AS REBELDES FLORES DA PRIMAVERA SECUNDARISTA

Tantas flores seriam necessárias para secar os úmidos pântanos

onde a água de nossos olhos se faz lodo;

areias movediças tragando-nos e cuspindo-nos,

das que persistentes, uma a uma, teremos que surgir.

Amanhece com cabelos longos o dia curvo das mulheres.

Queremos flores hoje. Quanto pertence a nós,

o jardim do qual nos expulsaram!

Gioconda Belli

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Mesmo com a incessante vontade de fazer chover e inundar nossa vida de ataques contra a nossa classe são inúmeras as primaveras que surgem das nossas lutas. Nossa resistência insiste em florescer e não se render frente as ameaças, os Projetos de morte, as reintegrações de posse. Insistimos em estar vivas, fortes e unidas. Com isso, uma das mais belas e alegres primaveras é a primavera dos/as secundaristas. Dessa primavera brotam flores rebeldes, flores que não abaixam suas cabeças e nem tem medo de enfrentar o inimigo. As adolescentes que constroem esse processo mostram como precisamos entender que o feminismo é uma luta de todas as mulheres, sem distinção de idade. A coragem dessa juventude é um exemplo para toda luta nessa conjuntura, é animo e mística para continuar construindo nosso feminismo.

O 25 de novembro é marcado como o dia latino-americano e caribenho de combate a violência contra as mulheres. Esse dia foi instituído em 1981 e desde então está presente no calendário das organizações feministas. A cada 15 segundos uma mulher é espancada no Brasil. Mas a violência contra a mulher não é só a violência física. Quem de nós não se cansa de trabalhar o dia inteiro e ainda ser responsável pelo cuidado dos filhos e dos afazeres domésticos? E o pior é que, muitas vezes, não encontramos vagas nas creches públicas. Quem de nós não fica indignada ao ser menos valorizada do que o homem? Estamos felizes e bem com o nosso próprio corpo? Existem várias formas de violência contra a mulher. Estamos em um 25 de novembro onde tudo poderia ser tristeza, o enxugamento das secretarias de mulheres, os números alarmantes de feminicidio, a perda dos Planos Municipais de Educação (PME), o congresso conservador e a própria conjuntura, que para nós, mulheres jovens, nunca foi tão ruim. Pelo contrário, o que temos é coragem, é o exemplo, é a renovação da luta.

Precisamos compreender também que a luta pela garantia da vida das mulheres não é presa as fronteiras do nosso país, e o que aconteceu com a secundarista argentina Lúcia Perez podia ter acontecido em alguma ocupação do Brasil, e por isso, sem nenhum medo, juntas temos a certeza que não aceitaremos nenhuma a menos! Que o grito latino-americano de #NiUnaMenos ecoe em nossos gritos. Que a vida das mulheres não seja mais interrompida, que ocupar também seja um direito nosso. Nós, mulheres que na escola somos alvo de piadas machistas de alunos, professores e funcionários, que somos submetidas a uniformes sem conforto para que fiquemos menos “provocantes”, que somos humilhadas pela nossa sexualidade, que somos violentadas de várias formas e somos tão perseguidas se ousamos lutar contra o que nos faz mal. Precisamos fortalecer as mulheres nos grêmios estudantis, nos grupos de debate e cobrar atitudes de combate ao machismo nas escolas. Não queremos somente parar a PEC 241/55, a Lei da Mordaça e o reordenamento das nossas escolas, lutamos para que as escolas sejam ambientes seguros para as mulheres, para que possamos construir uma educação feminista e popular.

Que esse seja exemplo também para todas as ocupações universitárias e as ocupações de terra pelo país. Que a rebeldia seja diária para continuarmos construindo a nossa luta. Devemos fortalecer as auto-organizações de mulheres e compreender que mesmo tendo várias questões diferentes (cor, orientação sexual, trans, espaços de vida e vivencia diferentes…) o que nos une como mulheres da classe trabalhadora nos fortalece. Construir o 25 de novembro como reinvindicação real, que seja parte da nossa luta cotidiana. Precisamos fortalecer o princípio do cuidado e da solidariedade, para que cada flor esteja viva e forte resistindo a lama que nos querem jogar.

Levante Pela Vida das Mulheres

#NenhumaaMenos


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