Carta da Coordenação Nacional do Levante Popular da Juventude

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1ª Reuniçao da Coordenação Nacional - 2025

Nós, da Coordenação Nacional do Levante Popular da Juventude, nos reunimos em São Paulo, durante os dias 21 a 23 de março, para debater os desafios da conjuntura, da esquerda brasileira e da nossa organização para o próximo período de luta na construção do Projeto Popular para o Brasil.

Diante de uma conjuntura de crises sistêmicas do capitalismo, de ascensão da extrema direita e dos desafios impostos à juventude da classe trabalhadora, apresentamos nossa análise e nosso compromisso com a transformação radical da sociedade. O mundo arde em conflitos, o capitalismo agoniza, e sobre seus escombros, os povos lutam por dignidade. Somos parte desse pulsar, herdeiros das lutas de ontem e hoje semeadores do amanhã sonhado.

1. Os desafios do presente 

Vivemos em tempos de intensificação das contradições do capitalismo. A crise econômica, a ascensão da extrema direita e a crescente militarização dos conflitos globais – como nos casos da Palestina, Ucrânia e Congo – são expressões de um sistema que se reorganiza para manter seus mecanismos de exploração e lucro, acima da vida da classe trabalhadora. O avanço da agenda neofascista nos coloca em uma situação de miséria, com aumento da dívida dos governos e dos povos, insegurança e guerras. Tudo isso é aprofundado pelos impactos das mudanças climáticas, fruto desse modo de produção predatório. 

No Brasil, derrotamos a extrema-direita nas urnas e temos um governo de frente ampla, que herdou o desafio de reconstruir o país. Contudo, temos enfrentado muitas barreiras para isso. O papel dos movimentos populares nesse cenário adverso, é pressionar para que haja avanços relacionados ao programa eleito, sem sucumbir às pressões do mercado financeiro e da extrema direita organizada no Congresso Nacional. É preciso fortalecer as organizações populares, fazer trabalho de base, mobilizar a juventude e retomar uma agenda de lutas e reformas estruturais que altere a correlação de forças na sociedade!

2. Juventude e trabalho  

A juventude é o principal alvo da superexploração no capitalismo contemporâneo, sobretudo jovens negras e negros, mulheres e LGBTI+. O mito da autonomia (patrão de si mesmo) esconde a precarização: jornadas exaustivas, instabilidade permanente e ausência de direitos. A escala 6×1 e a plataformização do trabalho são a nova face da acumulação capitalista, transformando corpos jovens em mercadoria descartável.

A contradição na conciliação entre trabalho e educação no Brasil, é um desafio significativo para a juventude. Apenas 13% dos jovens de 18 a 24 anos conseguem simultaneamente estudar e trabalhar, evidenciando as dificuldades enfrentadas por essa parcela da população. Em 2023, aproximadamente 19,8% dos jovens brasileiros de 15 a 29 anos não estudavam nem trabalhavam, conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, refletindo a necessidade de políticas públicas que facilitem a integração dos jovens no mercado de trabalho sem comprometer sua formação educacional.

O capital nos fragmenta, vendendo o individualismo como liberdade, enquanto expropria nosso tempo e nosso futuro, a velha fórmula neoliberal. Contra isso, é preciso forjar consciência de classe, organizar a rebeldia e romper com a lógica da exploração. O trabalho deve servir à vida, para nosso desenvolvimento e não à morte em prestações. 

3. A questão ambiental e o modelo de desenvolvimento

A crise climática não é apenas um fenômeno ambiental, mas uma expressão da lógica destrutiva do capital. O capitalismo se apropria da natureza para aumentar suas taxas de lucro. O mesmo sistema que devasta florestas, polui rios e transforma a terra em mercadoria é o que condena a juventude à precarização e à falta de perspectivas. A destruição do planeta e a exploração da juventude são faces da mesma engrenagem: um modelo de sociedade que coloca o lucro acima da vida.

As grandes cidades transformam-se em fornalhas insuportáveis, onde os mais pobres são os primeiros a sofrer. Enquanto os ricos se protegem em condomínios fechados, a juventude periférica enfrenta o calor extremo, a falta d’água, as enchentes e o ar poluído. Não é uma crise ambiental isolada: é a consequência direta de um sistema que devasta o planeta para enriquecer poucos. As soluções impostas pelas conferências internacionais, como a COP30, são insuficientes, pois não questionam a lógica de acumulação capitalista e pouco envolvem as organizações populares e os povos diretamente atingidos pela emergência climática. 

O racismo ambiental se manifesta de forma brutal contra populações indígenas e quilombolas, que enfrentam o desmatamento de seus territórios, a contaminação dos recursos naturais e a expulsão forçada de suas terras em nome do agronegócio e da mineração. A juventude indígena e quilombola luta para preservar sua cultura e modos de vida enquanto é submetida à precarização e ao apagamento histórico. A destruição ambiental que atinge esses povos não é uma tragédia isolada, mas parte de um projeto que os coloca como obstáculos ao avanço do capital. Portanto, resistir à destruição da natureza é também um ato de resistência contra a exploração da juventude e dos povos tradicionais.

4. Compromissos

a) Nos comprometemos com a construção de um plebiscito popular pela taxação dos super ricos, pela diminuição da jornada de trabalho e pelo fim da escala 6×1. O plebiscito é uma ferramenta de construção de democracia popular e participativa, com capacidade de organizar o povo brasileiro e travar a batalha das ideias em cada canto desse país, acumulando forças para a classe trabalhadora. Nossas ideias ecoarão em cada esquina, em cada universidade, em cada escola, em cada periferia, acumulando forças para que a classe trabalhadora escreva sua própria história.

b) Nos comprometemos em lutar contra a crise ambiental criada pelos países do Norte Global, pelos ricos do mundo, pelas transnacionais poluidoras e pelo agronegócio. As mudanças climáticas são decorrentes da espoliação e a forma de exploração do capital sobre o meio ambiente. Quem mais sofre com a crise ambiental são as periferias do mundo e os espoliados desta terra, expondo a face do racismo ambiental no capitalismo. A juventude indígena, quilombola, ribeirinha e periférica assiste à devastação de seus territórios, à contaminação de suas fontes de vida, ao avanço de um sistema que os empurra para a margem e se levanta.

c) Nos comprometemos a construir em cada periferia, escola e universidade um Levante em luta pelo fim da fome, por educação, cultura, saúde, trabalho e renda. Onde houver fome, ergueremos cozinhas solidárias; onde houver desejo de aprender, criaremos cursinhos populares da Rede Podemos +; onde a saúde for negada, faremos festivais que celebrem a vida; onde a precariedade sufocar, construiremos cooperativas e iniciativas que façam florescer o trabalho digno. Em um cenário de desesperança da juventude disputada pelos valores do neoliberalismo, anunciamos que a coletividade e a solidariedade podem transformar a nossa realidade.

d) Nos comprometemos com o internacionalismo e nos unimos em solidariedade aos povos do mundo que vivem as guerras do capitalismo. Nos vemos na juventude palestina que resiste às armas do império, na juventude cubana que enche as ruas para denunciar os embargos dos Estados Unidos, na organização das comunas na Venezuela. Caminhamos lado a lado com esses povos, certos de que a marcha só termina quando tombar o sistema que nos mata e nos explora.

e) E por fim, nos comprometemos com a construção do Programa Popular para a Juventude, varrendo a extrema direita, o fascismo e o neoliberalismo do país. É hora de avançar e assumir uma ofensiva tática que acumule forças para construir um conjunto de reformas estruturais que tire nosso povo da fome, da miséria, da exploração e da opressão, para finalmente ter força social capaz de construir nossa tão sonhada sociedade socialista.

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