O papel fundamental dos voluntários e voluntárias na campanha de solidariedade

O papel fundamental dos voluntários e voluntárias na campanha de solidariedade
Caminhamos ombro a ombro como quem marcha esperançando um presente e um futuro diferentes para o nosso país - e com quem está disposto a juntos construí-lo. - Guilherme Gandolfi

A esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem; a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las. (Santo Agostinho)

Olhamos ao redor e constatamos, sim, que cada um desses voluntários são também nossos companheiro

Diante de uma pandemia que já matou mais de 130 mil brasileiros e brasileiras e de um governo que age de forma irresponsável com a vida e os direitos do seu povo, com quem podemos contar? Quem está ao lado dos pobres – as principais vítimas de Bolsonaro e do coronavírus?

A frase de Santo Agostinho nos ajuda a responder: estão conosco aqueles que ainda esperançam. Os indignados, os corajosos, aqueles que não aceitam as injustiças e que, coletivamente, se organizam para enfrentá-las. 

Na Campanha de Solidariedade Periferia Viva, o exemplo pedagógico dos movimentos populares que tornam viva essa iniciativa cativou gente das mais diversas origens para se somar nessa batalha em defesa do povo brasileiro: são os voluntários(as) da campanha, as nossas Mãos Solidárias.

Na coluna de hoje, vamos falar um pouco da experiência dos voluntários e voluntárias da campanha da Escola Nacional Paulo Freire, em São Paulo!

A campanha da escola é construída por diversos movimentos populares, como Levante Popular da Juventude, Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MTD), Consulta Popular, Rede de Cursinhos Podemos+ e Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

No entanto, a contribuição dos militantes ainda não é suficiente para os grandes desafios que a nossa campanha se propôs a enfrentar. Por isso, desde o começo dessa iniciativa a contribuição dos voluntários e voluntárias é fundamental para dinamizar o trabalho e dar conta das diversas tarefas que cabem a ela.

As nossas “mãos solidárias” são moradores da própria região da escola e pessoas de diferentes lugares do estado de São Paulo que chegaram até nós por meio de amigos, outros militantes ou apenas por verem a divulgação da Campanha nas redes.

Elas contribuem das mais diversas maneiras – compõem as equipes de higienização, organização e distribuição das cestas de alimento; são advogadas e advogados populares que prestam apoio jurídico às famílias assistidas; são comunicadores e comunicadoras populares que produzem os materiais da campanha e fazem a cobertura das ações; são pessoas dispostas a divulgar a campanha e cativar novos voluntários e doadores.

Em suma, é gente que, de forma presencial ou à distância, doa um pouco do seu tempo e do seu trabalho para multiplicar uma iniciativa que tem impactado a vida de centenas de pessoas. 

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“Eu acho que todo mundo que tem um olhar mais voltado pro coletivo se sentiu sensibilizado no meio da pandemia e tentou ajudar de alguma forma. E foi nesse intuito que entrei pro grupo – pra tentar auxiliar com o que eu pudesse”, afirma Nadine Marques, que desde o começo da campanha contribui na comunicação e na divulgação dessa experiência.

No mesmo sentido, Fernanda Moraes, que é estudante de Direito da PUC e contribui com orientações jurídicas para as famílias, diz: “sou voluntária dessa campanha porque ela é fundamental nesses tempos que a gente está vivendo. É fundamental essa união, esse cuidado com o próximo para que a gente possa superar isso. Tô muito feliz por estar fazendo parte dessa campanha tão bonita”.

Nos encontros virtuais, reunimos esse grupo de forma mensal para compartilhar os desafios da campanha e coletivizar as reflexões que dão conteúdo à nossa atuação. Afinal, não são apenas mãos, mas corações e mentes que contribuem com essa iniciativa. Por isso, é fundamental que os voluntários(as) também intervenham politicamente com esse trabalho e compartilhem suas experiências e opiniões para avançarmos juntos. 

Che Guevara certa vez disse: “se você é capaz de tremer de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros”.

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A cada passo que damos no Periferia Viva, olhamos ao redor e constatamos, sim, que cada um desses voluntários são também nossos companheiros e companheiras. Dividimos as tarefas do dia a dia da campanha, mas, em essência, compartilhamos a indignação com a situação do nosso povo.

Caminhamos ombro a ombro como quem marcha esperançando um presente e um futuro diferentes para o nosso país – e com quem está disposto a juntos construí-lo.

Edição: Rodrigo Chagas

Via Brasil de Fato

Periferia Viva

O Periferia Viva nasce como resposta ao governo genocida com sua política de morte que nos deixou a própria sorte em uma pandemia. Com o princípio da solidariedade entre os movimentos populares do campo e da cidade e a classe trabalhadora, organizamos doações e entrega de alimentos saudáveis, marmitas e itens de necessidade básica a todos. A ideia é conectar iniciativas, campanhas e demandas da sociedade que podem contribuir e fortalecer essa rede de solidariedade.