro ativo do coletivo Acción Maestra, que realizava trabalho comunitário com crianças com artes e esportes, com objetivo de manter a juventude fora do conflito e afastada das relações com as drogas e os delitos. Fez parte do projeto Lectores Ciudadanos da Alcaldía Mayor de Bogotá, para estimular a leitura em famílias e comunidades vulneráveis. Atualmente atua como professor em colégios urbanos e semi-urbanos de Cundinamarca para preparar estudantes para as provas, em parceria com a Corporación Educativa ASED.  É um defensor dos direitos humanos no país, que reivindica a educação como direito fundamental para as transformações que precisa o país. É membro do Congreso de los Pueblos.   Solicitações  Exigimos a liberdade de todas e todos que estão privadas de sua liberdade, com a garantia do devido processo legal, além de uma demonstração de reconhecimento pela legitimidade e legalidade de suas atuações civis.

Convocamos a Fiscalía General de la Nación a atuar de maneira coerente com o princípio de independência judicial, avaliando de maneira científica as supostas provas recolhidas, já que eles estavam trabalhando ou realizando atividades públicas no momento dos atentados, como já está comprovado e fundamentado.

Exigimos garantias para a participação política, o exercício da manifestação social e a liberdade de expressão em Colôbia. Temos que deter todos os mecanismos que impedem a defesa dos direitos humanos.

 


A batalha da Venezuela também é nossa!

Toda segunda, um texto novo será publicado

Toda segunda, um texto novo será publicado

Um ano após a violenta onda de mobilizações contra o governo de Nicolás Maduro, sabidamente financiadas com o intuito de criar um ambiente  para um golpe de Estado, mais uma iniciativa da extrema-direita foi descoberta e desarticulada em terras venezuelanas. O intento, que previa ataques ao Palácio de Miraflores (sede do governo), ao Ministério da Defesa e ao canal de televisão TELESUR é a demonstração objetiva do que as Oligarquias são capazes quando o que está em jogo é o poder político do Estado.

Chama atenção a cobertura da grande mídia brasileira em relação a mais essa tentativa de golpe, em especial da Rede Globo. Omitem descaradamente os fatos que levaram a prisão do prefeito de Caracas, Antônio Ledezma. Este teve a prisão preventiva decretada acusado pela Justiça venezuelana, em uma investigação do Ministério Público iniciada ainda em 2014, pelo delito de conspiração e associação para o cometimento de atos terroristas. Tais intenções foram comprovadas nas violentas manifestações de rua, que são parte do plano conhecido como “La Salida”, que já vitimaram 43 pessoas desde que se iniciaram, e na recente tentativa de golpe desmascarada.

Será que a Rede Globo, que sempre se apresenta como a paladina da ética, da verdade e imparcialidade, continuará apresentando um terrorista como herói? Isso não é nenhuma novidade se tratando de quem tem uma história construída junto ao terrorismo de Estado instaurado com os golpes militares no Brasil e na América Latina, demonstrando, mais uma vez, que não tem nenhuma legitimidade quando o assunto é democracia.

É importante observar que esta movimentação ofensiva dos setores reacionários de extrema-direita não é exclusividade da Venezuela. A atual conjuntura internacional, onde a cada dia que passa se aprofundam os efeitos da crise do sistema capitalista, tem inspirado diversos processos de caráter fascista representados nas diversas iniciativas em curso tanto na Venezuela como no Brasil.

A Revolução Bolivariana é emblemática pela singularidade de seu processo. O papel central do seu máximo comandante, Hugo Chávez Frias,  que habilmente conduziu a construção de uma sólida relação entre os setores progressistas das forças armadas e o grande sentimento de indignação popular em torno de um programa  de caráter nacional, democrático e popular, expressa uma novidade para os padrões tradicionais da esquerda. Combinando distribuição de renda com reformas estruturais, o governo venezuelano viabilizou um processo de polarização e consequente politização dos setores populares que, no confronto político e ideológico com as oligarquias locais e externas, foi escancarando as contradições do Estado burguês, avançando gradativamente na organização popular,  que aos poucos se transformou na grande fortaleza do governo revolucionário.

Por isso é que a Revolução Bolivariana se transformou numa inimiga tão perigosa aos interesses imperialistas no continente, pois conseguiu, juntamente com as mobilizações populares e as demais experiências de governos progressistas na América Latina, frear o avanço indiscriminado do projeto neoliberal, materializado na proposta derrotada da ALCA. Além de contribuir nessa importante vitória, a Venezuela também é protagonista de importantes iniciativas que hoje já se configuram como alternativas de integração social, econômica e política na região como a ALBA, UNASUL e CELAC e na própria reconfiguração do MERCOSUL.

Para retomar a hegemonia abalada, o imperialismo estadunidense através das sempre subservientes classes dominantes locais e seus setores mais reacionários, ecoados pela grande mídia internacional, se coloca, cada vez mais, numa postura ofensiva a todas as iniciativas que não se submetam aos seus desmandos.

Desde os processos independentistas, há mais de 200 anos, até hoje, fomos impedidos de realizar-nos enquanto pátrias livres e soberanas.  Todas as vezes em  que os povos ousaram se rebelar e construir projetos autônomos aos ditames imperialistas, as oligarquias locais, entreguistas e submissas, apelaram para a violência armada para manter seus privilégios ameaçados.

É preciso  encarar a batalha política e ideológica em curso na Venezuela como nossa, pois o que está em jogo por lá diz respeito diretamente a todo o continente. É papel da juventude revolucionária, comprometida com a construção de um novo modelo de sociedade, se colocar em defesa da soberania e do direito a autodeterminação do povo venezuelano na definição de seus rumos e de seu destino enquanto pátria.

Diante de tal cenário, diversos movimentos sociais, organizações políticas, coletivos, entidades de todo o mundo, estão convocando entre os dias 1º e 8 de março, a Semana Mundial de Solidariedade à Revolução Bolivariana. É na práxis que construiremos um verdadeiro projeto de integração e solidariedade entre os povos de nuestra América,  sendo continuadores da construção de uma Pátria Grande, livre, soberana e socialista.

“Levanta en tus manos la bandera de la revolución y grita con fuerza, Yankee go home!!”  Alí Primera