A primavera secundarista contra a PEC 241

Por Thiago Pará do Levante Popular da Juventude

O Estado brasileiro e seus instrumentos – polícia, mídia, congresso, judiciário, etc. – procuram constantemente preservar sua natureza antipopular. Apresentam-se, assim, como algo que está acima de interesses de um ou de outro, e dizem tentar, na verdade, mediar o conjunto de conflitos na sociedade. Pura mentira e ilusão.

O Estado tem o papel de garantir os interesses das elites, do dinheiro, da mídia, dos latifundiários: dos poderosos como um todo. E quando os privilégios desses poucos estão sob ameaça podemos observar com mais clareza a quem serve o Estado e seus aparelhos.

Em todo o país, uma série de escolas, institutos federais e universidades têm sido ocupados por estudantes que miram para o futuro destas instituições e das próximas gerações. “As ocupações são pela educação”, como disse em vídeo a estudante secundarista paranaense Ana Júlia, de apenas 16 anos. Nas palavras da mesma, as ocupações tem sido a melhor “aula de cidadania”, coisa que não aprendem em meses de aulas.

A verdade é que a primavera secundarista, que tem apavorado os de cima, se coloca contra as tentativas de modificar o ambiente escolar sem qualquer diálogo com os próprios estudantes e trabalhadores da educação. Seja na proposta de tornar a escola acrítica e idiotizada (“Escola sem Partido”) ou na de tirar matérias como educação física, sociologia e filosofia, além de outras mudanças, o que está em questão é: de que maneira iremos reformar o ensino médio brasileiro? E as ocupações simplesmente dizem: essa reforma não será feita por esse governo golpista de Michel Temer e seu bando de parlamentares corruptos que nada sabem da realidade escolar. Esta deverá ser uma reforma feita por nós, estudantes.

Os estudantes vão além e passam a questionar também a PEC 241 (que passa a ser agora no Senado a PEC 55), pois esta vem para retirar os investimentos da educação e outras áreas de interesse social pelos próximos 20 anos. Isso tudo para manter os privilégios das elites do dinheiro e seus aliados.

Os governos estaduais e federal têm agido de maneira antidemocrática e truculenta. Não procuram dialogar nem entender o que as ocupações significam. Procuram na verdade abafar a luta estudantil e o protagonismo da juventude.

A mídia por sua vez, nada mostra sobre o que está acontecendo em todo o país. Ignoram a construção da “escola do futuro”, que é esta escola coordenada pelos próprios estudantes, desde a limpeza dos espaços, passando pela preparação das refeições até os debates a serem realizados.

E o poder judiciário, indiferente aos reclames dos estudantes, dá aval para que a polícia aja desta maneira truculenta e arbitrária.

São estes os nossos inimigos: a elite política e econômica que se apossou do governo por meio de um golpe e os governos estaduais antidemocráticos com sua sanha por violência, que se utilizam da mídia, das polícias, do judiciários e outros para nos derrotar.

Do nosso lado, só podemos contar com nós mesmos. Seguir organizando as ocupações e coordenando as lutas com os objetivos claros: não vamos admitir goela abaixo uma reforma desse governo golpista! Queremos uma reforma do ensino médio com diálogo e participação dos estudantes e trabalhadores da educação; queremos uma escola crítica e sem mordaça; queremos mais investimentos na educação e demais áreas sociais, por isso somos contra a “PEC dos Ricos”.

A primavera secundarista está apenas começando!


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