Carta do Levante Popular da Juventude ao Presidente Nicolás Maduro e à primeira combatente Cilia Flores.

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São Paulo, 30 de março de 2026.

Ao Excelentíssimo Senhor Presidente da República Bolivariana da Venezuela Nicolás Maduro Moros,

À Excelentíssima Senhora Deputada e Primeira Combatente Cilia Flores,

Saudações revolucionárias desde o Brasil, do Levante Popular da Juventude.

Expressamos nossa profunda solidariedade ao presidente legítimo e à deputada e primeira combatente da Venezuela, ilegalmente detidos há mais de 80 dias em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Vocês foram sequestrados pelas forças imperialistas sob as ordens de quem se comporta como xerife das Américas e do mundo. Há um processo judicial marcado por abusos, autoritarismos e ilegalidades, que utiliza o sistema judicial internacional para vilipendiar a soberania e autodeterminação do povo venezuelano. Sob o falso pretexto de combate ao terrorismo e ao narcotráfico, e sem apresentar quaisquer provas, violam-se a imunidade presidencial, o direito de defesa das partes, ao devido processo legal e o direito internacional. Todas essas ações são pirataria, saque, crimes de guerra e terrorismo de Estado contra um povo livre.

Além do sequestro, a operação ilegal no dia 03/01/2026 conduzida pelos E.U.A. em Caracas invade e bombardeia o país, resultando inclusive em mais de 80 mortes. Porém, afirmamos que esta operação não é conjuntural, um caso isolado, e sim estrutural. Por mais de 2 décadas os Estados Unidos tentam derrotar a Revolução Bolivariana a partir de diversas táticas, de tentativas de golpe de Estado a sanções criminosas e campanhas midiáticas.

 A Estratégia de Segurança Nacional 2025 dos Estados Unidos busca assegurar um suposto direito soberano sobre as Américas. Com seu Escudo das Américas, planejam retomar o controle sobre as nossas terras. Querem transformar a Venezuela em um protetorado estadunidense. E quando atacam a Venezuela, sabemos que a soberania não apenas do Brasil, mas de toda a nossa região, está ameaçada. Não aceitaremos ser tratados como quintal do imperialismo!

Em nosso continente, tornamo-nos soberanos não por um presente, mas pela luta que nossos povos travaram nos campos de batalha contra o colonialismo, o escravismo e a violência de quem buscava saquear as nossas riquezas e recursos estratégicos. Gerações lutaram para que pudéssemos escrever nossas histórias com as próprias mãos. Inspirados por Simón Bolívar, o Libertador, projetamos Nuestra América unida e livre do domínio colonial. Conquistamos a nossa liberdade pela coragem de bradarmos que neste continente temos uma pátria e um povo digno. 

Seguimos hoje em novos campos de batalha, especialmente no campo das ideias, para reafirmar que não dobraremos os joelhos àqueles que pretendem nos tutelar. Não seguiremos suas cartilhas, e nem permitiremos acesso livre ao nosso território, com zonas de livre comércio, acesso às nossas riquezas e terras raras ou definições sobre quem devem ser nossos governantes!

A correlação de forças mudou significativamente, gerando perigos e oportunidades. O imperialismo estadunidense, ainda que debilitado, segue sendo poderoso e mais agressivo. A crise que estamos vivenciando é fruto da irracionalidade do capitalismo, que destrói a força de trabalho e os bens da natureza, em todas as esferas da vida. 

Resistimos porque acreditamos que é possível uma revolta sobre esta política global, com o avanço das desigualdades e a concentração de riquezas, em que o caos se torna a norma, a mensagem fascista se afirma como sustentação da crise e governos autoritários controlam e ameaçam para que os povos não reajam. Enfrentamos o imperialismo, hoje enunciado no nacionalismo estreito do “America First”, porque ele não responde às demandas do povo estadunidense, e nem os dilemas da humanidade. 

Resistimos porque denunciamos os sintomas da crise de hegemonia unipolar dos EUA, que segue decadente e violenta contra os povos do mundo que ousam contestar. Os ataques contra a Venezuela, Cuba, Palestina, Irã e todo o Sul Global expõem como a barbárie pode ser naturalizada pela ofensiva imperialista, mas que há resistência e solidariedade que questionam esta moral que se firma no genocídio e em crimes contra a humanidade. As guerras são uma aberração desse sistema. Expressamos nossa esperança em meio à tragédia dos bloqueios, intervenções, genocídios e guerras.

Resistimos porque, à medida que a ordem mundial neoliberal expressa seu colapso, o mundo se reorganiza, e anunciamos que uma nova ordem emergirá, multipolar, em que a vida vale mais que o lucro, e que seres humanos não são obrigados a continuar sendo vítimas da história, espoliados e condenados. Não somente afirmamos que um outro mundo é possível, mas que o horizonte do socialismo é necessário e possível. 

Exigimos a sua imediata libertação, Nicolás e Cilia, e denunciamos os covardes ataques do imperialismo à Venezuela, ataques estes que desrespeitam os princípios do direito internacional, a soberania e autodeterminação dos povos. Nossos povos têm o direito de viver em paz! Vocês, líderes da Venezuela, estão detidos por seguir o legado do Comandante Hugo Chávez, projeto este que recuperou a identidade de um povo, deu um novo sentido à vida no país, uma nova esperança e um sonho coletivo, construído a muitas mãos, mentes e corações. Vocês, líderes da Venezuela, estão detidos por insistir na luta pela independência dos países do Sul Global e pelo socialismo comunal. Não há prisão para impedir que nossos povos sigam lutando por uma vida digna e pela sua soberania!

Neste momento, expressamos toda a nossa solidariedade, tanto em nosso país, com as ações de denúncia, quanto na Venezuela, em que nos somamos à Brigada Internacional de Solidariedade, junto ao MST e outros movimentos populares articulados na ALBA Movimentos, com atividades voltadas à articulação política, ao acompanhamento de iniciativas locais e ações de agitação e propaganda nas comunas. Estamos muito felizes em conhecer e partilhar do cotidiano da Revolução Bolivariana, a democracia participativa e protagônica, a revolução do nosso tempo. Esperamos em breve reencontrá-los, livres, junto ao povo que os elegeu e que resiste em defesa de sua própria liberdade e autonomia. 

Sabemos que não é possível subjugar um povo livre e consciente. A Revolução Bolivariana segue firme e continua inspirando a juventude em luta a seguir o horizonte da resistência de um novo mundo, para tecer o nosso próprio caminho de emancipação. Desde o Brasil, o Levante Popular da Juventude se une ao grito dos povos do mundo pela imediata libertação do presidente Nicolás Maduro e da deputada e primeira combatente Cilia Flores. 

Maduro Livre! Cilia Livre! 

Libertem Maduro e Cilia já!

Sou do Levante, tô com Maduro!

Trump, tire as mãos da América Latina!

Viva o povo venezuelano!

Somos povos livres e soberanos!

Internacionalizemos a luta, internacionalizemos a esperança!

Um abraço de esperança e solidariedade,

Levante Popular da Juventude.