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NOTA DE REPÚDIO À AGRESSÃO DE MILITANTE DO LEVANTE

Nesta segunda feira (01/08), durante o processo de desocupação da reitoria da UFS, uma militante do Levante Popular da Juventude foi golpeada com um soco no abdômen por um dirigente da União da Juventude Comunista (UJC). O rapaz estava filmando ela e outros integrantes da ocupação de modo invasivo e desautorizado e, ao reagir a situação, apenas colocando sua mão em frente à câmera que a filmava, ela foi agredida com o golpe na barriga.

Logo após o ocorrido, o militante, acobertado pelos demais companheiros de organização, fugiu e se escondeu no gabinete do reitor – onde permaneceu sem esboçar nenhuma forma de arrependimento ou retratação. Houve tentativas de diálogo com a direção do PCB/UJC, que assumiu uma postura conivente com a ação do seu militante, buscando negar os fatos e atribuir a culpa à vítima.

Se o caso, por si só, é extremamente grave, quando é protagonizado e ACOBERTADO por uma organização de esquerda gera ainda mais revolta e angústia.

nota

Vivemos um momento de avanço do conservadorismo, que reivindica o ódio gratuito às minorias sociais – mulheres, LGBTs, negros e negras – e culmina, diariamente, em casos bárbaros de violência. Nessa perspectiva, é inadmissível que a esquerda sobreponha o disputismo político à construção de uma nova sociedade, com novos valores, livre das opressões do sistema capitalista-patriarcal-racista. É preciso ter humildade em reconhecer as contradições para que avancemos rumo a uma sociedade justa e igualitária.

Sabemos que apenas a via jurídica não resolve o problema, mas as providências nesse sentido já foram tomadas e seguirão firmes até o fim. Se é importante reconhecer que não estamos isentos de reproduzir o discurso opressor, é igualmente importante que não deixemos passar batido.

No combate à violência contra a mulher, estamos com Ainara! Afirmamos publicamente nosso apoio e solidariedade à companheira e vamos dar a ela a força necessária para seguir firme na luta!

#SomosTodasAinara #EstamosComAinara #LevantePopulardaJuventude


NOTA EM REPÚDIO À AGRESSÃO LESBOFÓBICA

Precisamos contar essa história por acreditarmos e querermos outra sociedade. Um ataque fascista, carregado de lesbofobia e misoginia, aconteceu na madrugada desta quarta-feira (29/06), em um bar na Samambaia/DF. Diego Oliveira da Rocha agrediu, com xingamentos lesbofóbicos e dois socos no rosto, a estudante e ativista lésbica feminista Mayra de Souza, militante do movimento social Levante Popular da Juventude, enquanto gritava “Bolsonaro 2018”.

Diego usa as redes sociais para destilar ódio às feministas, fazer piadas em relação a estupros, depreciar mulheres e criminalizar os movimentos sociais de esquerda. Já havia se referido à jovem como “sapatão do caralho”, quando no dia 29/06 partiu da violência pela internet para a violência física. A estudante estava com quatro amigas em uma mesa, quando foi abordada por Diego Oliveira da Rocha, que começou a xingá-las, chamando de “vadias” e ameaçando com frases como “pau no cu” e “você vai ver, vem aqui que te mostro”.

Todas as mulheres da mesa são lésbicas e bissexuais e não receberam proteção do estabelecimento onde estavam. Nesse sentido, as entidades que assinam esta nota afirmam que o enfrentamento à violência contra as mulheres e em defesa da livre sexualidade e da liberdade política é uma responsabilidade de toda a sociedade, que deve estar alerta ao avanço do conservadorismo – uma ameaça ao direito à vida a partir da intolerância extrema que desemboca nas múltiplas expressões da violência.

Após vários pedidos das jovens para que Diego Oliveira da Rocha se afastasse da mesa, ele foi ficando mais exaltado, gritando cada vez mais alto e repetindo: “Bolsonaro 2018”, um dos deputados que votaram “sim” ao golpe político em curso no Brasil e cujo voto foi precedido de uma homenagem ao Coronel Brilhante Ustra, torturador da ditadura militar, escrachado pelo Levante Popular da Juventude em 2014. Denunciamos que contra o avanço do fascismo, que impossibilita uma democracia real em nosso país, é imprescindível a unidade popular contra o machismo, a lesbofobia, a bifobia, a homofobia, a transfobia, o racismo e a exploração de classe: o retrocesso de direitos que presenciamos na atual conjuntura política implica e naturaliza o aumento da violência em todas as esferas da vida.

Quando Mayra foi fumar um cigarro, Diego deu o primeiro soco, no olho esquerdo dela. A ativista caiu no chão e, ao se levantar, ele deferiu um segundo golpe no queixo. Durante toda a agressão continuava gritando: “Bolsonaro 2018″. Após as agressões, Diego Oliveira da Rocha covardemente fugiu, apoiado por pessoas do bar para que “se livrasse” do flagrante.

Após fazer um Boletim de Ocorrência e o exame de corpo delito, resta a insegurança: “Estou me sentindo vulnerável, ele não agrediu só a mim, agrediu a uma mesa de mulheres lésbicas e bis, pode agredir outras a qualquer momento, em grupo ou sozinhas”, relatou a estudante. Os índices de violência contra a mulher no Distrito Federal são altíssimos e toda a militância feminista está alerta para denunciar este caso e a impunidade frequente que dá brechas para casos de feminicídio como o da estudante da UnB, Louise Ribeiro, morta no laboratório de anatomia da Universidade de Brasília em março deste ano.

Estamos assistindo ao avanço e ao descaramento de ideologias perigosamente conservadoras, machistas, lesbofóbicas (e todas as outras LGBTfobias), racistas e fascistas em um contexto local, nacional e mundial de ascensão da extrema-direita, de modo que somente pela organização, formação e luta unitária de todas as forças progressistas poderemos barrar o retrocesso de direitos e de liberdade que está em andamento.

A violência cometida por Diego Oliveira e o deputado por ele exaltado Jair Bolsonaro (réu por incitação ao estupro) são símbolos desse avanço conservador, acompanhado da: sub-representação de mulheres, negros, jovens, LGBTs, trabalhadores e camponeses no Congresso Nacional; da invisibilização, ridicularização e criminalização crescente dos movimentos sociais e da luta política; do aumento da violência,

das ameaças e da cultura do medo. Não calarão nossas denúncias acerca das desigualdades estruturais que vivenciamos todos os dias.

Em defesa aos direitos das mulheres, afirmamos que Mayra não está sozinha, exigimos apuração e reparação da violência. Exigimos a punição do agressor, mas não só: precisamos de uma política de mudança cultural e redistribuição de poderes político e econômico, voltada para a transformação social, para vivermos em uma sociedade em que não haja espaço para opressões, explorações e violência. Precisamos falar sobre sexualidades e gênero nas escolas, para desconstruir essa sociedade em que o paradigma de superioridade é o masculino, sempre associado à violência.

Os golpes que atingiram Mayra naquela madrugada de quarta-feira atingiram a todas nós. Diego Oliveira da Rocha não agrediu apenas aquela jovem, mas a todas e todos que lutam por uma nova sociedade em que a emancipação humana seja possível e vamos cobrar justiça!

“Em los jardines humanos
Que adornan toda latierra
Pretendo de hacerun ramo
De amor y condescendencia

Es una barca de amores
Que va remolcando mi alma
Y va anidando em los puertos
Como una Paloma blanca” (Violeta Parra)

Mexeu com uma: mexeu com todas!
#Lesbofóbicos, machistas, golpistas, fascistas: não passarão!
#Visibilidade Lésbica #Resistência Sapatão
Na sociedade que a gente quer: basta de violência contra a mulher!

Assinam esta nota de repúdio:

Levante Popular da Juventude
Coturno de Vênus – Brasília/DF
Consulta Popular
Movimento de Mulheres Camponesas (MMC)
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)
Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)
Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA)
Movimento dos Trabalhadores por Direitos (MTD)
Centro de Estudos e Pesquisa Ruy Mauro Marini
Central de Movimentos Populares (CMP)
Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB)
Frente Brasil Popular DF (FBP)
Movimento Nacional pela Soberania Frente à Mineração (MAM)
Sindicato dos Urbanitários do DF (STIU-DF)
Comitê de Trabalhadoras e Trabalhadores das Secretarias de Políticas para as Mulheres, Igualdade Racial, Juventude e Direitos Humanos pela Democracia
PartidA DF
Marcha Mundial das Mulheres (MMM)
Articulação Brasileira de Lésbicas (ABL)
Associação de Defesa à Liberdade de Gênero do Vale do São Francisco (ADELG)
Grupo Flor de Bacaba – Bacabal/MA
Rede Nacional de Advogadas e Advogados Populares (RENAP – DF)
Coletivo Maria Baderna – Advogadas Feministas
Rede Nacional de Negras e Negros LGBT
Fórum de Mulheres do DF e Entorno
Rede de Mulheres Lésbicas e Bissexuais de Minas Gerais
Coletivo Democracia Corinthiana
Homofobia Não


CONTRA A CULTURA DO ESTUPRO E O PATRIARCADO

por Mariana Lorenzi do Levante Popular da Juventude SP

Há não menos de quatro anos, depois do estupro coletivo no agreste paraibano, e dois anos do estupro coletivo ocorrido na Índia, a barbárie acometeu mais uma vez a humanidade na quarta-feira passada, dia 25.05, quando uma menina foi estuprada por 33 homens no Rio de Janeiro. Ovídeo criminoso  foi posto em circulação na internet pelos criminosos, em tom agressivo e asqueroso de piada, concebido como motivo de orgulho e de prova de virilidade ao ser publicado.

As mulheres tem um algoz e o seu nome é o patriarcado, que opera violências e perpetua sistematicamente a morte das mulheres todos os dias, com uma reiteração tão assombrosa nessa sociedade doente que reproduz a cultura do estupro em forma de piada. Não existe vitimismo quando se fala em machismo. Esse sistema destrói mulheres, edifica medo e desespero. Reproduz relações de força e de submissão entre os gêneros, reitera a violência e o ódio, tortura, enfraquece e despreza a mulher.

Na sociedade doente da cultura do estupro, confesso estuprador tem espaço para formular sobre educação, como se verificou com a banalidade em que se foi noticiado o fato de Alexandre Frota ter sido recebido para apresentar propostas para pasta da Educação, agora composta por Mendonça Filho, do DEM, nomeado pelo golpista Michel Temer.

A sociedade do estupro aplaude a violência e persegue as mulheres, persegue as transexuais e travestis, persegue as mulheres negras e travestis, e transforma tudo em piada, com direito à transmissão em rede nacional de televisão.

É mesma cultura de estupro que permite à quadrilheiros como os deputados Jair Bolsonaro, Marcos Feliciano, Eduardo Cunha e tantos outros estejam no poder e destilem sua ignorância na produção de políticas públicas para mulheres, difundindo o preconceito e o ódio, como por exemplo no PL 5069, que prevê a  destruição dos direitos sexuais e reprodutivos da mulher, com a proibição de métodos contraceptivos e a informação à vítima de violência sexual.

Somos todas as mulheres de queimadas! ! Somos todas as vítimas da violência sexual contra as mulheres! A nossa resistência é o que nos mantém vivas e lutando, até que todas sejamos livres do patriarcado!