Em memória Margarida, por justiça e paz

Em memória Margarida, por justiça e paz

12 de Agosto Dia luta contra a Violência no Campo, e marco dos 38 anos do Assassinato de Margarida Maria Alves, sindicalista e lutadora dos direitos do campesinato e por uma sociedade mais justa e igualitária.

O campesinato é parte do cotidiano do povo Brasileiro, sendo uma expressão que sempre enfrentou lutas pela permanência e sobrevivência no campo, por seus territórios e direitos sociais.

Com o governo Bolsonaro, essa violência tem aumentado ainda mais, com discursos de ódio e perseguição à tantos e tantas militantes. E diante disso, conflitos múltiplos são presentes no campo, percorrem e apavoram territórios de trabalhadores e trabalhadoras rurais que ocupam seus espaços, trabalham na terra para sua sobrevivência e subsistência, sendo alvos de uma quadrilha de ganância por mais terras e poder.

O caso de Margarida é significativo dos inúmeros ataques e assassinatos de defensores de direitos humanos no Brasil. Margarida foi covardemente assassinada, com disparos à queima-roupa em sua residência, em 12 de agosto de 1983, diante de familiares e vizinhos, a mando de latifundiários e usineiros da região do Brejo Paraibano, os capangas conseguiram fugir a tempo da polícia chegar, e infelizmente até hoje o caso tem impunidade.

Margarida tornou-se um símbolo, representando a força das trabalhadoras e trabalhadores rurais e a luta pelo fim de ameaças, criminalização, assassinatos e invalidação do trabalho das defensoras e defensores de direitos humanos.
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E como esse exemplo de resistência, Margarida nos deixou um legado:

“… eu quero pedir a vocês que, quando voltarem para casa,
lembrem-se e rezem por aqueles que tombaram na luta e
rezem também por aqueles que estão lutando na frente de
batalha, por aqueles que estão enfrentando as ameaças dos
poderosos. Eu dizia hoje aos Sindicato de Alagoa Grande:
‘Eles não querem que vocês venham à sede porque eles estão
com medo, estão com medo da nossa organização,
estão com medo da nossa união, porque eles sabem
que podem cair oito ou dez pessoas, mas jamais cairão
todos diante da luta por aquilo que é de direito devido ao
trabalhador rural, que vive marginalizado debaixo dos pés deles’.”
(Discurso de margarida na comemoração do 1o. de maio de 1983,
na cidade de Sapé, Paraíba, três meses e onze dias antes de ser assassinada.)

Seguindo essa luta em marcha desde 2000, milhares de Agricultoras, quilombolas, indígenas, pescadoras e extrativistas de todo o Brasil, se reúnem para a Macha das Margaridas, onde levantam suas diversas bandeiras, mas sobretudo que lembram a memória, vida e luta de Margarida Maria Alves, como pautas do feminismo camponês, denunciando também a fome, pobreza e violência em
que vivem as mulheres, principalmente as trabalhadoras rurais.

As mulheres Margaridas são muitas, e continuam se espalhando em cada canto do país. É fundamental seguirmos nessa marcha, fortalecendo todo movimento em rede, exigirmos que a justiça ainda que tarde seja feita, até que nenhuma mais seja tirada pelo latifúndio opressor.

Da luta eu não fujo!