Nota em defesa do ENEM e participação no mutirão de inscrições

“E o que temos a dizer sobre a universidade?
Que a universidade se pinte de negro,
Se pinte de trabalhador
Se pinte deindígena e camponês,,
Porque o conhecimento não é propriedade de
ninguém e pertence ao povo”!
Chê Cuevara

O Brasil vem passando por uma grave crise na saúde pública, com altas taxas de contágio e de mortes devido à pandemia do Coronavírus. Além disso, não estamos conseguindo avançar na vacinação massiva de nossa população, que segue vivenciando o luto, o medo, a fome, o desemprego e a desesperança.

Também estamos vivenciando um agravamento ainda maior das injustiças educacionais de nosso país. As aulas virtuais, propostas como solução ao fechamento das escolas, não tiveram grande alcance para a maioria dos estudantes das escolas públicas. Estudantes que, em muitos casos, abandonaram os estudos ou não tiveram boas condições de aprendizagem no último período.

A educação é um direito constitucional, nossa luta é por garantir que esse direito chegue para toda a sociedade. A universidade precisa se pintar de povo! Seguimos na luta pelo ensino público, gratuito e de qualidade, enquanto Bolsonaro e setores da direita querem que nossa educação seja cada vez menos um direito, ficando disponível apenas aqueles que possam pagar as mensalidades.

O ENEM de 2020 foi marcado por uma série de lutas para que fosse adiado, frente ao cenário caótico da pandemia, e que pudesse ser realizado com melhores condições sanitárias, fato também não observado, uma vez que muitas salas estavam lotadas e com pouca ventilação.

Mesmo com pressão popular, o governo Bolsonaro optou por manter a realização da prova para janeiro de 2021, indo contra a vontade da maioria dos inscritos que, através de enquete realizada pelo Ministério da Educação (MEC), indicaram que a melhor data seria em maio de 2021. A prova foi catastrófica em termos sanitários, com pouco rigor na aplicação de protocolos de saúde e contou com uma taxa de abstenção de mais de 50% dos inscritos, deixando de fora da disputa pelo ensino superior quase 3 milhões de candidatos.

As primeiras notícias sobre o ENEM 2021 continuaram a ser calamitosas. O MEC informou que não haveria recursos financeiros para a execução do exame no ano de 2021 e que o mesmo seria adiado. Pouco tempo depois, visto a enorme repercussão sobre o cancelamento do ENEM 2021, o governo recuou e marcou o exame para novembro de 2021.

O adiamento pautado pelo governo federal não teve como base as condições sanitárias para a realização do ENEM, ficou claro que era um impasse político sobre a realização ou não do exame em 2021.

Desta forma, é necessário que o ENEM seja defendido pela classe trabalhadora brasileira como uma importante ferramenta de democratização do acesso ao ensino superior, em um país ainda fortemente desigual nas oportunidades de ensino para ricos e pobres. É importante que o máximo de jovens e adultos façam a inscrição para o ENEM 2021 entre os dias 30 de junho e 14 de julho. Somente com a inscrição para a realização do exame é que teremos condições de pautar a melhor data a ser realizado, visto às enormes dificuldades trazidas pela pandemia e a delimitação de uma data e protocolos de segurança.

O ENEM também é central para a juventude camponesa. Através do exame é possível acessar cursos no ensino superior público pelo Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (PRONERA), direcionado a moradores de assentamento criados ou reconhecidos pelo Incra, quilombolas, trabalhadores acampados cadastrados na autarquia em diálogo com os movimentos sociais, como o MST.

É tempo de manter o sonho da universidade para nossa juventude e para nosso povo. É tempo de mostrar a Bolsonaro que continuamos em defesa da educação e em defesa do ENEM. Vamos somar forças em nosso mutirão de inscrições para o ENEM. Ninguém pode ficar para trás!

Assinam:

Campanha Periferia Viva

Educadoras e Educadores do Projeto Popular

Levante Popular da Juventude

Movimento do Pequenos Agricultores (MPA)

Movimento dos Trabalhadores por Direitos (MTD)

Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)

Rede de Cursinhos Populares Podemos+