O Papa é pop e anticapitalista! E o Cunha um sabotador!

O Papa é pop e anticapitalista! E o Cunha um sabotador!

É quase impossível nos abstermos de falar algo sobre a visita do primeiro Papa latino-americano, Francisco, a nossa Pátria Grande, que ele mesmo definiu como “o continente da esperança” em uma homilia pronunciada no Vaticano, em dezembro, e mais impossível, ainda, se é que isso existe, não falar da pauta política do Congresso brasileiro nesta semana.

O Papa, que já faz história por ser o primeiro em muitas coisas, seja por ser latino-americano, jesuíta, pontífice não europeu em mais de 1200 anos, seja por optar pelo codinome Francisco, nome de muitos brasileiros pobres e nordestinos e que faz referência a são Francisco de Assis por “sua simplicidade e dedicação aos pobres”, crava mais uma vez uma marca no mundo com seu discurso sobre as mudanças que queremos e precisamos, durante o 2º Encontro Mundial de Movimentos Sociais com o Papa, na Bolívia.

Francisco, que não assiste a televisão há 25 anos e nem utiliza internet, segundo uma recente entrevista ao jornal argentino “La Voz del Pueblo”, parecia estar falando do Brasil e para nós, jovens brasileiros. E mais, apontou saídas possíveis para a crise econômica e política que vivemos e que nos parece, muitas vezes, de solução impossível.

É lógico que o pontífice não falou especificamente sobre o Brasil. Mas explicou muito bem a realidade que assola a vida dos seres humanos e as saídas para os problemas mundiais. Escolhemos alguns trechos do seu discurso, que é emocionante e revolucionário.

O Papa deixou evidente sua posição anticapitalista ao falar que “Necessitamos de uma mudança positiva, uma mudança que nos faça bem, uma mudança redentora. Necessitamos de uma mudança real. Esse sistema já não se sustenta. ” 

Ele, também, colocou a responsabilidade por essas “mudanças estruturais” em nossas mãos, quando diz que “ os mais humildes, os explorados, podem fazer muito. O futuro da humanidade está em suas mãos”. Falou ainda que “O futuro da humanidade não está unicamente nas mãos dos grandes dirigentes, das grandes potências e das elites. Está fundamentalmente nas mãos dos povos; na sua capacidade de se organizarem e também nas suas mãos, que regem, com humildade e convicção, este processo de mudança. ”

Ao final de seu discurso, ele disse “a concentração da mídia é instrumento de ‘colonialismo ideológico’”, pois “a concentração monopólica dos meios de comunicação social pretende impor pautas alienantes de consumo e certa uniformidade cultural”. Alguém tem dúvida do papel da Rede Globo no nosso país hoje?

No Brasil, onde vivemos um dos seus momentos mais críticos, ora com o Congresso mais conservador, que a juventude brasileira já viu, nos impondo uma agenda retrógrada, com o apoio da mídia golpista, ora com um governo indefensável que nos impõe medidas antipopulares, precisa que seu povo leia esse discurso e destrua essa lógica do lucro a todo o custo.

A saída foi dada por um dirigente de um segmento contraditório de nossa sociedade, a igreja católica, que, em outros tempos, buscava uma solução imaginária sobre fragmentação do mundo atual e, hoje, com Francisco, parte para o concreto, ao se preocupar com as questões contemporâneas e ao analisar os impasses políticos e econômicos, e ousa, ao opinar sobre o comportamento sexual fora e dentro da igreja. 

Com um discurso totalmente oposto ao do Papa, Eduardo Cunha vem dizendo que o seu mandato veio colocar no Congresso as pautas deixadas de lado há anos, que irão mudar as estruturas do país. Ele vem resgatando os arquivos mortos mais opressivos da Casa, como a PEC da Corrupção, PL 4330 (terceirização), Estatuto do Nascituro e outros. De forma cirúrgica, o deputado deixa sua marca com uma cicatriz difícil de remover, mas não impossível.

Em uma de suas principais cartadas, a redução da maioridade penal, que muitos estudos no campo da direito penal e das ciências sociais têm demonstrado que não há relação direta de causalidade entre soluções punitivas e a diminuição na violência, pelo contrário, percebe-se que só através de políticas de natureza social é que podem diminuir com a violência, Cunha deixa claro que mudança que ele está propondo. 

Cunha quer mais fuzis apontados para aqueles que Francisco de Assis, inspiração para o nome papal de Jorge Mario Bergoglio, dedicou sua vida, aos mais pobres dos pobres.

Em agosto, o ditador Eduardo Cunha, chefe do que chamou o Papa de “ditadura civil” e principal representante dessa casta conservadora golpista, colocará em pauta o 2º turno da PEC 171, sobre a Redução da Maioridade Penal, em votação. 

Cabe agora a nós sermos revolucionários e rompermos com essa lógica massacrante. Iremos a aceitar as mudanças que Cunha propõe? Ou aprofundaremos as mudanças de que o Papa Francisco fala?

O Papa já disse. O povo na rua já disse. A Juventude já disse. Falta você dizer; “Precisamos e
queremos uma mudança”. 

 

Toda segunda, um texto novo será publicado
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