QUAIS AS NECESSIDADES DA JUVENTUDE DA CAPITAL?

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Foto: @thompsongriffo / Cuca da UNE

Desde 2021 temos uma gestão que se recusa a dialogar, a sentar na mesa, escutar o que a juventude quer, o que precisa. A gestão do atual prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), permanece sucateando os equipamentos e fazendo investimentos meramente pontuais para que os jovens de Vitória se acostumem com pouco. São poucos investimentos diante dos desmontes das políticas voltadas para a juventude da capital, articulando atividades que não são atraentes e que não refletem as vivências destes jovens. É importante relembrar que durante o processo eleitoral de 2020, o atual prefeito nem sequer apresentou propostas para a juventude da cidade.

Para Pazolini, aliado fiel de Jair Bolsonaro e da ex-ministra Damares, falar sobre os jovens é ampliar o armamento da polícia e da guarda municipal, culpabilizando a juventude sobre a constante violência nos territórios, violência essa que está aliada a falta de investimentos na cultura, lazer, educação, a falta de espaços para capacitação e a negação desses jovens que desejam ocupar os espaços das comunidades e de toda a cidade.

Em meio a seus discursos de que pretende erradicar a pobreza dando R$ 112,00 reais para a população, estão espalhados por todos os cantos e territórios do município uma juventude com fome e, muitas vezes, a merenda escolar é a única refeição do dia. Para quem vive nas periferias, é perceptível que o município caminha em um sentido contrário, sabendo ainda que em um dia útil a Casa de Juventude de São Pedro que foi criada para promover a convivência, possibilitando ser um espaço onde os jovens possam expressar suas opiniões e demandas sobre os desafios da juventude, mas infelizmente apareceu de portas fechadas. As oficinas ofertadas pelos poucos equipamentos são meramente pontuais, não dando conta dos anseios desses jovens.

Será mesmo que Vitória tem um planejamento para diminuir as necessidades dos jovens? Nestes 3 anos e 8 meses de gestão, já estamos na terceira pessoa à frente da coordenação de Juventude. Essa é a prioridade que merecemos? Nossa geração nunca foi prioridade para Lorenzo Pazolini!

É preciso reconhecer erros diariamente cometidos. Em uma gestão que caminha a passos lentos, é urgente recuperar o protagonismo que a cidade já teve, como na gestão do ex-prefeito João Coser. Neste período, os jovens que viveram a gestão do PT no início dos anos 2005 até 2012, fizeram parte de um momento histórico do município que contribuiu com o fortalecimento da cultura popular, educação, esporte e lazer, através do viradão cultural, Centro de Referência da Juventude, Núcleo Afro Odomodê, Museu Capixaba do Negro, Telecentro e, principalmente, o Orçamento Participativo, ferramenta de planejamento municipal que garante a participação social, debates e formação dos cidadãos. É um processo político-pedagógico de justiça social e direito à cidade

Hoje, são através das memórias que guardamos toda a construção, justamente no período de fortalecimento de nossas identidades, histórias essas do município conhecido como a cidade sol, mas que vive um período sombrio para a juventude.

Dentre as necessidades da juventude da capital é primordial o reconhecimento dos jovens em todas as suas pluralidades e interseccionalidades, fortalecendo políticas voltadas para a comunidade LGBTQIA+, negros e negras, mulheres, jovens com deficiência e das periferias, garantindo o direito ao acesso pleno à cidade, debatendo e construindo medidas contra à insegurança alimentar, combatendo o racismo e as diversas opressões. Sendo assim, pontuo alguns aspectos que são fundamentais para a melhoria das políticas do município em relação à vida da nossa juventude:

  • 1 — É necessária a efetiva implementação do plano municipal de juventude que foi criado em 2015, tendo como compromisso de ser a principal ferramenta do município devendo ser norteadora das políticas para a juventude da cidade, porém, até hoje não foi avaliado, impedindo mensurarmos os próximos avanços e monitoramentos dessas políticas. Para mudarmos essa realidade é necessário o comprometimento na valorização do Plano Municipal de Juventude, sendo um dos pontos de extrema importância na promoção de políticas públicas.
  • 2 — O fortalecimento e diálogo com os Cursinhos Populares, investimentos nos equipamentos de juventude que vem sendo sucateados, a criação destes equipamentos nas periferias e o investimento no Museu Capixaba do Negro, que é um espaço de valorização e reconhecimento da cultura afro-brasileira.
  • 3 — Temos uma juventude plural, com direito de viver, existir e de ser respeitada em nossa cidade! A nomeação da coordenação de Diversidade Sexual, com alguém assumidamente LGBTQIA+ é urgente! Através da coordenação teremos um planejamento voltado para a juventude LGBTQIA+ e o diálogo com os movimentos e coletivos, mas o que vem acontecendo é a invisibilização e negação dos direitos da comunidade por uma câmara municipal de vereadores e pela Prefeitura Municipal de Vitória, que tentam calar nossas vozes e os nossos direitos.
  • 4 — A reativação do restaurante popular e o banco de alimentos que são políticas criadas na gestão do ex-prefeito João Coser, tendo como proposta, combater a insegurança alimentar nos territórios em vulnerabilidade social.
  • 5 — Fortalecimento das políticas de segurança pública, com transparência e estudo para transparência de dados sobre a segurança pública, discutindo também sobre a criação do Plano Municipal de Redução de Homicídios de Jovens, combatendo e lutando contra o extermínio da juventude negra.
  • 6 — Reconhecimento do Slam, caracterizados como batalhas de poesia, espaços onde os jovens de periferia expressam suas realidades, suas visões e denunciando todas as opressões.
  • 7 — Durante a gestão Pazolini, o Conselho Municipal de Juventude (COMJUV) foi duramente atacado e desmembrado, dificultando a mobilização e participação da juventude neste espaço de diálogo.
  • 8 — Criação do Fundo Municipal de Juventude, tendo como principal objetivo auxiliar o poder público na captação de recursos para serem destinados diretamente a juventude da capital.
  • 9 — Recentemente a cidade passa por um longo debate sobre o tempo integral que vem sendo imposto de forma autoritária pelo Prefeito Pazolini. É um tempo integral que não reflete a realidade da juventude, sendo necessário, receber e dialogar com quem se encontra nos espaços da Escola Municipal de Ensino Fundamental.

Portanto, nossa juventude vive com mais incertezas e medos do que possibilidades. Apesar de Vitória viver um período de retrocesso e não termos o que comemorar, construiremos uma alternativa popular para uma cidade com a cara do nosso povo.

Wesley Lacerda

Membro do Grupo de Trabalho de Equidade Racial do Espírito Santo, Conselheiro Estadual de Juventude, Militante do Levante Popular da Juventude e do Movimento Negro Unificado.