No Paraná, educação é caso de polícia

Por Hellen Lima, militante do Levante e professora da rede estadual do Paraná

O Paraná vivenciou ontem (29) mais uma marca sangrenta de sua história. E, semelhante a todas as outras cicatrizes, quem sangra é o povo.

Ao longo da minha militância, passei por vários momentos de repressão policial. Nunca vi algo tão atroz.

Muitas vezes ouvi as histórias da cavalaria que, a mando do então governador Álvaro Dias (PSDB) – hoje, senador – avançou sobre os professores da rede estadual em greve, no dia 30 de agosto de 1988. O desgovernador Beto Richa (PSDB) conseguiu superar aquele dia que só conhecia pela memória coletiva dos educadores em luta.

Foto: Joka Madruga

Foto: Joka Madruga

O caos político e militar se instaurou. Mas somente para o lado do povo. Pois do lado dos três poderes, o caos é a ordem. Tudo funcionou muito bem do ponto de vista do estado. A polícia cumpriu o papel que vem cumprindo desde muito: reprimindo os movimentos populares que defendem seus direitos. Os parlamentares, que dentro de um sistema político imundo, têm seus rabos presos, exerceram também seus papeis dentro dos conformes, votando pela aprovação de um projeto de lei previdenciário anti-popular, mesmo com ampla recusa da sociedade afetada pelo mesmo.

Não nos iludamos: aqueles que cercaram a ALEP com uma defesa de guerra, e votaram tranquilamente com o plenário vazio, enquanto bombas explodiam do lado de fora caindo de helicópteros, não são nossos representantes. Mas apenas representam as empresas que financiaram as suas campanhas e os interesses privados que os manterão no poder.

O sentimento foi de grande tristeza, revolta e impotência. Depois de uma greve vitoriosa de quase um mês, o governo rompe mais uma vez com os acordos e afronta a dignidade de professores, servidores e da sociedade como um todo ao montar a praça de guerra e barbárie frente a uma multidão desarmada fisicamente, mas cheia de coragem e convicção.

O dia de hoje acordou cinza em Curitiba. A solidariedade é grande de todos os setores sociais. Beto Richa está isolado em um discurso medíocre, como ele próprio, de que os policiais estavam defendendo a própria vida. A greve continua. A luta segue firme, mesmo com tamanho massacre.

A certeza de que a desmilitarização da polícia é urgente e necessária é cada vez mais acendida. Maior ainda é a convicção de que precisamos de uma constituinte sobre o nosso sistema político, sob risco de ficarmos eternamente reféns de bombardeios em pleno “centro cívico”. E, mais uma vez, a educação se mostra como uma das armas mais perigosas contra a ordem vigente. Na terra das araucárias, seguimos resistindo!

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