[Papo Reto] Eduardo Cunha: o silenciamento da grande mídia e a justiça seletiva

[Papo Reto] Eduardo Cunha: o silenciamento da grande mídia e a justiça seletiva
Toda segunda, um texto novo será publicado

As recentes denúncias realizadas pelo Ministério Público da Suíça contra o atual presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), revelam a existência de quatro contas em bancos suiços em seu nome e de familiares, num montante aproximado de U$5 milhões.

Estas informações intensificam as acusações de participação do presidente da Câmara na chamada “Operação Lava Jato” e no envolvimento em crimes de corrupção e de lavagem de dinheiro. Estas denúncias se somam às anteriores, onde executivos ligados à grandes empreiteiras pagaram propinas ao deputado em troca de contratos com a Petrobrás. Segundo, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o montante de propinas recebidas por Eduardo Cunha chega a R$80 milhões.

Vale destacar que em março deste ano, em depoimento a CPI da Petrobrás, o deputado peemedebista afirmou não tenho qualquer tipo de conta em qualquer lugar que não seja a conta declarada no meu Imposto de Renda”.

Apesar destes fortes indícios de corrupção, a grande mídia tem secundarizado as denúncias contra Eduardo Cunha. Os principais meios de comunicação do país, deram pouca relevância ao caso e seguiram uma tendência a relativizar as acusações.

Tratamento inverso dado aos militantes petistas e seus aliados na AP-470 e na Operação Lava-Jato. Para estes, a regra tem sido a “prisão preventiva”, a tentativa de desmoralização e o linchamento público.

Desse modo, fica evidente o caráter de classe do estado brasileiro. Mesmo permitindo certa participação das classes populares no aparelho de estado, as diversas frações da classe dominante continuam detendo o poder político e a hegemonia do estado.

Para conservar a sua dominação política, as diversas frações da burguesia buscam restringir a crise política à corrupção e ao Partido dos Trabalhadores. Para tal, possuem os grandes meios de comunicação como seus aparelhos privados de hegemonia. Cabe à juventude brasileira revelar as verdadeiras raízes da atual crise política: o sequestro da democracia pelo poder econômico através do financiamento empresarial de campanhas, a falta de representação dos setores populares nas instituições da República, e a inexistência de mecanismos de democracia direta que garantam a participação popular nos rumos da nação.

Refundar a República e democratizar o estado brasileiro faz-se cada vez mais urgente e necessário. A luta pela Constituinte é indissociável da luta pela democratização da comunicação. Sem meios de comunicação próprios, a classe trabalhadora não vencerá a batalha das ideias.    

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