[Papo Reto] O que nos restará das migalhas?

[Papo Reto] O que nos restará das migalhas?
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Há alguns anos a polêmica da esquerda era em torno de quais eram os avanços concretos que esse governo oferecia a classe trabalhadora. Políticas sociais com objetivo de repartir a riqueza, erradicar a miséria e universalizar o emprego. Foram medidas importantes e agora estamos sentindo o peso social delas, correndo o risco de perdê-las.

De maio de 2014 a maio de 2015 a taxa de desemprego aumentou de 7 para 8,1% articulado com o processo de desindustrialização já não dão a garantia que o trabalhador e o país necessitam para seguir crescendo. O ajuste fiscal e os cortes nas áreas sociais também ameaçam todas as conquistas dos últimos 12 anos.

Se a política de distribuição de riqueza da última década só trouxe migalhas para os trabalhadores, como será para as famílias brasileiras conviver com elevadas taxas de juros e consequente dificuldade de acesso a crédito com risco eminente de perder o emprego?

A esquerda está articulando alguns processos unitários importantes pra dar respostas a esse cenário. Uma iniciativa importante é a Frente Brasil Popular que foi lançada no último dia 05 de setembro em terras mineiras. Nesse mesmo dia se apontou o dia 3 de outubro como o primeiro dia de resistência. No dia dos 50 anos da Petrobrás o Brasil inteiro vai para as ruas defender seu patrimônio, contra o ajuste fiscal e a política econômica neoliberal que esse governo está aplicando.

O primeiro recado dessa frente é que as ruas são a saída nessa encurralada política, pois se o governo está jogando na lata lixo tanto anos de conquista dos trabalhadores, não seremos coniventes com essa farsa política. A população não confiou seu voto em Dilma pra que ela aplicasse o programa da direita e não existe referência histórica capaz de segurar o povo insatisfeito em luta.

A primavera que se abre neste setembro vai perfumar nossas marchas, ocupações, escrachos, greves e toda manifestação que retome a pauta política dos trabalhadores. Que os ricos paguem pela crise e que o povo, soberano, munido de seus instrumentos, abra os nossos caminhos para uma saída justa e popular.